As remoções forçadas de comunidades negras do centro de Porto Alegre ao longo do século XX, deslocadas para uma região periférica sem infraestrutura e sem políticas públicas, serão tema da roda de conversa Um outro olhar sobre a Porto Alegre negra: Restinga – o quilombo que deu certo. A atividade é gratuita e ocorre na segunda-feira (17), no Centro Histórico-Cultural (CHC) da Santa Casa, no centro da Capital.
Transferidas para a Restinga, essas populações enfrentaram desafios que atravessaram gerações, como a perda da assistência médico-hospitalar antes oferecida pela Santa Casa. Segundo a organização, o encontro busca valorizar a resistência, a organização comunitária e a potência cultural que transformaram o bairro em um verdadeiro quilombo urbano.
Participam do debate o historiador José Rivair Macedo, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e integrante do integrante do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros, Indígenas e Africanos (Neab/Ufrgs); Mestre Ventura, educador social, gestor esportivo e liderança histórica da Restinga, marcado pela resistência negra e atuação comunitária, desde a ditadura; Maria Clara Nunes, pioneira na construção comunitária da Restinga, com atuação marcante na educação infantil, no direito das mulheres de periferia e na fundação da Escola de Samba Estado Maior da Restinga; Teresinha da Rosa Marques, referência comunitária, originária da Lomba do Asseio, que protagonizou com outras mulheres a ocupação da Restinga, marcando a história com coragem e autonomia.
A mediação será de Neila Prestes de Araújo, historiadora, educadora e mestre em História, referência na pesquisa sobre a Restinga e na valorização da memória e cultura afro-brasileira. Atua em projetos comunitários e educacionais, fortalecendo o pertencimento e a identidade do território.
As apresentações musicais ficam por conta de Vera Ambrozio, cantora e compositora da Restinga cuja trajetória combina ancestralidade, musicalidade e afirmação cultural das mulheres negras da periferia; e de Deco, músico ligado ao Swing e ao Samba Rock gaúcho, com passagem por grupos como Evolução, Senzala e diferentes Escolas de Samba. Atualmente, ele integra o Grupo Swing Brasil.
Nos dias 17 e 18, o público também poderá visitar uma feira de artesanato e uma mostra de artes plásticas da Restinga, do Ponto de Cultura Africanidade com as artesãs Mãe Cleide da Oxum e Mãe Ana D Osanha e a artesã Isabel Cristina.
“Um quilombo que deu certo”
A coordenadora do Arquivo do CHC Santa Casa, Vera Barroso, explica que o projeto pretende reaproximar a instituição das comunidades negras removidas do centro da cidade, especialmente da antiga Ilhota. Ela destaca que essas populações sempre tiveram na Santa Casa uma referência de cuidado, e afirma que a retirada para a Restinga deixou marcas profundas.
“Situados em território periférico, na metade do século XX, enfrentaram desafios, impondo resistência e organização comunitária, conformando a Restinga como um quilombo que deu certo”, afirma.
Segundo Barroso, o encontro “convida a uma reflexão sobre essa trajetória, e a importância do Centro Histórico-Cultural Santa Casa na atuação desta retomada de vínculos, para o fortalecimento da identidade cidadã dos removidos e seus descendentes”.
Programação
Um outro olhar sobre a Porto Alegre negra: Restinga – o quilombo que deu certo/ Roda de conversa
Dia 17 de novembro, às 18h30 / Entrada franca
CHC Santa Casa – Av. Independência, 75, Porto Alegre
Feira de Artesanato e Mostra de Artes Plásticas da Restinga
Dias 17 e 18 de novembro, das 11h às 18h – CHC Santa Casa – Av. Independência, 75, Porto Alegre
Entrada franca
Cores da Terra: oficina de tintas naturais e pintura com elementos do território
dia 19 de novembro, das 14h30 às 16h
CHC – Sala Múltiplos 3 – CHC Santa Casa – Av. Independência, 75, Porto Alegre
Inscrições gratuitas no Sympla CHC Santa Casa
