Crise climática

China diz que transição de baixo carbono é ‘irreversível’ e pressiona países desenvolvidos por financiamento climático

Vice-ministro Li defende responsabilidades diferenciadas e destaca meta chinesa de reduzir emissões em 7-10% até 2035

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Coletiva do Escritório de Informação do Conselho de Estado sobre a implementação da Quarta Sessão Plenária do 20º Comitê Central do Partido Comunista da China. (da esq. à dir.) Jia Huili, Vice-Diretora do Departamento de Imprensa do Gabinete de Informação do Conselho de Estado. Li Gao, Vice-Ministro da Ecologia e Ambiente, Wang Shancheng, Diretor Geral do Departamento de Conservação de Recursos e Proteção Ambiental da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e Ren Yuzhi, Diretor Geral do Departamento de Desenvolvimento e Planeamento da Administração Nacional de Energia
Coletiva do Escritório de Informação do Conselho de Estado sobre a implementação da Quarta Sessão Plenária do 20º Comitê Central do Partido Comunista da China. (da esq. à dir.) Jia Huili, Vice-Diretora do Departamento de Imprensa do Gabinete de Informação do Conselho de Estado. Li Gao, Vice-Ministro da Ecologia e Ambiente, Wang Shancheng, Diretor Geral do Departamento de Conservação de Recursos e Proteção Ambiental da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e Ren Yuzhi, Diretor Geral do Departamento de Desenvolvimento e Planeamento da Administração Nacional de Energia | Crédito: Jiang Chenxing

O vice-ministro de Ecologia e Meio Ambiente da China, Li Gao, reafirmou nesta sexta-feira (5) que “a transição verde e de baixo carbono é irreversível” e que “o multilateralismo permanece inabalável”, durante coletiva do Escritório de Informação do Conselho de Estado sobre a implementação da Quarta Sessão Plenária do 20º Comitê Central do Partido Comunista da China. O integrante do governo chinês, que passou 22 dias em Belém participando da COP30, defendeu que os chamados países desenvolvidos cumpram suas obrigações de financiamento climático, para “fornecer recursos financeiros, transferência de tecnologia e apoio ao desenvolvimento de capacidades” às nações do Sul Global.

Li Gao destacou que os resultados da conferência climática brasileira “mantêm firmemente o princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas” e preservam a arquitetura institucional do Acordo de Paris. “Eles avançam com sucesso a implementação do Acordo de Paris para a próxima década e enviam um sinal poderoso: a cooperação internacional não pode ser enfraquecida”, afirmou o vice-ministro, que se reuniu diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para apresentar as posições chinesas na negociação climática.

A China anunciou em setembro sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) para 2035, prevendo redução de 7% a 10% nas emissões totais de gases de efeito estufa em relação ao pico previsto para 2030.

Wang Shancheng, diretor-geral do Departamento de Conservação de Recursos e Proteção Ambiental da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, destacou que Partes desenvolvidas como a União Europeia e os Estados Unidos levaram respectivamente quatro e 11 anos para iniciar reduções sustentadas após atingirem seus picos de emissões. “A China pretende reduzir 7% a 10% em apenas cinco anos”, comparou Wang.

As Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), são o principal mecanismo do Acordo de Paris. O caráter voluntário dos compromissos sob esse mecanismo tem sido criticado. Outro aspecto questionado é o uso, nos cálculos de redução, de mecanismos de compensações de emissões, e de mercados de carbono para alcançar as metas, o que gera reduções de CO2 contábeis em vez de reduções reais.

Mesmo assim, apenas 122 países atualizaram suas NDCs, do total de 195 Partes (194 Estados mais a União Europeia) que são signatários do Acordo de Paris. Os EUA estão incluídos entre os 195, mas Donald Trump voltou a retirar o país do acordo, o que deve se concretizar no começo de 2026.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) estabeleceu que limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais é o limite para evitar que a crise climática atinja um ponto de não retorno.

Pressão por responsabilidades diferenciadas

O vice-ministro Li Gao enfatizou repetidamente durante a coletiva que países desenvolvidos devem cumprir suas obrigações legais internacionais de fornecer recursos financeiros, transferência de tecnologia e apoio à capacitação para nações em desenvolvimento. “No contexto das mudanças climáticas, os países em desenvolvimento são as maiores vítimas”, disse.

Li criticou comparações diretas entre as metas chinesas e as de economias desenvolvidas.

A União Europeia atingiu seu pico de emissões nas décadas de 1980 e 1990, explicou o vice-ministro. “Os números das NDCs de hoje são simplesmente incomparáveis”, afirmou.

O Acordo de Paris estabelece que as NDCs de cada Parte devem representar um avanço em relação à sua NDC anterior e refletir a ambição mais alta possível, em linha com as suas responsabilidades comuns, mas diferenciadas.

Esse último princípio significa que todos os países devem assumir compromissos no combate às mudanças climáticas, mas que há responsáveis principais pela crise, os chamados “países desenvolvidos”, na nomenclatura do acordo, que são os que devem assumir “metas absolutas de redução de emissões para toda a economia”.

“Os países em desenvolvimento que fazem parte do Acordo devem continuar a aprimorar seus esforços de mitigação e são incentivados a avançar gradualmente em direção a metas de redução ou limitação de emissões em toda a economia, levando em consideração as diferentes circunstâncias nacionais”, segundo o texto do acordo.

Capacidade de energia não-fóssil duplica

Durante a coletiva, Ren Yuzhi, diretor-geral do Departamento de Desenvolvimento e Planejamento da Administração Nacional de Energia, informou que a capacidade instalada de energia não-fóssil da China mais que dobrou em cinco anos. As energias eólica e solar atingiram 1,73 bilhão de quilowatts, o triplo do nível registrado em 2020. “Construímos o maior sistema de fornecimento de eletricidade limpa do mundo”, disse Ren, acrescentando que a China é responsável por mais de 45% do aumento global no consumo de energia não-fóssil.

Atualmente, quatro em cada dez quilowatts-hora gerados no país provêm de fontes não-fósseis. Durante o 14º Plano Quinquenal (2021-2025), a participação da energia não-fóssil no consumo total aumentou cerca de um ponto percentual ao ano, devendo superar 20% em 2025. A participação do carvão no consumo energético caiu de 56,7% em 2020 para 53,2% em 2024.

No setor nuclear, a China continental possui 59 unidades em operação e 53 em construção, totalizando 125 milhões de quilowatts de capacidade instalada — a maior do mundo, segundo Ren Yuzhi. Por nove anos consecutivos, as unidades nucleares chinesas ocupam o primeiro lugar globalmente em desempenho operacional, de acordo com dados da Associação Mundial de Operadores Nucleares. Do total de reatores no mundo que alcançaram pontuação perfeita, 43% estão localizados na China.

O diretor destacou ainda o papel do armazenamento de energia na transição. O armazenamento eletroquímico de novo tipo já atingiu 100 gigawatts, superando as projeções iniciais do 14º Plano Quinquenal. Há 46,4 gigawatts de armazenamento hidrelétrico por bombeamento em construção, o que deve aumentar a capacidade total para aproximadamente 160 gigawatts até 2030.

Editado por: Nathallia Fonseca

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