Reações nas redes

Prisão de Bolsonaro repercute nas redes da esquerda e da direita

Figuras do campo progressista relembraram episódios autoritários e má condução do ex-presidente na pandemia da covid-19

Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado
Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado | Crédito: Evaristo Sá/AFP

A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na manhã deste sábado (22), determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, repercutiu de imediato nas redes sociais. Ele foi detido por risco de fuga, após tentar romper a tornozeleira eletrônica.

No campo progressistas as reações nas redes foram de comemoração. A deputada federal Maria do Rosário (PT), ex-ministra dos Direitos Humanos fez uma publicação em que enfatiza: “a lei é para todos”.

O advogado e ex-secretário Nacional de Justiça, Augusto de Arruda Botelho diz que o despacho que decretou a prisão de Bolsonaro cumpre todos os requisitos legais. Já o líder do governo Lula na Câmara, deputado federal José Guimarães (PT), lembrou que Bolsonaro tentou destruir a democracia brasileira e merece a punição.

“A decisão foi tomada com base na garantia da ordem pública e determina que ele permaneça detido enquanto avançam as investigações. O país vive um momento histórico. Quem atacou a democracia vai pagar por isso”, escreveu.

Também nas redes, a deputada federal Erika Kokay (PT-DF), lembrou as vítimas da pandemia de coronavírus ao celebrar a prisão de Bolsonaro. “Dia histórico: Bolsonaro está preso em regime fechado! Arquitetou um golpe, negou a ciência, sabotou vacinas e deixou quase 700 mil vítimas na pandemia. Hoje, quem feriu o Brasil responde por isso”, escreveu.

Manuela D’ávila, ex-deputada e ex-candidata à Presidência disse que “quem viveu o Brasil sob seu comando [de Bolsonaro], quem perdeu alguém no Brasil sob seu comando, sabe o que celebramos”, escreveu.

Fernanda Melchionna (PSOL), também celebrou a decisão do STF. “Jair Bolsonaro acaba de ser preso preventivamente e levado para a superintendência da Polícia Federal. Um bom dia desses hein?!”

O deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ) destacou que a prisão foi causada pelo próprio Bolsonaro e pelo filho dele, Flávio. “Chegou a hora do Jair. Ou melhor, ele antecipou sua hora. Descumpriu a medida cautelar e agora está preso preventivamente na superintendência da Polícia Federal. A família mostrou que é especialista em tiro… no pé!”

Uma das motivações para o pedido de prisão de Jair Bolsonaro foi justamente uma manifestação nas redes sociais. O senador Flávio Bolsonaro postou uma convocatória para uma vigília na frente da casa do ex-presidente.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes pontua que a convocação da vigília indicaria uma possível tentativa de uso de apoiadores para atrapalhar a fiscalização das medidas cautelares e da prisão domiciliar.

Na extrema direita, as reações se misturam entre revolta, solidariedade e até pedidos de reação institucional. A narrativa central é de que Bolsonaro é vítima de perseguição judicial e não cometeu nenhum crime.

Logo cedo, por volta das 6h30 da manhã, a ex-primeira dama Michele Bolsonaro postou em suas redes sociais versículos do salmo 121. O trecho bíblico afirma que “o socorro virá de Deus”.

O pastor Silas Malafaia também protestou nas primeiras horas da manhã. “A covardia, injustiça de pura perseguição política, acaba de ser concluída pelo ditador da toga Alexandre de Moraes. Bolsonaro preso”, postou.

Já a deputada Carol de Toni (PL) afirmou nas redes que “a prisão do presidente Bolsonaro é um dos maiores absurdos já cometidos pela justiça brasileira”. O deputado Marcel Van Hattem (Novo) manifestou solidariedade e cobrou do Congresso Nacional uma “reação contundente”.

Relembre o caso

Considerado líder da trama golpista que tentou romper o Estado democrático de direito em 8 de janeiro de 2023, o caso contra Bolsonaro na Justiça data de anos antes, pelo menos, desde 2021.

Segundo a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o dia 8 de março de 2021, quando o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retoma seus direitos políticos, após a anulação dos processos da Lava Jato pelo Supremo Tribunal Federal, foi o marco de uma série de ataques do então presidente Jair Bolsonaro às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral brasileiro.

A PGR destaca que, em meados de 2021, o Bolsonaro realizou uma transmissão ao vivo na residência presidencial, onde colocou em dúvida a segurança do sistema eletrônico de votação. Para a acusação, essa live sinalizou o começo de uma campanha para desqualificar a Justiça Eleitoral.

Naquele mesmo ano, durante as celebrações do 7 de setembro, o então presidente da República chegou a declarar publicamente que não acataria decisões emanadas da Suprema Corte.

Em 5 de julho de 2022, a atuação do governo contra as instituições ganhou um novo capítulo com a realização de um encontro ministerial focado no debate eleitoral. O registro audiovisual dessa reunião foi posteriormente recuperado no equipamento de um auxiliar próximo ao ex-presidente.

Durante o segundo turno das eleições presidenciais, em outubro de 2022, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) conduziu operações em áreas onde o candidato Lula obteve votação expressiva no primeiro turno. À época, o TSE convocou o então diretor-geral da PF, Silvinei Vasques, e ordenou o fim dos bloqueios. Embora a Justiça Eleitoral tenha assegurado que ninguém foi impedido de votar, as ações geraram fortes críticas e foram alvo de apurações.

No final de 2022, a Polícia Federal identificou um projeto chamado “Punhal Verde e Amarelo”. Atribuído ao general Mário Fernandes, o documento continha propostas drásticas, como a anulação do resultado eleitoral, a prisão de oponentes e até planos de assassinato de autoridades eleitas e do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes.

A crise atingiu seu ponto máximo em 8 de janeiro de 2023, com a invasão e destruição das sedes dos Três Poderes em Brasília. Mais de 1.500 pessoas foram detidas nos dias seguintes, acusadas de crimes como dano ao patrimônio público e tentativa de abolição do Estado Democrático.

Editado por: Lucas Estanislau

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