Perda

Morre aos 81 anos Udo Kier, ator alemão que fez ‘Bacurau’ e ‘O Agente Secreto’

A causa da morte, confirmada por seu companheiro, o artista Delbert McBride, ainda não foi divulgada

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Udo Kier durante a 35ª edição do Prêmio do Festival Internacional de Cinema de Palm Springs, na Califórnia, no ano passado
Udo Kier durante a 35ª edição do Prêmio do Festival Internacional de Cinema de Palm Springs, na Califórnia, no ano passado | Crédito: Valerie Macon/AFP

O ator alemão Udo Kier morreu na noite deste domingo (22) aos 81 anos, no Hospital de Palm Springs, nos Estados Unidos. Ele participou de dois filmes do cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho, “Bacurau”, de 2019, e “O Agente Secreto”, que está em cartaz nos cinemas. A causa da morte, confirmada por seu companheiro, o artista Delbert McBride, ainda não foi divulgada.

Reconhecido internacionalmente por sua carreira, Kier trabalhou com diversos cineastas, como Lars von Trier, Gus Van Sant, Werner Herzog, Rainer Werner Fassbinder, Walerian Borowczyk, Kleber Mendonça Filho, Dario Argento, Charles Matton, Guy Maddin e Alexander Payne.

Nascido em outubro de 1944 na cidade de Colônia, no oeste da Alemanha, Kier sobreviveu a um bombardeio no próprio hospital onde nasceu, durante a Segunda Guerra Mundial. Em entrevista ao Bay Area Reporter, em 2021, Kier afirmou que a experiência marcou sua vida para sempre.

“A enfermeira estava recolhendo os recém-nascidos de suas mães para limpá-los e lavá-los. A cama da minha mãe estava no canto, e ela perguntou à enfermeira se poderia ficar comigo por mais um tempo. A enfermeira disse que tudo bem. Logo depois, as paredes desabaram, o que matou todos os bebês no berçário”, disse.

“Minha mãe e eu sobrevivemos à explosão. Ela enfiou a mão pelos escombros, o que as pessoas viram, e nos desenterraram três horas depois. Não havia nada para comer depois que a guerra terminou. Tudo tinha sido destruído. Minha mãe costurava vestidos para mulheres para que pudéssemos conseguir algo para comer. Essas experiências influenciaram permanentemente minha vida”, concluiu.

Kier iniciou a carreira em 1966, no filme “Road to Saint Tropez”, e passou a ganhar notoriedade e mais papéis após “Flesh for Frankenstein” (1973). Nos Estados Unidos, participou de “Ace Ventura: Pet Detective” (1994), “Barb Wire”, “Armageddon”, “Johnny Mnemonic” e da adaptação de “The Adventures of Pinocchio”. Também integrou videoclipes de Madonna, Korn, Eve e Gwen Stefani.

O ator considerou “sorte” na carreira por trabalhar com grandes diretores, muitas vezes por acaso. “Nunca escrevi ou pedi para trabalhar com um diretor. Imagine se eu dissesse para David Lynch: ‘Eu gostaria de trabalhar com você’. Ele responderia: ‘Quem não gostaria?’”.

Kier relatou ainda que conheceu Paul Morrissey em um avião e semanas depois recebeu o convite para interpretar Frankenstein em Andy Warhol’s Frankenstein. Em Berlim, conheceu Gus Van Sant durante a exibição de Mala Noche. “Ele disse: ‘Quero você no meu próximo filme com Keanu Reeves e River Phoenix (My Own Private Idaho)’. Ele me colocou no sindicato dos atores e me levou para os Estados Unidos. Gostei daqui, e é por isso que fiquei. Já são 30 anos”, contou.

Além de ator, Kier desenvolveu trabalho como dublador, incluindo participações em “Command & Conquer: Red Alert 2”, “Scooby-Doo! Mystery Incorporated”, “The Batman” e “Call of Duty: WWII”.

Fora das telas, ele sempre falou abertamente sobre sua homossexualidade. Em entrevista ao Bay Area Reporter, em 2021, ele afirmou que nunca ninguém perguntou sobre a sua sexualidade. “Talvez fosse óbvio, mas isso não fazia diferença, porque o que importava era o papel que eu estava interpretando. Enquanto eu fizesse um bom trabalho, ninguém se importava com a minha sexualidade.”

Sua trajetória foi tema de dois documentários exibidos pelo canal Arte: “ICH-UDO… der Schauspieler Udo Kier” (2012) e “Udo Kier – Dracula trash et dandy magnétique” (2024), este último lançado durante seu aniversário de 80 anos.

Editado por: Nathallia Fonseca

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