Negociações travadas

Impasse sobre tecnologia emperra transição energética na COP30, avalia geógrafo

Wagner Ribeiro aponta resistência de países produtores de petróleo e ausência de documento final a dois dias do fim

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Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; Marina Silva, ministra do Meio Ambiente; e presidente da COP30 André Corrêa do Lago
Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; Marina Silva, ministra do Meio Ambiente; e presidente da COP30 André Corrêa do Lago | Crédito: Antonio Scorza/COP30

A dois dias do encerramento da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), a transferência de tecnologia entre países ricos e nações em desenvolvimento continua sendo um dos maiores entraves do evento. É o que afirma o geógrafo Wagner Ribeiro, professor da Pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP).

Presente no evento em Belém (PA), Ribeiro relatou, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, que países produtores de petróleo têm dificultado ainda negociações centrais. “Novamente vimos países inteligentes, produtores de petróleo, como sempre, tentando dificultar as negociações”, lamentou.

Segundo ele, sem uma cooperação real, a transição energética corre o risco de virar apenas um novo mercado internacional. “A questão é como tudo isso se torna apenas comércio e não cooperação. A COP procura avançar para que essas tecnologias possam ser redistribuídas para outros países que não têm alternativas”, explica.

Além disso, segundo o professor, até a tarde desta quarta-feira (19) não havia ainda uma versão consolidada do documento final da conferência. “Não temos documento até agora. As questões centrais continuam: financiamento, transferência tecnológica, quem vai pagar essa conta”, cita. Ele avalia que as conversas devem avançar madrugada adentro. “Tem gente falando que vai até domingo [23]”, conta.

Ribeiro também criticou a falta de anúncios mais contundentes sobre territórios quilombolas, em contraste com a homologação e demarcação de Terras Indígenas (TIs). Para ele, o governo desperdiçou o momento político, especialmente após um levantamento do Instituto Socioambiental (ISA) mostrar que essas comunidades preservam 92% da vegetação nativa na Amazônia. “Está se perdendo a oportunidade. Estamos na COP, amanhã é o Dia da Consciência Negra, seria o momento de avançar um pouco mais”, defendeu.

Apesar dos impasses diplomáticos, o professor elogiou o impacto da COP na cidade sede. “Belém está mobilizada, o acolhimento da população é algo extraordinário”, disse. Ele também destacou o “encantamento [das delegações] com toda a floresta amazônica.” Ribeiro classificou o evento no território amazônico como “um gol de placa, um grande acerto.”

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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