A Rússia realizou um ataque aéreo com drones e mísseis contra Kiev e seus arredores na madrugada desta terça-feira (25), matando pelo menos nove pessoas. De acordo com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, as forças russas atacaram a Ucrânia com 22 mísseis de vários tipos, incluindo mísseis aerobalísticos, e mais de 460 drones.
As Forças Armadas da Rússia emitiram um comunicado protocolar confirmando o ataque, mas alegam que os alvos eram “instalações do complexo militar-industrial e energético ucraniano”, bem como “locais de armazenamento de veículos aéreos não tripulados de longo alcance”.
Já a Ucrânia também realizou um ataque contra a cidade russa de Taganrog, no sul do país, onde três moradores locais teriam sido mortos. De acordo com o Ministério da Defesa russo, 250 drones ucranianos foram abatidos durante a noite.
Os ataques acontecem em meio às negociações sobre o novo plano de paz apresentado pelos EUA para encerrar o conflito. Após ser revelado o planode 28 pontos, visto como favorável à Rússia, negociações entre a UE e a Ucrânia fizeram adaptações ao texto, que teria sido reduzido para 19 pontos.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, declarou nesta terça-feira (25) que a Europa não aproveitou a oportunidade de contribuir para a resolução da crise na Ucrânia.
“Quando eles dizem agora: ‘Não ousem fazer nada sem nós’, vocês tiveram suas chances, pessoal, mas não as aproveitaram; simplesmente as desperdiçaram”, disse o ministro a repórteres.
O chanceler observou também que a Rússia valoriza a posição dos EUA. Segundo ele, é o único país ocidental a tomar a iniciativa na resolução do conflito.
“Aqueles que tentam orquestrar a propaganda em torno do plano de paz, no entanto, querem minar os esforços do presidente dos EUA, Donald Trump, e reescrever o plano à sua maneira. Enquanto isso, Moscou espera que Washington entregue a versão do documento que considera provisória, em coordenação com Bruxelas e Kiev”, acrescentou.
Foi informado também que Moscou recebeu o plano de 28 pontos de Trump, mas “por canais não oficiais”. A Rússia ainda não recebeu a versão “especulada pela mídia” dos Estados Unidos. Após as negociações entre Ucrânia e União Europeia no último domingo, foi veiculado por diversas agências de notícias que o documento habia sofrido uma redução para 19 pontos.
Nesta terça-feira (25), o secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, Rustem Umerov, que participou de conversas com representantes dos EUA em Genebra no último fim de semana, declarou que Kiev espera que “a visita do presidente ucraniano aos EUA seja organizada o mais breve possível em novembro” para concluir as “etapas finais” da elaboração de um acordo para pôr fim à guerra.
Umerov acrescentou que as delegações de Kiev e Washington já chegaram a um acordo sobre os termos principais do acordo. Ele esclareceu que a Ucrânia conta com o apoio de seus parceiros europeus “nas próximas etapas”.
Quais são os termos do plano de paz?
Inicialmente, o plano de paz de 28 pontos estabelecia o reconhecimento da Crimeia, Donetsk e Lugansk como territórios russos de facto, e a divisão das regiões de Kherson e Zaporizhzhia na atual linha de frente.
Entre os termos dedicados à situação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o plano prevê que seja realizado um diálogo entre a Rússia e a aliança militar ocidental, mediado pelos EUA, para resolver todas as questões de segurança e criar condições para a redução da escalada, “a fim de garantir a segurança global e ampliar as oportunidades de cooperação e desenvolvimento econômico futuro”.
O documento propõe a limitação das Forças Armadas da Ucrânia a 600 mil militares e estabelece que o país receberá “garantias de segurança confiáveis”. No entanto, o plano não dá detalhes como seriam estas garantias, apenas afirma que, se Moscou invadir a Ucrânia novamente, além de uma “resposta militar robusta e coordenada”, todas as sanções contra o país serão restabelecidas.
Ao mesmo tempo, a proposta estabelece que a Ucrânia concorda em consagrar em sua Constituição que não ingressará na Otan, e a organização concorda em incluir em sua carta uma cláusula declarando que a Ucrânia não será admitida [na aliança] no futuro.
Nesta terça-feira (25), de acordo com uma publicação da ABC News, o plano de paz revisado para a guerra russo-ucraniana excluiu disposições sobre a redução do tamanho das Forças Armadas da Ucrânia e a concessão de anistia total para ambos os lados por suas ações durante o conflito.
Já a agência Bloomberg relatou que a nova versão do plano também omite a disposição sobre a alocação de US$ 100 bilhões em ativos russos congelados para programas de reconstrução na Ucrânia e o recebimento de 50% dos lucros dessa operação pelos Estados Unidos.
Inicialmente, o plano também sugeria que Moscou seja gradualmente reintegrada à economia internacional com uma parcial suspensão das restrições econômicas. A reabilitação da economia russa no cenário mundial contaria com um convite para Moscou se reintegrar ao G8.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, por sua vez, nesta terça-feira (25) rechaçou a ideia de que a Rússia reintegre o chamado G8. Segundo ele, isto “definitivamente não deve” acontecer: “Não podemos voltar à normalidade… como é que nós podemos imaginar isso?”, disse.
Enquanto isso, o secretário do Exército dos EUA, Daniel Driscoll, viajou para Abu Dhabi nos dias 24 e 25 de novembro, onde se reuniu com representantes russos para discutir um acordo de paz. O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, afirmou que o plano de paz de Trump é o único documento “substantivo” que poderia servir de base para negociações que visem o fim da guerra na Ucrânia.
