Esportes

Maracanã é incluído em lista de vendas de imóveis do estado do RJ

Caso a venda se confirme, os ingressos poderão ficar ainda mais caros

No audio source provided.
Estádio do Maracanã
Estádio do Maracanã está entre os imóveis que podem ser vendidos pelo governo do estado para diminuir déficit orçamentário | Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu incluir o Estádio do Maracanã entre os imóveis públicos que o governador Cláudio Castro (PL) poderá vender para equilibrar as contas estaduais. Ainda não foi fixado um valor de venda, mas a previsão inicial é de que estaria próximo de R$ 2 bilhões.

A decisão foi confirmada em votação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na quarta-feira (19), e ainda precisa ser aprovada em plenário. Diante da quantidade de questionamentos colocados por deputados durante a votação, o deputado Rodrigo Amorim (União), defensor da venda, e presidente da CCJ, pediu para que uma audiência específica sobre o tema seja marcada, mas ainda sem data definida.

O valor é considerado muito baixo pela pesquisadora Leda Costa, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). “A venda já é absurda. E pelo preço que se pretende, é uma coisa criminosa”, diz.

:: Quer receber notícias do Brasil de Fato RJ no seu WhatsApp? ::

Desde 2024, a administração do Maracanã é de responsabilidade do consórcio Fla x Flu, sendo 65% de responsabilidade do Flamengo e 35% do Fluminense. Um contrato firmado por 20 anos.

“Da maneira que está incluído no projeto, sem nenhuma obrigação de uso, o Maracanã pode ser transformado naquilo que seu dono quiser. Se ele quiser fechar, ele fecha. Se ele quiser entregar para um clube, vai ser só um clube”, critica o deputado estadual Flávio Serafini (Psol).

Colocado como um possível comprador e principal responsável pelo consórcio atual, o Flamengo não retornou o pedido de entrevista da reportagem. Já o governo do estado diz que aguardará as decisões da Alerj para avaliar quais imóveis serão colocados ou não à venda.

Ingressos cada vez mais caros

A previsão da pesquisadora da Uerj é que, caso o estádio seja vendido, os ingressos fiquem cada vez mais caros.

Ela lembra que quando o Maracanã foi inaugurado, em 1950, ele era destinado a 200 mil pessoas, hoje cabem apenas 70 mil e a maioria é destinada a sócios torcedores.

“Embora houvesse divisão de acesso, tinha as arquibancadas mais baratas e as mais caras, ainda assim, era um estádio que a gente poderia considerá-lo como popular”, avalia.

Ela acrescenta que esse processo de elitização foi agravado já na decisão de entregar a administração para o consórcio Fla x Flu.

“O caráter popular que o Maracanã tinha se perdeu definitivamente com a realização desse consórcio e a entrega do Maracanã para que dois clubes o administrem”, explica Costa.

“Isso se reflete, por exemplo, na dificuldade que o Vasco tem de jogar lá e nas lutas para que se haja jogos em que exista maior participação do público de um modo geral [além de sócios torcedores”, completa.

Sem dinheiro

A decisão de colocar imóveis públicos à venda partiu do governador Cláudio Castro em agosto de 2025 após a elaboração do orçamento para 2026 e constatar que as despesas do governo superam em R$ 19 bilhões a previsão de arrecadação.

A primeira lista continha 46 imóveis. Diante de manifestações contrárias, 16 imóveis foram retirados. No entanto, outros endereços foram incluídos e hoje somam 75 imóveis.

O deputado Flávio Serafini reconhece a situação de crise financeira do estado, mas aponta que o sufoco argumentado por Castro está super dimensionado.

O primeiro motivo é o valor da dívida com a União que deverá ser repassado em 2026. O governo estadual aponta que serão necessários R$ 12 bilhões. No entanto, já há uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que fixa o pagamento da dívida em até R$ 5 bilhões. E, de acordo com o deputado, pode ser ainda menor caso haja adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

O Programa de renegociação da dívida do governo federal com os estados prevê uma série de abatimentos e diminuição de juros, caso haja participação. Para Serafini, não há necessidade de realizar um “saldão” com imóveis importantes para o Estado.

Editado por: Vivian Virissimo

|

Newsletter