Sabatina no Senado

Apesar de ‘pirotecnia’ prevista para sabatina, Messias deve ser aprovado no STF, avalia cientista político

Para Paulo Roberto de Souza, indicação tende a avançar mesmo com pressão de Alcolumbre; entrevista será no dia 10

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) | Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Em meio ao desconforto do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), o cientista político Paulo Roberto de Souza avalia que a sua aprovação é o cenário mais provável. A sabatina está marcada para o próximo dia 10 e ocorre após Alcolumbre divulgar uma nota criticando “setores do Executivo” e reclamar de ter sido surpreendido pela escolha de Messias para a vaga aberta com a aposentadoria do ex-ministro Luís Roberto Barroso.

Segundo o analista, o movimento no Senado tende a seguir o padrão histórico. “A tendência é que Jorge Messias tenha sua indicação aprovada. Tudo indica. Novas informações que já saíram de ontem para hoje sugerem que Jorge Messias vai se tornar ministro do STF”, afirmou. Ele aponta que o perfil do indicado, que dialoga com setores evangélicos, reduz resistências inclusive na oposição.

Para Souza, a sabatina deve ser marcada pela cobrança de parlamentares conservadores em torno de temas de comportamento. “A tendência é que ele seja inquirido sobre essas questões por senadores evangélicos, da extrema direita, uns mais alterados, outros menos, mas que vão pedir posicionamentos muito claros sobre questões relacionadas a aborto, gênero e sexualidade”, disse. Nessas pautas, ele acredita que Messias “tende a apresentar uma posição mais conservadora”.

O cientista político prevê que o embate na sabatina seja estridente, mas não deve alterar o desfecho. “Não se assuste com toda a pirotecnia que deve acontecer na entrevista dele [Messias] com o Senado. Isso vai acontecer, faz parte do jogo”, afirmou. Mesmo assim, “a tendência é que o Jorge Messias seja indicado”, reforçou.

Pressão de Alcolumbre e recado do Centrão

Roberto de Souza avaliou que a reação de Alcolumbre, que esperava ver o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) indicado para a vaga, extrapolou o tom. “Alcolumbre teve uma postura um tanto quanto surpreendente. Parece uma pressão muito fora do tom quando ele sugere que Jorge Messias pode não ser indicado para o STF”, afirmou.

Para ele, o episódio não se explica apenas por disputas pessoais. “Isso também passa por um governo federal que deu tamanha autonomia à Polícia Federal, que avança cada vez mais para cima de esquemas que provavelmente devem implicar dia após dia setores do Centrão”, analisou. A nota do presidente do Senado, diz o pesquisador, “parece também um recado que não é só de Alcolumbre, mas um recado do próprio Centrão de que talvez as coisas precisem ser mais controladas nesse sentido”.

E se Lula tiver novas vagas?

Diante do debate sobre representatividade e a demanda por uma ministra negra no STF, Souza analisou que essa possibilidade só se abriria em um eventual novo mandato. “Essa primeira cadeira é do Centrão. E aí, sim, a segunda cadeira tende a ser uma cadeira de caráter mais progressista, mais amplo”, apontou.

Ele diz que o padrão das indicações mudou no período recente, de escolhas fortemente pessoais dos presidentes para uma lógica mais alinhada à correlação política do momento. “Agora nós voltamos para essas indicações de caráter mais político-ideológico, ou seja, elas passam a ser um pouco mais previsíveis dentro dos contextos que estão se desenrolando”, pontuou.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Nathallia Fonseca

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