A 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontece em Belém (PA), foi preparada para ser um marco nas negociações climáticas globais. Pela primeira vez, a Amazônia sedia o debate sobre o futuro do planeta e é palco de uma forte pressão popular por compromissos concretos.
Paralelamente à conferência oficial, a Cúpula dos Povos reuniu movimentos sociais, povos indígenas, agricultores, assentados e organizações populares, com propostas para uma agenda robusta de justiça climática.
A principal reivindicação dos movimentos sociais é clara: a conferência deve avançar em compromissos concretos de financiamento climático que transcendam as promessas. O cerne da demanda é garantir que os recursos cheguem diretamente aos territórios e às populações que, há décadas, mantêm as florestas em pé, produzem alimentos saudáveis e resistem à exploração predatória.
Segundo as organizações, a justiça climática só será efetiva quando o financiamento for, ele próprio, justo, acessível e transparente.
Fundo global brasileiro em debate
Neste cenário de pressão por novas modalidades de investimento, ganha força a proposta brasileira do Tropical Forests Forever Facility (TFFF), lançada ao final da Cúpula de Líderes. Este é um fundo global voltado especificamente à conservação das florestas tropicais.
O mecanismo visa remunerar países e comunidades pela manutenção das florestas em pé, subvertendo a lógica atual de pagar apenas pela redução do desmatamento. A iniciativa prevê que parte dos recursos seja destinada diretamente a povos indígenas e comunidades locais, reconhecendo o seu papel como essenciais na proteção da biodiversidade.
Agroecologia como exemplo
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também participa ativamente do debate. Além de ter um espaço preparado para as discussões relacionadas a Reforma Agrária Popular, o movimento abriu assentamentos próximos à sede da COP30 para compartilhar práticas de agroecologia, reflorestamento e produção sustentável.
As experiências dos assentamentos demonstram a viabilidade de aliar produção de alimentos, recuperação ambiental e geração de renda, servindo como um exemplo concreto de transição justa conduzida a partir dos territórios.
Financiamento como ato político
Organizações como a Finapop, que entende o investimento como um ato político, enfatizam que a discussão sobre a origem e o destino dos recursos é fundamental para a justiça econômica. O consenso é que o financiamento climático só cumprirá seu papel se fortalecer quem já cuida da terra e das florestas, amplificando as vozes que constroem alternativas reais ao modelo de exploração vigente.
*Cris Sturmer é economista e diretora de planejamento do Finapop e Luis Costa é diretor executivo do Finapop.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.
