Após conversa

‘Eu disse a Trump que é preciso usar inteligência em vez de armas’, diz Lula sobre combate ao crime organizado

O presidente brasileiro conversou na terça-feira (2) com o republicano numa ligação que durou cerca de 40 minutos

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre a conversa que teve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na terça-feira (2), na qual tratou sobre as tarifas impostas aos produtos brasileiros e outros assuntos, como o combate ao crime organizado. “Eu disse ao Trump: a gente não precisa usar armas, a gente tem que usar a inteligência”, relatou o petista, que também sugeriu que o governo estadunidense prenda eventuais criminosos brasileiros no território do país norte-americano.

Lula classificou a ligação como “extraordinária” e afirmou que existem dois presidentes dos EUA, um dos espaços públicos e outro dos âmbitos reservados. “Eu posso dizer que, toda vez que eu converso com o Trump, eu me surpreendo. Porque, muitas vezes, você vê o Trump na televisão, muito nervoso. Na conversa pessoal, ele é outra pessoa. Eu fiz questão de dizer para ele, temos dois Trump: o da televisão, e o da conversa pessoal”, disse em entrevista à TV Verdes Mares, afiliada da Globo no Ceará, na manhã desta quarta-feira (3).

O presidente brasileiro também reagiu com otimismo à previsão de retirada da tarifa de 40% que incide sobre alguns produtos brasileiros importados pelos EUA. “Da mesma forma que o povo teve uma notícia ruim, está perto de ouvirmos mais uma notícia boa. Conversei seriamente com Trump, da necessidade dele compreender sobre as duas maiores democracias”, afirmou. 

“Falei para ele da química boa, estamos bem, não há por que ter divergência. Pode esperar, muita coisa pode acontecer”, disse Lula.

O petista, no entanto, não citou a ofensiva estadunidense na costa da Venezuela sob a justificativa de combate ao narcotráfico. No total, já foram enviados para a região oito navios de guerra, caças F-35 e o porta-aviões Gerald Ford, o maior do mundo. Também foram mortas, até o momento, pelo menos 83 pessoas que supostamente trabalhavam para o narcotráfico. Porém, a Casa Branca ainda não deu nenhuma garantia da relação entre os mortos e cartéis de drogas.

Editado por: Nathallia Fonseca

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