Políticos reagiram à prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na manhã deste sábado (22), em Brasília, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, que atendeu um pedido da Polícia Federal (PF). Bolsonaro está detido na Superintendência da PF na capital federal.
Para a deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS), a prisão preventiva do Bolsonaro “não é uma surpresa, mas uma consequência”. “Por anos ele enfrontou as instituições, atacou a democracia, estimulou violência política, tentou subverter, inclusive o resultado eleitoral. Quando alguém age contra o país, cedo ou tarde a lei chega e chegou. Um pacto político profundo”.
“O Brasil mostra que não aceita ameaças autoritárias de quem conspirou contra o estado democrático do direito e agora vai responder. Isso fortalece a democracia, enfraquece qualquer discurso de impunidade”, disse a parlamentar. “O recado tá dados quem atacar a democracia vai responder na justiça perante a lei e principalmente perante a história”, completou.
A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), celebrou a prisão do ex-presidente, destacando o risco de fuga apresentado por Alexandre de Moraes na decisão deste sábado. “Importante decisão do ministro Alexandre de Moraes de prisão do Bolsonaro por risco de fuga. E agora o que a gente também aguarda ansiosamente é a sua prisão a partir da condenação do julgamento da tentativa de golpe de estado no Brasil”, afirmou a parlamentar, ao Brasil de Fato.
O líder do Partido Socialista Brasileiro (PSB) na Câmara dos Deputados, Pedro Campos (PE), acredita que Bolsonaro e seus filhos cavaram a própria prisão.
“A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro é consequência direta de atos cometidos por ele próprio e por membros de sua família. Vimos seus aliados deixando o Brasil para evitar a Justiça, a convocação do senador Flávio Bolsonaro para gerar tumulto e, logo em seguida, a violação da tornozeleira eletrônica por Jair Bolsonaro às 0h08, deste sábado”, destacou o parlamentar, em referência à irregularidade apontada pelo ministro Alexandre de Moraes na decisão que ordenou a prisão do ex-presidente.
“Esses episódios revelam um padrão contínuo de afronta às instituições democráticas e às regras que regem o Estado de Direito. Quem constrói sua trajetória política a partir do caos, inevitavelmente, se torna refém dele”, completou, agregando que o “Brasil precisa de estabilidade, responsabilidade pública e respeito às instituições”.
Para o deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ), ainda que Bolsonaro esteja preso, ainda há muito o que fazer para derrotar o bolsonarismo, que continua livre.
“Eu acho que é fundamental a gente ter a compreensão que essa batalha se prolonga, que a batalha contra a extrema-direita tem várias as etapas que precisam ser cumpridas, desde batalhas sociais, de enquadramento dos líderes que dão sustentação à extrema direita, a fazer também com que a gente se coloque em movimentação na garantia de direitos materiais básicos do povo”, disse o deputado, agregando que não há como se falar em combater o fascismo sem enfrentar as causas de sua penetração no tecido social.
“O fascismo se fortalece se medidas de austeridade são colocadas em prática. As duas coisas caminham conjuntamente. E quando você garante direitos materiais do povo, o fascismo também se enfraquece. Então acho que essa é a nossa grande tarefa, seguir na responsabilização dos golpistas e seguir fazendo a luta social pela garantia de direitos materiais da classe trabalhadora”, ponderou.
A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) reforçou que a prisão do ex-presidente ocorreu porque, “mesmo em prisão domiciliar, ele continuava tensionando o país e intimidando as instituições”.
“A vigília convocada por Flávio Bolsonaro evidenciou o risco real de desestabilização: pressão explícita sobre o STF e a PF, tentativa de retirada da tornozeleira eletrônica pra tentar fugir, ameaças e incitação a tumultos. Diante disso, o STF agiu: a lei vale para todos, inclusive para quem tentou manipular o processo até o fim”, observou a parlamentar.
“O bolsonarismo na Câmara buscará aprovar o projeto da dosimetria para reduzir as penas dos envolvidos no 8 de Janeiro para beneficiar Bolsonaro, mas o povo está atento. Oferecer um tratamento mais brando seria ceder à cultura do autoritarismo. Não haverá tolerância com atalhos legislativos para que criminosos escapem de suas responsabilidades! O trânsito em julgado se aproxima. Bolsonaro será preso e nossa democracia dará recado de firmeza contra os golpistas”, completou a parlamentar.
Sem anistia
A deputada Sâmia Bomfim afirmou não ter dúvidas de que os bolsonaristas vão tentar “construir uma suposta imagem de injustiçado e mais uma vez apelar para o projeto da anistia”. “Mas eles não têm força política para reverter a situação jurídica e política do Bolsonaro. Não é prioridade no Congresso Nacional e tampouco uma necessidade ou uma urgência da população brasileira”, avaliou a parlamentar paulista, destacando ainda as pesquisas de opinião pública sobre o tema.
“O povo brasileiro não quer saber disso, ao contrário, diferentes pesquisas indicam que há uma ampla aprovação pela condenação de Bolsonaro. Então, por mais que tentem reverter, virar o jogo com pressões no parlamento, é um cenário irreversível e a gente tá vivenciando, um momento histórico de justiça e de reparação.”
Por sua vez, Daiana Santos acredita que anistia é “golpe e retrocesso”. “Brasil já aprendeu a duras penas que anistiar crimes contra a democracia só alimenta novos ataques no futuro”, disse a deputada.
Já Glauber Braga avalia que o caminho para uma eventual anistia de Bolsonaro passa pelas eleições presidenciais de 2026.
“Vão reforçar a tentativa de que o STF acolha o pedido da defesa de Bolsonaro pela prisão domiciliar, que já existe um pedido formal nesse sentido. Então eles vão procurar articular as forças que tem para que isso se transforme em realidade. Eu acho que tem um segundo movimento depois disso, que é uma tentativa, dos setores não familiares da extrema direita com o centrão, com a direita, tentando reforçar junto ao próprio Bolsonaro, que a solução agora é apoiar a candidatura do Tarcísio [de Freitas] à Presidência da República, porque ele pode ser a chave com anistia futura que tira Bolsonaro da cadeia”, considerou Braga.
Extrema direita
O Brasil de Fato entrou em contato com parlamentares de direita para comentar a prisão do ex-presidente. Apenas o líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcanti (RJ), respondeu ao contato, encaminhando dois vídeos em que aparece com uma camiseta com a palavra “anistia” estampada, em que afirma que a vida do ex-presidente “foi revirada” e não foi comprovado nenhum “roubo”. E questionou o simbolismo de Bolsonaro ter sido realizada no dia 22 do mês.
“Alexandre de Moraes hoje mostra a sua psicopatia em alto grau, prendendo no dia 22 justamente o número do partido, um homem inocente que reviraram a vida dele toda e não acharam um roubo sequer. É a maior injustiça da história”, disse o parlamentar, dirigindo-se diretamente ao ex-presidente. “Presidente Bolsonaro, nós estaremos sempre ao seu lado. Um abraço, força neste momento e todos nós vamos reagir à altura dos acontecimentos”, finalizou Cavalcanti.
