CONSCIÊNCIA NEGRA

Rota da Liberdade marca avanço no reconhecimento da memória quilombola no RS

Proposta da deputada estadual Laura Sito (PT) foi aprovada por unanimidade nesta terça-feira (18)

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Para Sito, a Rota representa uma política construída com as comunidades, que reconhece sua memória, sua força e seu papel fundamental na história do RS
“É uma política construída com as comunidades, que reconhece sua memória, sua força e seu papel fundamental na história do RS”, afirma Laura Sito | Crédito: Nathália Schneider

O reconhecimento da memória e da resistência quilombola ganhou um novo capítulo no Rio Grande do Sul com a aprovação da Rota da Liberdade, iniciativa que integra territórios tradicionais do litoral e reforça políticas de turismo antirracista e de reparação histórica no estado. A proposta, apresentada pela deputada estadual Laura Sito (PT), foi aprovada por unanimidade nesta terça-feira (18), durante a Semana da Consciência Negra.

O Projeto de Lei 276/2024 institui a Rota da Liberdade, percurso que liga Osório a Santa Vitória do Palmar e articula comunidades quilombolas ao longo do litoral gaúcho. O texto reconhece a rota como bem de relevante interesse cultural imaterial e estabelece que sua gestão será comunitária, garantindo às comunidades o protagonismo na concepção, organização e execução das atividades turísticas.

A iniciativa fortalece o turismo de base comunitária, incentiva a economia local, contribui para a preservação ambiental e promove um turismo comprometido com a valorização da história e da identidade negra no Rio Grande do Sul.

Para Sito, a aprovação durante o mês da Consciência Negra reforça a dimensão simbólica da medida. “A população negra foi e é parte central da construção do nosso estado, social, cultural e economicamente. Por séculos, nossa contribuição foi invisibilizada e apagada da história oficial. A Rota da Liberdade é uma forma concreta de reconhecer, valorizar e colocar no centro do desenvolvimento do RS o protagonismo negro e quilombola”, afirmou.

Conforme aponta a parlamentar, o RS tem 146 comunidades quilombolas identificadas, das quais 90% já possuem certificação da Fundação Palmares. Cerca de 38% desses territórios estão na região contemplada pela rota, incluindo Morro Alto, Costa da Lagoa, Limoeiro, Casca, Teixeiras, Colodianos, Vó Marinha e Vila de São José do Norte.

Mais que um roteiro turístico, a Rota da Liberdade se insere no contexto do Afroturismo, movimento que reconhece e valoriza a contribuição negra e quilombola para a cultura, a memória e a economia. O projeto prevê ainda a criação de um Núcleo de Turismo Étnico Comunitário, administrado pelas próprias comunidades, ampliando a diversidade turística do litoral e da Costa Doce.

Laura Sito acredita que a Rota da Liberdade é uma conquista histórica para as comunidades quilombolas e para todo o Rio Grande do Sul. “Reafirmamos que o protagonismo negro precisa estar no centro do desenvolvimento. A rota valoriza nossa cultura, fortalece a economia local e impulsiona um turismo comunitário. É uma política construída com as comunidades, que reconhece sua memória, sua força e seu papel fundamental na história do RS.”

A aprovação da proposta, conclui a deputada, representa um avanço nas políticas públicas que buscam reconhecer e fortalecer as comunidades quilombolas como agentes centrais da história e do desenvolvimento do Estado.

Editado por: Katia Marko

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