A partir desta quinta-feira (27), Brasília recebe a 15ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos. O evento ocorre no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) até domingo (30) e pauta discussões sobre emergência climática, justiça socioambiental e povos tradicionais.
Com o tema “Direitos Humanos e Emergência Climática: rumo a um futuro sustentável”, a mostra gratuita traz produções que aproximam o público das dimensões humanas da crise.
A coordenadora geral de Cultura em Direitos Humanos e Mídias Digitais do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Miriam Alves, afirma que a crise que afeta o Brasil como um todo. Nesse contexto, o audiovisual se torna uma ferramenta capaz de sensibilizar, informar e mobilizar.
“Dessa forma podemos fazer uma reflexão crítica sobre o meio ambiente, sobre os efeitos dos desastres climáticos e sobre a atuação dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais na defesa dos direitos humanos e do meio ambiente”, diz.
Cultura e direitos humanos
Promovida pelo MDHC, a Mostra de Cinema e Direitos Humanos se consolidou como uma das iniciativas mais importantes do país na articulação entre cultura, direitos humanos e formação cidadã.
Em 2025, a programação apresenta obras dirigidas majoritariamente por cineastas indígenas, quilombolas, ribeirinhos e realizadores independentes, que trazem perspectivas próprias sobre território, memória, ancestralidade e resistência.
Os filmes abordam desde crimes socioambientais, como o colapso urbano provocado pela mineração na cidade de Maceió, até disputas por terra no Pará, violações sofridas por comunidades originárias e experiências de enfrentamento de contaminações por agrotóxicos.
Criada há quase duas décadas para celebrar o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Mostra se tornou uma ferramenta de democratização cultural. Ao promover debates, sessões acessíveis em Libras, legendagem para surdos e ensurdecidos e programação voltada para diferentes faixas etárias, a iniciativa amplia o acesso ao cinema e à educação em direitos humanos em todas as regiões do país.
Olhares indígenas
A cineasta Sueli Maxakal liderança Tikmũ’ũn, que há décadas constrói um cinema profundamente conectado à espiritualidade e aos modos de vida de seu povo, é a homenageada deste ano.
Seu longa mais recente, o premiado “Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá”, abre a programação da Mostra na quinta (27) em todas as capitais participantes. A obra retrata a busca de Sueli por seu pai separado da família durante a ditadura militar, conectando ancestralidade, memória e processos de violência histórica ainda presentes.

Para Miriam Alves, a escolha reforça o compromisso com vozes tradicionalmente silenciadas e a importância de divulgar cineastas negros, indígenas, quilombolas e defensores dos direitos humanos.
“A mostra leva para o público produções que estão fora do grande circuito comercial, permitindo que mais pessoas tenham acesso a narrativas que revelam a complexidade e a diversidade do Brasil”, afirma a coordenadora.
Além das exibições, a mostra promoveu, no início de novembro, uma oficina sobre cinema, educação e direitos humanos, voltada a educadores, comunicadores e agentes culturais em Brasília.
A atividade se insere no Plano Nacional de Educação e Cultura em Direitos Humanos, que tem como objetivo levar educação popular para um público diversificado, democratizando o acesso à cidadania.
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Confira a programação completa:
Quinta-feira (27)
18h – Sessão de abertura
Classificação indicativa: 12 anos
- Coffee break
- Solenidade
- Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá (2024, 90’) – MG/MS
Direção: Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna
Sexta-feira (28)
14h – Sessão infantil 1
Classificação indicativa: Livre
- Amazônia sem Garimpo (2022, 6’34”) – RJ
Direção: Tiago Carvalho e Julia Bernstein - No início do Mundo (2025, 7’46”) – CE
Direção: Camilla Osório - Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa (2025, 90’) – SP
Direção: Fernando Fraiha
18h30 – Sessão Nego Bispo (Terra) + debate
Classificação indicativa: 12 anos
- Eu sou Raiz (2022, 7’) – PE
Direção: Cíntia Lima e Lílian de Alcântara - Ainda Há Moradores Aqui (2025, 42’50”) – AL
Direção: Tiago Rodrigues - Pau D’Arco (2025, 89’) – PA
Direção: Ana Aranha
Sábado (29)
14h – Sessão infantil 2 + debate
Classificação indicativa: Livre
- Ga vī: a voz do barro (2021, 10’40”) – PR
Direção: Ana Letícia Meira Schweig, Angélica Domingos, Cleber Kronun de Almeida,
Eduardo Santos Schaan, Geórgia de Macedo Garcia, Gilda Wankyly Kuita, Iracema Gãh
Té Nascimento, Kassiane Schwingel, Marcus A. S. Wittmann, Nyg Kuita, Vini Albernaz - Òsányìn: O segredo das folhas (2021, 22’) – AL/BA/RJ
Direção: Pâmela Peregrino - Do Colo da Terra (2025, 75’) – MG/MS/AM
Direção: Renata Meirelles e David Vêluz
18h30 – Sessão Antônia Melo (Águas) + debate
Classificação indicativa: 10 anos
- Kutala (2025, 5’) – MG
Direção: Fabio Martins e Quilombo Manzo - Rio de Mulheres (2009, 21’) – MG
Direção: Cristina Maure e Joana Oliveira - Cerrado, Coração das Águas: Conexão Caatinga (2025, 16’46”) – GO/TO/DF/MT
Direção: Fellipe Abreu e Luis Felipe Silva - As Lavadeiras do Rio Acaraú transformam a embarcação em nave de condução (2021, 12’) – CE
Direção: Kulumym-Açu - Volta Grande (2020, 27’) – PA
Direção: Fábio Nascimento - Rua do Pescador, Nº 6 (2025, 72’) – RS
Direção: Bárbara Paz
Domingo (30)
15h – Sessão Raoni (Floresta) + debate
Classificação indicativa: 14 anos
- SUKANDE KASÁKÁ | Terra Doente (2025, 30’) – MT
Direção: Kamikia Kisedje, Fred Rahal - Faísca (2025, 12’) – CE
Direção: Barbara Matias Kariri - Grão (2020, 16’) – MG
Direção: Adriana Miranda - Curupira e a Máquina do Destino (2021, 25’) – AM
Direção: Janaína Wagner
19h – Sessão de encerramento
Classificação indicativa: 12 anos
- Sede de Rio (2024, 72’) – BA
Direção: Marcelo Abreu Góis

