REAPROXIMAÇÃO

Em Moçambique, Lula recebe título de doutor honoris causa pela 42ª vez

Num retorno à África, presidente fecha acordos para educação, infraestrutura e segurança alimentar

Pela 42ª vez, Lula recebe o título de doutor honoris causa; dessa vez, em Moçambique
Pela 42ª vez, Lula recebe o título de doutor honoris causa; dessa vez, em Moçambique | Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (24) seu 42º título de doutor honoris causa, dessa vez pela Universidade Pedagógica de Maputo. O anterior, Lula recebeu na Malásia em outubro.

Ao receber o título, na capital de Moçambique, o presidente destacou que “não há democracia onde o povo não tem acesso ao conhecimento”.

Na ocasião, o mandatário também assinou nove acordos de cooperação com o país africano e lusófono, incluindo, para o combate à fome.

“Ninguém melhor do que o Brasil para contribuir, também, com a segurança alimentar de Moçambique. Com tecnologia adequada, é possível ampliar a produtividade da savana africana sem comprometer o meio ambiente”, disse Lula, que prometeu trabalhar para incluir o país africano entre os países contemplados para etapa de implementação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

Do outro lado, o presidente falou também sobre a necessidade investimento em infraestrutura. “Moçambique é um país em desenvolvimento, que ainda possui lacunas de infraestrutura a suprir. Seu crescimento depende de portos, estradas, usinas e linhas de transmissão. O Brasil tem empresas dinâmicas, com condições de contribuir”, disse em declaração à imprensa, ao lado do presidente de Moçambique, Daniel Chapo.

Lula disse querer recuperar a capacidade do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de financiar empresas brasileiras no exterior, beneficiando o próprio país e nações parceiras, como Moçambique.

A comitiva brasileira desembarcou em Maputo neste domingo (24), vindo de Joanesburgo, na África do Sul, onde Lula participou da Cúpula de Líderes do G20 – grupo das maiores economias do mundo.

Compromisso com a África

A viagem a Moçambique se insere nas comemorações de 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países , que também são parceiros no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O Ministério das Relações Exteriores ainda reforça que, ao assumir o terceiro mandato, em 2023, o presidente deixou claro que retomaria a relação com os países africanos como prioridade da política externa.

“O Brasil se perdeu por caminhos sombrios e, nesse processo, se esqueceu dos laços com a África. Muitas das sementes que havíamos lançado não tiveram tempo de vingar. Mas é hora de recobrar a consciência”, disse Lula se referindo ao apagão diplomático vivido na era Bolsonaro (2019- 2022). Em 2023 ele visitou África do Sul, Angola e São Tomé e Príncipe.

Em 2024, esteve no Egito e na Etiópia, bem como recebeu o presidente do Benin em visita oficial. E em 2025, já recepcionou os presidentes de Angola e Nigéria. Além disso, o Brasil sediou, em maio deste ano, uma reunião de ministros de agricultura.

Moçambique é o maior beneficiário da cooperação brasileira via Agência Brasileira de Cooperação (ABC) na África. Desde 2015, foram formalizadas 67 iniciativas em áreas como saúde, agricultura, educação e formação profissional.

Parcerias

Os países buscam ampliar o intercâmbio, evidenciado por um fórum empresarial recente. O volume de transações comerciais em 2024 foi de US$ 40,5 milhões (R$ 250 mi), com o Brasil vendendo US$ 37,8 mi em carne de aves, perfumes e móveis. Os US$ 2,7 milhões de exportações moçambicanas são essencialmente tabaco.

Com os acordos, o Brasil fortalecerá o complexo industrial de saúde para viabilizar a produção de fármacos e medicamentos em Moçambique. Em 2026, serão oferecidas até 80 vagas para ciências agrárias e até 400 vagas para curso técnico em agropecuária a moçambicanos, com reforço da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Lula destacou que o Brasil pode contribuir com a segurança alimentar de Moçambique através de tecnologia adequada para ampliar a produtividade da savana africana sem prejudicar o meio ambiente.

*Com Agência Brasil

Editado por: Luís Indriunas e Rodrigo Durao Coelho

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