A Galeria Tina Zappoli, em Porto Alegre, está exibindo a mostra Permanências, que reúne a produção mais recente do escultor gaúcho Itelvino Jahn, nascido em Montenegro em 1958. A exposição permanece aberta até 23 de dezembro e contará, nesta terça-feira (25), às 19h30, com uma conversa pública com o artista, mediada pelo jornalista e professor de Filosofia André Pares.
Cerca de 30 peças compõem a seleção, todas produzidas a partir de troncos e fragmentos de árvores que o artista coleta em matas, recebe de conhecidos ou obtém por meio de alertas de secretarias do Meio Ambiente sobre quedas ou retiradas de árvores condenadas. O material inclui madeiras ocas, queimadas, desgastadas por pragas ou marcadas pelo uso. A curadoria é assinada pela própria galeria, dirigida por Tina Zappoli e Marinho Neto.
Autodidata, Jahn começou a trabalhar com madeira ainda criança, no sítio onde cresceu, na localidade de Campo do Meio. Ele relembra que tudo começou com a observação das árvores e resíduos naturais deixados pelas tarefas da agricultura. “Minha trajetória realmente começou aqui no Interior, onde vivo até hoje, com a observação da matéria-prima, nas várias lidas da agricultura, avaliando madeiras já caídas, velhas, mortas, secas. Ao armazená-las, comecei a perceber formas e a guardá-las para evitar que virassem lenha”, conta.
O título da mostra se relaciona com sua visão sobre a continuidade da vida das árvores por meio da arte. “A conexão com as árvores mortas sempre foi marcante para mim. Sinto uma relação com essa matéria como se quisesse fazer uma espécie de agradecimento, buscando perpetuá-la. Assim, as ‘permanências’ se traduzem na continuidade do que as árvores nos ofereceram em vida, por meio da escultura, que lhes concede uma nova existência ou sobrevida, permanecendo entre nós. É essa a essência”, aponta.
A visitação da mostra Permanências é gratuita e ocorre de segunda a sexta-feira, das 14h às 19h, na Galeria Tina Zappoli (rua Paulino Teixeira, 35, bairro Rio Branco).
Sobre o artista
Nascido em 1958, em Montenegro (RS), e criado na zona rural de Campo do Meio, Itelvino Jahn começou a esculpir aos dez anos e desde então participou de diversas mostras no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Conhecido como “o maestro da sinfonia da natureza”, trabalha exclusivamente com árvores mortas, transformando-as em esculturas que ressaltam formas orgânicas e a relação entre vida, desgaste e continuidade.
Críticos e estudiosos destacam a potência poética de sua obra. Para o escritor Flávio Sant’Anna Xavier, “é uma tentativa derradeira, poética, de salvação do que foi destruído. É possível o belo e o movimento na morte e destruição. As mesmas mãos que derrubam e matam também são capazes de vida e movimento”. Para a professora e crítica Paula Ramos, “não se trata de lidar com uma madeira nobre e ilesa, mas de operar a partir de diversidades, ou melhor: de singularidades (…) mesmo quando fustigadas.”
Sobre a galeria
Fundada em 1981, a Galeria Tina Zappoli tornou-se referência no cenário das artes visuais no Rio Grande do Sul. Criada pelo artista Marinho Neto e pela galerista Tina Zappoli, inicialmente se dedicou a nomes modernistas do século 20 e posteriormente incorporou produções contemporâneas, populares e étnicas. Representou Iberê Camargo até sua morte, em 1994, e hoje destaca-se pela combinação inédita, no Sul do país, entre arte popular brasileira, arte moderna e obras contemporâneas.
Serviço
Mostra individual Permanências – Esculturas de Itelvino Jahn
Conversa com o artista: 25 de novembro de 2025 (terça-feira), às 19h30
Mediação: André Pares, jornalista e professor de Filosofia
Local: Galeria Tina Zappoli (Rua Coronel Paulino Teixeira, 35 – Bairro Rio Branco – Porto Alegre)
Visitação da exposição: até 23 de dezembro de 2025
Horário: segunda a sexta-feira, das 14h às 19h
Entrada franca
