GERAÇÃO DE RENDA

Feira Estadual da Economia Solidária amplia duração e ocupa centro de Porto Alegre

Evento projeta 600 mil visitantes entre 1º e 13 de dezembro com produtos de 300 empreendimentos gaúchos

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Edição de 2025 vai ampliar presença no Largo Glênio Peres com empreendimentos de diversas regiões do estado
Edição de 2025 vai ampliar presença no largo Glênio Peres com empreendimentos de diversas regiões do estado | Crédito: Divulgação/Fetraf-RS

Ao longo de treze dias, entre 1º e 13 de dezembro, o largo Glênio Peres se transforma novamente em um corredor de múltiplos sotaques, práticas produtivas e histórias coletivas. É a 27ª Feira Estadual da Economia Solidária, que volta ao coração de Porto Alegre, dessa vez com uma proposta ampliada.

Pela primeira vez, o evento tradicionalmente realizado em uma semana estende-se por duas, ocupando o Centro Histórico com artesanato, confecções, alimentos da agricultura familiar e produtos das agroindústrias. A iniciativa busca aumentar o tempo de visitação em um período de grande procura por presentes de fim de ano, incentivando também que o público leve suas próprias sacolas como forma de reduzir o uso de plástico.

A estimativa de 600 mil visitantes projeta uma circulação intensa, impulsionada pelo fluxo diário da região e pela diversidade de produtos. Mais de 300 empreendimentos de todas as regiões gaúchas estarão representados ao longo de 84 estandes que reúnem cerca de 160 expositores, responsáveis por itens autorais e exclusivos, especialmente nas áreas de artesanato e confecção. A organização destaca que a venda direta tem se fortalecido entre consumidores que buscam produção local e relações de proximidade com quem fabrica.

Abertura com anúncio de políticas e renovação de conselhos

A cerimônia oficial que abre a feira ocorre na terça-feira (2), às 9h30, com atividades culturais e um desfile de produtos que colocam em evidência a diversidade dos expositores. A tomada de posse do Conselho Estadual de Economia Solidária marca o início do evento e simboliza a continuidade da articulação política do setor no estado. A presença do Secretário Nacional de Economia Solidária, Gilberto Carvalho, reforça essa dimensão. Ele deverá anunciar novas políticas federais voltadas ao apoio e à expansão dos empreendimentos autogestionados, conforme a organização da feira.

Para Nelsa Nespolo, presidente da União dos Empreendimentos Solidários (Unisol-RS), entidade responsável pela realização do evento, esse tipo de espaço cumpre papel essencial para a sobrevivência e o crescimento dos empreendimentos. A dirigente avalia que as feiras aproximam quem produz e quem consome, fortalecem economias locais e ampliam a valorização da diversidade cultural e das práticas coletivas. Para ela, a comercialização direta é uma ferramenta que contribui para a sustentabilidade das iniciativas ao manter os recursos dentro das comunidades.

A análise é compartilhada pelo pesquisador Ademar Marques, integrante do Fórum Gaúcho de Economia Solidária, que relaciona a expansão desses eventos a uma tendência internacional. Ele considera que a economia solidária se apresenta como alternativa concreta de inclusão social e desenvolvimento sustentável. Segundo a leitura de Marques, a autogestão e a cooperação destacam-se como elementos que impulsionam microeconomias, mantêm renda nas localidades e fortalecem a transição ecológica com justiça social.

Produtos que carregam identidade e história

Entre os corredores da feira, a diversidade material vão refletir a variedade de trajetórias que compõem o setor. Artesanato e confecção assumem protagonismo com peças únicas e processos produtivos que resgatam técnicas tradicionais, exploram a criação autoral e apostam em materiais reaproveitados. Representantes de cooperativas veem nessa característica um diferencial que atrai consumidores em busca de presentes com identidade própria e impacto direto sobre a renda das famílias produtoras.

A ampliação da feira para duas semanas também responde à necessidade de dar maior visibilidade a essa produção. Em um cenário de competição com artigos industrializados, sobretudo no período das festas de fim de ano, a organização aposta que o contato direto com os produtores reforça a decisão de compra e contribui para fidelizar o público.

Dois dias de debates sobre o presente e o futuro do setor

Além da comercialização, a feira sedia um seminário que integra formação política, reflexão sobre conjuntura e planejamento coletivo. Realizado no auditório do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers), na Avenida Alberto Bins, o encontro propõe dois eixos de discussão. Na segunda-feira (1), autoridades e lideranças debatem a força da economia solidária no cenário local e nacional. Participam dessa rodada o secretário nacional Gilberto Carvalho, a presidente da Unisol-RS, representantes do Instituto Paul Singer e integrantes do Fórum Gaúcho de Economia Solidária.

Na segunda-feira da semana seguinte (8), a pauta se volta ao horizonte político do país em 2026, reunindo o presidente da Conab, Edegar Pretto (PT), a deputada federal Maria do Rosário (PT), o presidente da Assembleia Legislativa, Pepe Vargas (PT), e professores do Instituto Federal do Rio Grande do Sul. Todos têm atuação ligada à defesa e ao fortalecimento dos empreendimentos solidários, reconhecendo o papel das feiras como instrumento de sobrevivência, visibilidade e formação.

A programação formativa ocorre em um contexto marcado pelos eventos climáticos extremos de 2024, que afetaram diversas regiões do estado e comprometeram a renda de produtores. Para os organizadores, fortalecer o circuito econômico solidário, ampliar a formação dos expositores e incentivar o consumo consciente são estratégias fundamentais para recuperar iniciativas impactadas.

Uma construção que chega às quase três décadas

Desde sua criação, a Feira Estadual da Economia Solidária acompanha a evolução do setor no Rio Grande do Sul e se consolida como um dos principais espaços de diálogo, visibilidade e comercialização. Os quase 30 anos de existência do evento refletem a construção coletiva entre cooperativas, associações, grupos produtivos e organizações da sociedade civil que defendem modelos alternativos de desenvolvimento.

Ao ocupar o Largo Glênio Peres — um dos espaços públicos mais emblemáticos da capital —, a feira reafirma o papel da economia solidária na geração de renda, na preservação de tradições culturais e na dinamização das economias locais. Em um período de grandes desafios econômicos e ambientais, torna-se também uma oportunidade de fortalecer cadeias produtivas regionais e ampliar a presença do setor na agenda pública.

Editado por: Marcelo Ferreira

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