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COP30 e Cúpula dos Povos: investir com propósito para enfrentar a crise climática

COP30 e Cúpula dos Povos: investir com propósito para enfrentar a crise climática

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Cúpula dos Povos reúne movimentos populares em Belém (PA) em contraposição ao evento oficial da COP30
Cúpula dos Povos reuniu movimentos populares em Belém (PA) em contraposição ao evento oficial da COP30 | Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontece em Belém (PA), foi preparada para ser um marco nas negociações climáticas globais. Pela primeira vez, a Amazônia sedia o debate sobre o futuro do planeta e é palco de uma forte pressão popular por compromissos concretos. 

Paralelamente à conferência oficial, a Cúpula dos Povos reuniu movimentos sociais, povos indígenas, agricultores, assentados e organizações populares, com propostas para uma agenda robusta de justiça climática. 

A principal reivindicação dos movimentos sociais é clara: a conferência deve avançar em compromissos concretos de financiamento climático que transcendam as promessas. O cerne da demanda é garantir que os recursos cheguem diretamente aos territórios e às populações que, há décadas, mantêm as florestas em pé, produzem alimentos saudáveis e resistem à exploração predatória. 

Segundo as organizações, a justiça climática só será efetiva quando o financiamento for, ele próprio, justo, acessível e transparente. 

Fundo global brasileiro em debate 

Neste cenário de pressão por novas modalidades de investimento, ganha força a proposta brasileira do Tropical Forests Forever Facility (TFFF), lançada ao final da Cúpula de Líderes. Este é um fundo global voltado especificamente à conservação das florestas tropicais. 

O mecanismo visa remunerar países e comunidades pela manutenção das florestas em pé, subvertendo a lógica atual de pagar apenas pela redução do desmatamento. A iniciativa prevê que parte dos recursos seja destinada diretamente a povos indígenas e comunidades locais, reconhecendo o seu papel como essenciais na proteção da biodiversidade. 

Agroecologia como exemplo  

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também participa ativamente do debate. Além de ter um espaço preparado para as discussões relacionadas a Reforma Agrária Popular, o movimento abriu assentamentos próximos à sede da COP30 para compartilhar práticas de agroecologia, reflorestamento e produção sustentável. 

As experiências dos assentamentos demonstram a viabilidade de aliar produção de alimentos, recuperação ambiental e geração de renda, servindo como um exemplo concreto de transição justa conduzida a partir dos territórios. 

Financiamento como ato político 

Organizações como a Finapop, que entende o investimento como um ato político, enfatizam que a discussão sobre a origem e o destino dos recursos é fundamental para a justiça econômica. O consenso é que o financiamento climático só cumprirá seu papel se fortalecer quem já cuida da terra e das florestas, amplificando as vozes que constroem alternativas reais ao modelo de exploração vigente. 

*Cris Sturmer é economista e diretora de planejamento do Finapop e Luis Costa é diretor executivo do Finapop.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Geisa Marques

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