A chancelaria da Colômbia emitiu, nesta quarta-feira (19), um comunicado em que nega a informação de que o governo Gustavo Petro apoiaria uma transição de poder na Venezuela, como parte de uma suposta negociação com Washington para uma renúncia do presidente Nicolás Maduro.
“O Ministério das Relações Exteriores esclarece que a informação que circulou nas últimas horas na mídia sobre um suposto apoio da Colômbia a um plano para a saída negociada de Nicolás Maduro do poder não corresponde ao que foi dito pela chanceler Villavicencio Mapy”, diz o comunicado.
A nota da chancelaria é uma resposta a uma publicação da agência Bloomberg, que havia informado que a Colômbia apoiaria “a ideia de Maduro deixar o poder, evitando a prisão.”
A reportagem foi construída com base em uma entrevista realizada em Madrid com a chanceler colombiana Villavicencio Mapy. Segundo a Bloomberg, Mapy teria dito que “Maduro estaria inclinado a aceitar [um acordo].” “Ele poderia sair sem necessariamente acabar na prisão e outra pessoa poderia assumir para conduzir essa transição e permitir eleições legítimas”, foram as afirmações publicadas pelo veículo.
No entanto, o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia classificou a publicação das aspas como “descontextualizadas”. “A Colômbia e a Venezuela mantêm uma relação histórica de respeito, e isso não pode ser afetado por informações descontextualizadas publicadas na mídia”, diz a nota.
Por fim, a chancelaria afirma que respeita a soberania venezuelana. “O governo da Colômbia respeita o direito internacional e não interfere nos assuntos internos dos demais países, além de respeitar a soberania do país irmão, a Venezuela.”
Nessa semana, o jornal estadunidense The New York Times publicou uma reportagem em que afirma que o governo venezuelano teria proposto uma transição como forma de acabar com os ataques de Washington.
O presidente Nicolás Maduro, no entanto, não havia comentado as matérias nem a declaração oficial da Colômbia até o fechamento desta reportagem.
Nesta quarta-feira (19), Maduro voltou a reafirmar que a Venezuela é um país soberano, que está construindo “bases sólidas” para garantir a paz. “Lá está o Norte imperialista, com suas palavras e suas ameaças. Lá estão eles com suas ambições criminosas de colonizar e conquistar a Nossa América. E aqui estamos nós: povo caribenho, povo rebelde construindo, nas comunidades e nos bairros, bases sólidas de paz.”
Pressão dos EUA
Sob o pretexto de combate ao narcotráfico, os Estados Unidos intensificaram as pressões contra a Venezuela desde agosto. Caracas, por sua vez, sustenta a tese de que os ataques de Washington têm como objetivo forçar a saída de Nicolás Maduro da presidência do país.
No fim de agosto, o governo Trump enviou os primeiros navios de guerra ao mar do Caribe e, desde o início de setembro, realiza ataques contra embarcações que circulam nas águas do Caribe e no Oceano Pacífico.
Os bombardeios, apontados pelo alto comissário da ONU para os direitos humanos como uma violação ao direito internacional, já deixaram mais de 80 mortos.
Além disso, o Comando Sul dos Estados Unidos – a força militar que atua nas Américas – tem realizado treinamentos militares em Trinidad e Tobago, arquipélago fica a cerca de 10 quilômetros de distância da costa venezuelana. O segundo treinamento em menos de um mês acontece entre os dias 16 e 21 de novembro.
Nesta semana, em um novo capítulo da pressão exercida contra a Venezuela, Trump disse que não descarta a possibilidade de enviar tropas ao país caribenho. Ao mesmo tempo, na mesma coletiva de imprensa, ele abriu as portas para o diálogo com o presidente Nicolás Maduro. “Eu provavelmente falaria com ele, sim. Eu falo com todo mundo.”
