Tragédia

Número de mortos em incêndio de Hong Kong chega a 146

Total de vítimas foi revisto após inspeção em mais três torres das oito que compõem complexo residencial

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Policiais trabalham para identificar vítimas após incêndio em Hong Kong
Foto divulgada pela Polícia de Hong Kong mostra agentes trabalhando, em 30 de novembro, para identificar vítimas do incêndio | Crédito: Hong Kong Police Force/AFP

O número de mortos no incêndio que atingiu o complexo residencial Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, em Hong Kong, subiu para 146, segundo informações divulgadas neste domingo (30) pela polícia local. Em entrevista coletiva, o representante Tsang Shuk-yin disse que não descarta a possibilidade de encontrar mais corpos. As informações são da agência de notícias AFP.

A polícia encontrou mais corpos nos apartamentos, em escadas, nos corredores e até nos tetos de três edifícios. Das 146 vítimas, 54 ainda não foram identificadas, e são dezenas de feridos, sendo 14 em situação crítica, segundo autoridades médicas informaram à AFP.

O total de vítimas foi alterado após a inspeção de mais três torres das oito que compõem o complexo residencial. Wang Fuk Court é composto por oito torres residenciais de 31 andares, com 1.984 apartamentos, e vinha passando por reformas desde julho de 2024, estando coberto por andaimes de bambu e malhas verdes.

Segundo investigação preliminar, as autoridades descobriram isopor altamente inflamável revestindo janelas de elevadores em todos os andares, material que causou a rápida propagação do fogo dentro dos blocos e a ignição de apartamentos por meio dos corredores.

A malha de rede e o revestimento usados no exterior dos edifícios também não atendiam aos padrões de segurança contra incêndio, segundo informaram as autoridades no dia 26 de novembro.

Dados da Universidade de Leuven (Bélgica) apontam que este foi o incêndio em um edifício com mais mortos desde 1980 em todo o mundo, excluindo os ocorridos em casas noturnas, prisões ou centros comerciais.

Investigação

Uma comissão governamental anunciou, na sexta-feira (28), a detenção de oito pessoas por supostos atos de corrupção no mercado de reformas: dois diretores do escritório de estudos para reformas, dois chefes de obra, três pessoas terceirizadas da área de andaimes e um intermediário. No sábado (29), mais três pessoas foram detidas como parte da investigação.

A imprensa local também informou no sábado a detenção de Miles Kwan, um estudante de 24 anos que, ao lado de outras pessoas, promoveu uma petição para exigir a responsabilização de autoridades pelo incêndio com maior número de mortos no território desde 1948. A petição online, que havia reunido mais de 10 mil assinaturas em menos de um dia, foi removida. A AFP tentou, sem sucesso, entrar em contato com o estudante.

Acolhimento

O distrito de Tai Po estabeleceu oito abrigos temporários para acomodar os residentes evacuados, onde quase 200 pessoas foram mobilizadas para fornecer o apoio necessário aos afetados pelo fogo. Moradores de Hong Kong têm enviado suprimentos aos abrigos e muitos têm se voluntariado para ajudar no registro das pessoas afetadas e na distribuição de suprimentos de emergência.

Sob orientação do Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado, foi criada uma força-tarefa de emergência para fornecer o apoio necessário ao governo da Região Administrativa Especial (RAE) de Hong Kong.

O presidente chinês Xi Jinping enviou condolências na quarta-feira à noite após o incêndio mortal. Xi pediu “esforços totais” para minimizar as perdas. O mandatário instruiu o Escritório de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comitê Central do Partido Comunista da China e o Escritório de Ligação do Governo Popular Central em Hong Kong a apoiarem o governo da RAE de Hong Kong em todos os esforços para apagar o fogo, fazer tudo o que for possível nas operações de busca e resgate, tratar os feridos e confortar as famílias das vítimas.

Com informações da AFP

Editado por: Rafaella Coury

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