Nesta sexta-feira (14), no bairro de Peixinhos, fronteira entre Recife e Olinda, tem início uma série de apresentações teatrais gratuitas de peças dirigidas e encenadas por pessoas negras e das periferias. Celebrando o mês da consciência negra, a 30ª edição da Semana Afro Daruê Malungo este ano segue não por sete dias, mas por quase um mês, com espetáculos até o início de dezembro. O Centro de Educação Daruê Malungo fica na rua Passarela, nº 18-A, no bairro de Peixinhos, zona norte do Recife.
Para a programação deste ano, a curadoria reuniu apresentações de teatro, dança, poesia, música e circo, destacando a diversidade das tradições artísticas negras e tendo como central a valorização das produções de pessoas pretas, em especial das periferias. A programação é apoiada com recursos públicos federais, através da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab). A Semana Afro Daruê Malungo foi criada na década de 1990.
O evento é aberto nesta sexta-feira (14), com Risco, apresentação do Coletivo Rasura. O Circo Experimental do Negro apresenta duas montagens de caráter histórico e narrativo: O encontro da tempestade e a guerra, na sexta-feira (21), e O Almirante negro e a rainha do mar, no sábado (22), ambas dialogando com mitologias africanas e figuras da resistência do povo negro, como João Cândido, o “Almirante Negro”. Todos os espetáculos são apresentados às 15 horas.
A programação ainda traz o Balé Afro Raízes, com o espetáculo Os Guerreiros, na sexta-feira (28); e a artista Rebeca Gondim, com Revinda, no sábado seis de dezembro. No mesmo dia, o próprio Daruê Malungo encerra a temporada com Agbará Obinrin, trabalho que destaca o protagonismo feminino na cultura afro-brasileira. Mais informações podem ser obtidas através do telefone (81)997-018-718.
O produtor e curador Orun Santana comemora a ampliação da Semana Afro como possibilidade de reconectar o Daruê ao território. “A expansão, trazendo espetáculos semanais no período da tarde, permite o encontro com escolas e com o público jovem. Isso promove o senso de pertencimento e a ocupação do espaço pela comunidade”, explica.
Além das apresentações de grupos convidados, as crianças e jovens do Centro também participam semanalmente da mostra, assumindo o palco como artistas e protagonistas de suas próprias narrativas. O Daruê Malungo tem a expectativa de que, com o apoio da Política Nacional da Cultura Viva, do MinC, a Semana Afro se torne permanente, garantindo a continuidade do trabalho pedagógico e artístico desenvolvido no espaço.
Certificado pelo Ministério da Cultura, o Daruê Malungo é um espaço histórico de expressão artística dos bairros e comunidades do seu entorno, como Arruda, Campo Grande, Chão de Estrelas, Campina do Barreto, Cabo Gato e, claro, Peixinhos. O centro cultural foi fundado pelos mestres Meia Noite e Vilma Carijós, se constituindo como um local de referência em danças afro e educação popular, sediando espetáculos, festivais e ações pedagógicas com crianças e adolescentes.
