Protesto

Mulheres do MTST ocupam Secretaria de Políticas para a Mulher de SP em meio a casos de feminicídio

Entre janeiro e outubro deste ano, a cidade de São Paulo registrou 53 feminicídios, o maior número anual desde 2018

Grupo de mulheres do MTST no saguão da Secretaria de Políticas para a Mulher de São Paulo
Grupo de mulheres do MTST no saguão da Secretaria de Políticas para a Mulher de São Paulo | Crédito: Comunicação MTST

Um grupo de mulheres do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) ocuparam o saguão da Secretaria de Políticas para a Mulher, em São Paulo (SP), para chamar atenção aos casos de feminicídios no estado.

“Hoje o MTST ocupou a Secretaria do Estado de São Paulo de Políticas para as Mulheres com a finalidade de denunciar todos esses feminicídios que vêm acontecendo no estado e na cidade de São Paulo e principalmente cobrar políticas públicas de prevenção, de acolhimento, políticas casadas entre estado e município”, afirma Beatriz Nowick, coordenadora do MTST.

Entre janeiro e outubro deste ano, a cidade de São Paulo registrou 53 feminicídios, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o maior número anual desde a série histórica iniciada em 2018, mesmo sem contabilizar ainda os dados de novembro e dezembro. No mesmo período, o estado somou 207 casos. 

Os dados coincidem com episódios recentes de violência, como a mulher de 31 anos que foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na marginal Tietê e outra que foi alvo de tiros pelo ex-companheiro enquanto trabalhava em uma pastelaria, na Zona Norte de São Paulo.

“Nos últimos tempos, Tarcísio e Nunes não têm dedicado parte significativa do orçamento para políticas para as mulheres, e o resultado é o maior número de feminicídio dos últimos tempos da série histórica. É por isso que o MTST, nós mulheres, estamos aqui para denunciar o efeito do bolsonarismo nesse estado que vem matando nossas mulheres”, acrescenta Nowick.

Como o Brasil de Fato mostrou, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), propôs um orçamento para Secretaria de Políticas para a Mulher em 2026 54,4% menor do que a dotação inicial aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025. 

Em 30 de setembro de 2024, Tarcísio encaminhou o projeto da LOA 2025 com a sugestão de R$ 9,6 milhões para a pasta das mulheres. Na Alesp, os parlamentares subiram o valor para R$ 36,2 milhões, incluindo 6,5 milhões em emendas parlamentares. Para a LOA 2026, o governador sugeriu um montante de R$ 16,5 milhões. 

Isso representa mais do que o sugerido para 2025, mas metade do que foi aprovado pela Alesp para o ano corrente. Se corrigido pelo IPCA, o valor aprovado chega a R$ 38,2 milhões, o que significa uma redução de 56,8% em relação ao orçamento atualizado de 2025.

Em nota ao Brasil de Fato, o governo paulista informou que “não se pode comparar a Lei Orçamentária aprovada deste ano com o Projeto de Lei para o próximo, visto que são instrumentos em diferentes status de aprovação entre os poderes Legislativo e Executivo”.

Editado por: Nathallia Fonseca

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