O que começou como uma pesquisa sobre o descarte de resíduos domésticos em sala de aula se transformou em um movimento ativo de conscientização e mudança na zona rural de Novo Hamburgo, no bairro Lomba Grande.
A campanha “Do Lixo ao Luxo” é o resultado do Projeto Criando Ações Sustentáveis com Arte, Educação Ambiental e Comunicação, desenvolvido por jovens alunos em parceria entre o Ponto de Cultura Associação Cantalomba e o Instituto Estadual Madre Benícia, com apoio do Fundo Social Sicredi Pioneira.
Segundo Maria Suziane Gutbier, uma das idealizadoras do projeto e integrante da Associação Cantalomba, a iniciativa propôs um olhar crítico e participativo sobre a realidade ambiental do bairro rural de Novo Hamburgo. “O objetivo central do projeto, que ocorreu entre agosto e novembro, era compreender os problemas locais de destinação dos resíduos e, a partir disso, criar ações que promovessem melhorias, qualificando os alunos para o exercício da cidadania”, explica.
Diagnóstico revela desafio na reciclagem

A primeira etapa do trabalho foi um diagnóstico realizado com os próprios estudantes, das turmas 91, 92 e 93, que investigaram os hábitos de separação de resíduos em suas casas. O resultado revelou um cenário preocupante: 46% dos lares não realizam qualquer separação entre resíduos úmidos/compostáveis e recicláveis; 33% dos lares separam resíduos apenas na cozinha; Apenas 15% dos lares fazem a separação em todos os cômodos.
Conforme a educadora, os dados chamaram a atenção por se tratar de um bairro rural, onde a maioria dos imóveis teria condições de separar e compostar os resíduos orgânicos no próprio local, como em casas com terrenos ou sítios. “Mais preocupante ainda foi a constatação de que muitos jovens, inicialmente, não se sentiam diretamente afetados pelo problema do descarte incorreto de resíduos.”
Da pesquisa à ação e propostas concretas
Com o diagnóstico em mãos, o projeto avançou para oficinas de comunicação e arte, culminando na campanha “Do Lixo ao Luxo”. A campanha é um chamado à comunidade, reforçando que lixo não existe, existe resíduo, e que o verdadeiro luxo é viver em um lugar limpo, saudável e sustentável.
Entre as atividades desenvolvidas estiveram oficinas de comunicação para a criação de textos, cartazes e informativos impressos, além de uma oficina de arte e percussão, ministrada pelo artista plástico e músico Zé Martins, do grupo Unamérica, onde os alunos produziram instrumentos musicais com materiais recicláveis e realizaram uma intervenção sonora.

Também foram realizadas ações de sensibilização na escola e durante o Festival de Artes de Lomba Grande. As oficinas foram ministradas pela equipe da Cantalomba, com os professores Maria Suziane Gutbier e Zé Martins, em parceria com a disciplina do professor João Falkoski.
“As reflexões foram norteadas por uma metodologia participativa, utilizando a Árvore do Problema e a Árvore das Soluções, o que estimulou o pensamento crítico e o protagonismo juvenil”, conta Martins.
Ecoponto como solução para falhas na coleta
Os alunos também conheceram o funcionamento da Coleta Seletiva Solidária, realizada pela Cooperativa Coolabore às quartas-feiras. Em diálogo com os cooperados, foi constatado que o serviço não consegue alcançar todas as ruas da Lomba Grande devido à limitação da frota contratada pelo município.
Gutbier ressalta que, a partir desse desafio, surgiram propostas concretas para complementar o serviço: “a instalação de um Ecoponto para a deposição de inservíveis, como móveis velhos e restos de construção, e também para a entrega voluntária de recicláveis por parte dos moradores não atendidos pelo caminhão da Coleta Seletiva”.
As metas da campanha incluem melhorar a adesão à separação dos resíduos, aperfeiçoar os índices de compostagem no bairro e aumentar o envolvimento dos jovens na causa ambiental.
Conforme Martins, o projeto trabalhou competências como solução de problemas, participação social, consciência ambiental e expressão artística, “consolidando-se como uma vivência integral de educação e cidadania”.
Entre os impactos sociais, os professores destacam a formação de novas lideranças comunitárias e o fortalecimento do vínculo entre as instituições parceiras. “A campanha ‘Do Lixo ao Luxo’ seguirá em movimento e será ampliada em 2026, inspirando cada morador a repensar seus hábitos.”
