MÚSICA E VINHO

Bento Jazz & Wine Festival chega à 4ª edição com programação gratuita em Bento Gonçalves (RS)

Evento acontece neste sábado (6) e domingo (7), reunindo jazz, música gaúcha, rap e vinícolas locais 

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Rafael Teclas
Evento acontece neste final de semana, a partir das 16h, na Praça São Bento | Crédito: Divulgação / Rafael Teclas

Considerada a capital nacional do vinho, Bento Gonçalvez (RS) se prepara para um fim de semana de celebração cultural. A 4ª edição do Bento Jazz & Wine Festival acontece neste sábado (6) e domingo (7), a partir das 16h, na Praça São Bento, também conhecida como Praça da Igreja da Pipa. Eleito o melhor festival de música instrumental do Brasil pelo Prêmio Profissionais da Música 2023, o evento retorna com uma programação diversa, plural e gratuita, integrando a agenda oficial do Natal Bento.

Com o tema “Conexões em Expansão”, o festival amplia seu diálogo com múltiplas sonoridades ligadas ao jazz. Os dois dias de programação reúnem apresentações que vão do Blues de New Orleans ao jazz tradicional de standards, da música instrumental gaúcha ao rap, passando pela música instrumental brasileira e por projetos autorais que exploram improviso, fusões e novas linguagens.

No sábado (6), sobem ao palco Atairū, Adriana de Los Santos, Rafael Teclas e o grupo BRazz’nRAP. Já no domingo (7), o festival reúne O Som do Vento, Mari Kerber Trio, Felipe Coelho e Luciano Leães, uma seleção que destaca artistas emergentes e nomes consolidados da cena instrumental do Sul e do país.

O Bento Jazz & Wine também promoverá formações. O evento oferece duas master classes (aulas ministradas) com os músicos Alex Zanotelli e Uiliam Michelon, além de dois debates que abordam o mercado cultural, os mecanismos de fomento e os desafios contemporâneos no ensino da música. A programação educativa inclui ainda oficinas realizadas para crianças da rede municipal, conduzidas pelo professor Alison Seben.

De acordo com a organização, o festival também busca fortalecer a integração entre música e vinho, dois símbolos culturais da região. Ao longo dos dois dias, vinícolas locais estarão presentes, oferecendo degustações enquanto o público aprecia as apresentações musicais ao ar livre.

O festival é viabilizado por meio do Pró-Cultura RS – Sedac, com patrocínio master de Gerdau e Super Grepar, e Patrocínio Ouro de Autoviação Putinga e Só Escritório. A realização é das produtoras Experimentais CriaCultura e Gaita Produtora, com apoio da Prefeitura de Bento Gonçalves, da Secretaria da Cultura e da Secretaria de Turismo do município.

Programação completa

Sábado(6)

16h: Atairu

17h: Adriana de Los Santos

18h: Rafael Teclas

19h: BRazznRAP 

Domingo (7)

16h: O Som do Vento

17h: Mari Kerber Trio

18h: Felipe Coelho 

19h: Luciano Leães

As atrações

Atairū

Atairū significa “companheiro de viagem” em tupi-guarani, nome que traduz o espírito do quarteto formado por André Mendonça (contrabaixo), Bruno Silva (trompete), Leonardo Bittencourt (piano) e Lucas Fê (bateria). Unidos pela busca de novas paisagens sonoras, o grupo vem se destacando na cena instrumental brasileira pelo equilíbrio entre improviso, lirismo e diálogo coletivo.

O Atairū já se apresentou em festivais, exposições, eventos fechados e casas de shows de Porto Alegre, sempre conquistando o público pela intensidade e sensibilidade de suas performances.

Adriana de Los Santos

Símbolo da resistência feminina na música tradicionalista, Adriana de Los Santos é uma das mais reconhecidas gaiteiras do Rio Grande do Sul. Com 33 anos de carreira, já se apresentou em diversos países, incluindo Alemanha, Suíça, Áustria e Argentina, levando a cultura gaúcha a palcos internacionais.

Primeira mulher a representar o estado em turnês pela Europa, Adriana também integra o projeto Fábrica de Gaiteiros e foi premiada pela Assembleia Legislativa do RS como Melhor Instrumentista. Em 2025, segue com a Tour 33 Anos de Gaita, reafirmando sua trajetória inspiradora e o poder feminino na música do Sul.

Rafael Teclas

O pianista bentogonçalvense Rafael Teclas, acompanhado por Tiago Andreola (contrabaixo) e Alison Sebem (bateria), apresenta o repertório do disco Mosaico de Memórias, com composições autorais criadas em grande parte durante a pandemia.

As faixas exploram, em linguagem instrumental, o tempo e a existência humana — do nascimento à morte — em uma jornada sonora marcada por sensibilidade e reflexão. Formado em 2019, o trio iniciou com standards de jazz e, em 2024, entrou em estúdio para registrar suas primeiras obras originais.

BRazz’nRAP

Nascido da convicção de que Jazz, música brasileira e HipHop têm uma conexão atual, moderna e necessária, o BRazz’nRAP une linguagens e culturas em uma fusão vibrante, criativa e cheia de identidade.

Com apenas três meses de ensaios, o grupo já havia composto nove músicas e se prepara para lançar, em 2026, seu primeiro álbum autoral — uma mistura de ritmos e expressões que transitam entre o samba, o terreiro, o jazz e a música latino-americana.

Formado por dois rappers (um homem e uma mulher) e dois músicos experientes da cena instrumental, o quarteto cria uma sonoridade autêntica, orgânica e dançante, marcada por intervenções eletrônicas, improviso e brasilidade.

Som do Vento

Com mais de uma década de trajetória, o grupo instrumental Som do Vento, de Canela (RS), é um dos principais expoentes da música gaúcha de vanguarda. Suas composições unem o acordeom à liberdade do jazz, à poesia da milonga e à força da música latina, criando uma sonoridade que é, ao mesmo tempo, regional e universal.

Premiado com o 1º lugar no Festival de Música Instrumental de Montenegro pela composição Choro de Milonga, o quinteto vem se destacando ao lado de nomes como Renato Borghetti e Shana Müller, reafirmando o espírito do Movimento Sul Universal — uma música que transcende fronteiras e conecta o campo às grandes cidades.

Mariane Kerber

Pianista, compositora e cantora, Mariane Kerber representa uma nova geração de mulheres instrumentistas e improvisadoras que vêm conquistando espaço na cena musical brasileira. Graduada em Música Popular pela Ufrgs, com láurea acadêmica, Mariane combina blues, jazz e música brasileira em performances marcadas por técnica e sensibilidade.

Com uma trajetória que inclui apresentações ao lado da Orquestra Unisinos Anchieta, participação no Mississippi Delta Blues Festival e turnês pela Europa e Oriente Médio, também acumula prêmios, gravações e colaborações com grandes nomes da música. Entre seus trabalhos, destacam-se os álbuns So Many Stories to Tell e Em Movimento, este último com participações especiais como Rafael Lopes, Ariane Wink e a Orquestra Unisinos.

Felipe Coelho Trio

Reconhecido como “a cara do novo violão brasileiro” (Revista Violão Mais), Felipe Coelho é um dos principais violonistas da nova geração, com oito álbuns autorais e turnês internacionais por cidades como Nova Iorque, Chicago, Buenos Aires e Shanghai. Mestre em Jazz pela Georgia State University (EUA), o músico transita entre o choro, o jazz, o flamenco e a música de câmara, criando um estilo único que lhe rendeu o Prêmio Funarte de Música e o título de Melhor Instrumentista Catarinense (Música SC 2014).

No palco, Felipe se apresenta com Mauro Borghezan (bateria) e Marcelo Muller (baixo) em um trio que une virtuosismo e improvisação, revisitando clássicos do jazz e explorando sonoridades que refletem toda a riqueza da música brasileira e latino-americana. 

Luciano Leães

Primeiro pianista brasileiro a se apresentar no New Orleans Jazz Museum, Luciano Leães é um dos grandes nomes do piano contemporâneo. Tem quase 30 anos de trajetória e uma carreira internacional consolidada entre o Brasil, a Europa e os Estados Unidos.

Inspirado pelas raízes do R&B e do piano de New Orleans, Leães desenvolve uma linguagem própria, marcada por ritmos latino-americanos, groove e emoção, que o consagraram como um dos principais representantes do gênero na América Latina.

O artista já dividiu o palco com lendas como Carey Bell, Hubert Sumlin e Jon Cleary, e prepara um novo álbum gravado entre o Brasil e os EUA com grandes músicos locais, sob produção do vencedor do Grammy, Jake Eckert.

Editado por: Marcelo Ferreira

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