Pedido de paz

Ato ecumênico em Nova York pede diálogo e condena ameaças dos EUA contra a Venezuela

A cerimônia foi convocada em resposta ao apelo do Papa Leão XIV por uma solução pacífica para as tensões

A vigília realizada na Igreja Luterana Trinity teve como objetivo pedir paz e diálogo entre a Venezuela e os EUA como solução diplomática para a agressão estadunidense
A vigília realizada na Igreja Luterana Trinity teve como objetivo pedir paz e diálogo entre a Venezuela e os EUA como solução diplomática para a agressão estadunidense | Crédito: Igreja Luterana Trinity / Captura de tela

Líderes inter-religiosos, fiéis e moradores de Nova York, nos Estados Unidos, reuniram-se na noite de quarta-feira (3), no Brooklyn, para uma vigília em defesa da paz e contra a crescente pressão do governo Trump sobre a Venezuela

O encontro, realizado na Igreja Luterana da Trindade e conduzido pelo reverendo Dr. Samuel Cruz coincidiu com o período do Advento, momento em que a tradição cristã celebra a chegada do “Príncipe da Paz”.

A cerimônia foi convocada em resposta ao apelo do Papa Leão XIV por uma solução pacífica para as tensões entre Washington e Caracas. Durante o ato, o reverendo Cruz criticou o histórico de interferência dos Estados Unidos na região, citando não apenas a Venezuela, mas também Honduras, onde, segundo ele, houve ingerência no processo eleitoral. 

Ele apontou ainda contradições na política antidrogas do governo estadunidense, que considera mínima a quantidade de entorpecentes provenientes da Venezuela enquanto adota postura mais branda com países como a China.

Cruz também lembrou o contraste entre a acusação feita por Trump de que Nicolás Maduro seria um “traficante suspeito” e o indulto concedido ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado em 2024 por crimes relacionados ao narcotráfico e apoio de Joaquín “El Chapo” Guzmán.

O embaixador venezuelano na ONU, Manuel Moncada, discursou durante o evento, classificando como “guerra fictícia” as alegações que justificariam uma ação militar contra seu país. Ele advertiu, porém, que esse clima poderia evoluir para um conflito real, alimentado pela escalada de ameaças recentes. 

Moncada também destacou que mortes ocorridas no mar, envolvendo não apenas venezuelanos, mas também colombianos e dominicanos, vêm sendo tratadas com indiferença ou até celebradas por parte da mídia dos EUA.

O diplomata apelou ao público para que se mobilize contra a retórica bélica e defendeu o diálogo como única via capaz de reduzir as tensões, ressaltando a necessidade de reconhecer as diferenças entre as nações como parte do caminho rumo à paz.

A vigília reforçou o compromisso com soluções não violentas, alertando para o impacto humano que uma eventual ação militar teria sobre as populações dos dois países. Em coro, os presentes entoaram “Diálogo sim, guerra não”, ecoando o chamado do reverendo Cruz por uma mobilização contínua.

O bispo Rey Rivera, fundador do Centro de Ação Pastoral Latina no Bronx, convidou todos a unirem esforços “não apenas em ativismo, mas também em oração”, pedindo proteção ao povo venezuelano e mudanças de postura entre líderes políticos. O encontro encerrou-se com o cântico “Se as pessoas deixassem de lado o ódio”.

A intensificação das ameaças por parte dos EUA provocou reações internacionais e mobilizou comunidades religiosas em vários países. No dia 18 de novembro, igrejas dos Estados Unidos realizaram um ato simultâneo de oração com fiéis em Caracas, ocasião em que o presidente Nicolás Maduro agradeceu o apoio do “povo de Cristo” diante da pressão exercida pelo governo Trump.

Com informações da Telesur.

Editado por: Nathallia Fonseca

|

Newsletter