O presidente russo, Vladimir Putin, declarou nesta terça-feira (2) que a Rússia não tem a intenção de entrar em guerra com a Europa, mas disse que Moscou está “pronta agora mesmo”, caso o bloco europeu tome o primeiro passo.
A declaração aconteceu durante uma participação na sessão plenária do fórum de investimentos do Banco VTB “Rússia Chama!”, no qual o presidente russo falou sobre o atual estágio do conflito com a Ucrânia.
“Não temos intenção de entrar em guerra com a Europa; já disse isso centenas de vezes. Mas se a Europa de repente decidir lutar contra nós e começar, estamos prontos agora mesmo”, pontuou o líder russo.
Ao responder perguntas de jornalistas, Putin também destacou que, se a Europa decidir entrar em conflito com a Rússia e de fato desencadear uma guerra, poderá surgir rapidamente uma situação em que Moscou simplesmente “não terá com quem negociar”.
O presidente russo também aproveitou para falar da situação no campo de batalha, que, de acordo com ele, vem sendo conduzida pela Rússia “de forma cirúrgica”.
Putin afirmou que os europeus “não têm uma agenda de paz” e que todas as suas ações visam unicamente bloquear o processo de paz. Além disso, o presidente russo sugeriu que Moscou poderia concordar com a inclusão dos europeus nas negociações “se eles retornarem à realidade que se desenrola no terreno”.
Nos últimos dias, durante uma reunião entre Putin e o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Russas, Valery Gerasimov, Moscou relatou o cerco a grandes cidades do leste da Ucrânia. Na segunda-feira (1º), o Kremlin anunciou a tomada de controle da cidade de Pokrovsk, na região de Donetsk, e que representa um importante centro de transportes, industrial e cultural da região de Donbass.
Por outro lado, o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia negou a queda de Pokrovsk, classificando o hasteamento da bandeira russa no território, divulgado por Moscou, como uma “ilustração de propaganda”.
O major Andrei Kovalev, porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, afirmou que as tropas ucranianas continuam lutando dentro dos limites da cidade de Pokrovsk.
Ataque ucraniano na costa da Turquia
A Ucrânia, por sua vez, realizou em 29 de novembro um ataque ataque com drones contra um navio petroleiro russo na costa da Turquia, provocando um incêndio em parte da embarcação. Todos os tripulantes foram evacuados.
O ministro turco dos Transportes e Infraestrutura, Abdülkadir Uraloğlu, não descartou a possibilidade de que ambos os incidentes tenham sido resultado de interferência externa. Segundo ele, os petroleiros que pegaram fogo na costa do Mar Negro podem ter sido explodidos por minas, drones ou mísseis.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, por sua vez, atribuiu os ataques às Forças Armadas da Ucrânia e classificou-os como “um incidente ultrajante” e um ataque à soberania turca.
“Este é um ataque à soberania da República da Turquia. Este é um ataque à segurança e à propriedade dos proprietários dessas embarcações”, enfatizou o porta-voz.
Já o presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta terça-feira (2) que classifica os ataques a petroleiros no Mar Negro como atos de “pirataria” e ameaçou expandir os ataques da Rússia a portos ucranianos e navios que neles atracassem no Mar Negro.
Segundo ele, “a Rússia poderia isolar a Ucrânia do mar se Kiev continuar com a pirataria contra navios russos”. “Espero que a liderança militar ucraniana, a liderança política e aqueles que a apoiam considerem se vale a pena continuar com essa prática”, completou o presidente russo.
