Guerra da Ucrânia

Trump diz que plano de paz foi reduzido para 22 pontos; Kremlin pede ‘cautela’

Enviado do presidente dos EUA, Stephen Witkoff, viajará a Moscou para discutir o plano de paz com Vladimir Putin

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Presidente dos EUA, Donald Trump
Presidente dos EUA, Donald Trump | Crédito: Jim Watson/AFP

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (26) que o plano de paz para a guerra da Ucrânia foi reduzido de 28 para 22 pontos. Em conversa com jornalistas a bordo do Air Force One, Trump disse que o acordo inicialmente apresentado não era um plano definitivo.

“Aquilo não era um plano. Era uma concepção. E a partir daí, eles (negociadores) pegaram cada um dos 28 pontos e reduziram para 22. Uma solução foi encontrada para muitos deles e, na verdade, uma solução muito favorável. Veremos o que acontece”, disse Trump.

O presidente dos EUA também falou sobre a necessidade de concessões territoriais por parte da Ucrânia, citando os avanços da Rússia na frente de batalha.

“Vejam como as coisas estão indo: se vocês observarem, tudo está caminhando em uma única direção [na frente de batalha]. Então, no fim das contas, essa terra pode ser tomada pela Rússia nos próximos meses de qualquer maneira. Vocês querem lutar e perder mais 50 mil a 60 mil pessoas? Ou querem fazer algo agora?”, questionou Donald Trump.

Segundo Trump, seu enviado especial, Stephen Witkoff, viajará a Moscou na próxima semana para discutir o plano de paz com o presidente russo, Vladimir Putin. Ele sugeriu que seu genro, Jared Kushner, que participa das negociações de paz, também poderá viajar a Moscou.

Após as negociações em Genebra, em 23 de novembro, os EUA e a Ucrânia elaboraram uma versão atualizada do plano de paz.

Inicialmente, o plano de paz de 28 pontos estabelecia o reconhecimento da Crimeia, Donetsk e Lugansk como territórios russos de fato, e a divisão das regiões de Kherson e Zaporizhzhia na atual linha de frente.

O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, ao comentar as perspectivas da resolução do conflito ucraniano, pediu cautela na avaliação do prazo para o fim da guerra. Em conversa com repórteres, respondeu se os dois lados estavam realmente perto de concluir um acordo de paz.

“Esperem. É prematuro dizer isso”, comentou o porta-voz do Kremlin.

De acordo com Peskov, o desenvolvimento do plano de paz está “em andamento” e acrescentou que trata-se de “um processo sério”.

“[O presidente Vladimir] Putin acaba de dizer que informará [o presidente bielorrusso Alexander] Lukashenko sobre o andamento desta questão. No momento, provavelmente não há nada mais importante do que isso”, disse Peskov.

O presidente russo, Vladimir Putin, se reuniu com Lukashenko nesta quarta-feira (26). O líder bielorrusso propôs que a Rússia realize negociações de paz na capital bielorrussa de Minsk.

Possíveis termos do plano de paz

Sobre a relação com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o plano, que está sendo negociado, prevê que seja realizado um diálogo entre a Rússia e a aliança militar ocidental, mediado pelos EUA, para resolver todas as questões de segurança e criar condições para a redução da escalada, “a fim de garantir a segurança global e ampliar as oportunidades de cooperação e desenvolvimento econômico futuro”.

O documento prevê a limitação das Forças Armadas da Ucrânia a 600 mil militares e estabelece que o país receberá “garantias de segurança confiáveis”. No entanto, o plano não dá detalhes de como seriam estas garantias, apenas afirma que, se Moscou invadir a Ucrânia novamente, além de uma “resposta militar robusta e coordenada”, todas as sanções contra o país serão restabelecidas.

Ao mesmo tempo, a proposta estabelece que a Ucrânia deve concordar em consagrar em sua Constituição que não ingressará na Otan, e a organização deve concordar com uma cláusula declarando que a Ucrânia não será admitida [na aliança] no futuro.

No entanto, na última terça-feira (25), informações veiculadas na ABC News indicavam que o plano de paz revisado para a guerra russo-ucraniana excluiu disposições sobre a redução do tamanho das Forças Armadas da Ucrânia e a concessão de anistia total para ambos os lados por suas ações durante o conflito.

Já a agência Bloomberg relatou que a nova versão do plano também omite a disposição sobre a alocação de US$ 100 bilhões em ativos russos congelados para programas de reconstrução na Ucrânia e o recebimento de 50% dos lucros dessa operação pelos Estados Unidos.

Inicialmente, o plano também sugeria que Moscou seja gradualmente reintegrada à economia internacional com uma parcial suspensão das restrições econômicas. A reabilitação da economia russa no cenário mundial contaria com um convite para Moscou se reintegrar ao G8.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, por sua vez, nesta terça-feira (25) rechaçou a ideia de que a Rússia reintegre o chamado G8. Segundo ele, isto “definitivamente não deve” acontecer: “Não podemos voltar à normalidade… como é que nós podemos imaginar isso?”, disse.

Enquanto isso, o secretário do Exército dos EUA, Daniel Driscoll, viajou para Abu Dhabi nos dias 24 e 25 de novembro, onde se reuniu com representantes russos para discutir um acordo de paz. O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, afirmou que o plano de paz de Trump é o único documento “substantivo” que poderia servir de base para negociações que visem o fim da guerra na Ucrânia.

Editado por: Luís Indriunas

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