O papa Leão XIV pediu, nesta terça-feira (2), que os Estados Unidos não usem a força para atacar a Venezuela. O pontífice, no entanto, não se opôs a um eventual aumento da pressão econômica sobre Caracas.
“É melhor buscar formas de diálogo, ou talvez de pressão, até pressão econômica”, disse, durante um voo de Beirute a Roma.
Leão XIV também afirmou que os sinais enviados pelo governo Trump não são claros.
“Por um lado, parece que houve uma ligação entre os dois presidentes [Maduro e Trump]. Por outro lado, existe o perigo, existe a possibilidade de haver alguma atividade, alguma operação. As vozes que vêm dos Estados Unidos mudam com certa frequência”, disse.
No último domingo (30), Trump confirmou, a bordo do avião presidencial, que manteve uma conversa telefônica com Nicolás Maduro.
“Não diria que foi boa nem ruim. Foi uma ligação telefônica“, disse, ao ser perguntado por jornalistas. O mandatário estadunidense não deu mais detalhes sobre a conversa.
Após a ligação, que teria ocorrido no final de semana anterior a essa declaração, a pressão sobre Caracas aumentou consideravelmente.
Dias depois da ligação, o governo dos EUA designou o “Cartel de Los Soles”, sem apresentar provas, como uma organização terrorista, o que poderia abrir caminho para uma intervenção. A gestão Trump aponta o presidente Nicolás Maduro como suposto líder do grupo.
Analistas internacionais, no entanto, questionam a existência do grupo. O governo venezuelano classifica o “Cartel de Los Soles” como uma “invenção” estadunidense.
Além disso, Trump, nos últimos dias, afirmou, em mais de uma oportunidade, que não descarta um ataque por terra contra o país caribenho.
No último sábado (29), o mandatário estadunidense afirmou que “todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas” devem considerar o “fechamento completo do espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela”.
Caracas classificou o anúncio como um ataque à sua soberania. Apesar de algumas companhias aéreas terem suspendido voos ao país — e, por conta disso, terem suas licenças cassadas pelo governo Maduro — o espaço aéreo venezuelano continua oficialmente aberto.
