MATRIZ AFRICANA

Festival de Oxum conecta ancestralidade, cultura e sustentabilidade em Porto Alegre

Evento terá três dias de programação com debates ambientais, marcha trans e celebração tradicional

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Segundo a Iyá, o festival nasce do compromisso de integrar espiritualidade, pertencimento e cuidado socioambiental
Prá-lançamento do festival, em julho deste ano, reuniu lideranças de matriz africana, representantes do poder público, artistas e a comunidade | Crédito: Jorge Leão

O Festival de Oxum – As águas da reconstrução chega à edição de 2025 em Porto Alegre reforçando a conexão entre cultura, espiritualidade e educação ambiental. Idealizado por Itanajara Almeida, mulher da tradição de matriz africana conhecida como Iyá Itanajara de Oxum, o festival instituído em lei municipal ocorre nos dias 6, 7 e 8 de dezembro. A programação reúne resgate ancestral, debates sobre meio ambiente, atividades culturais, serviços à comunidade e, pela primeira vez, uma marcha trans.

A festividade culmina na 32ª Festa da Mãe Oxum, na segunda-feira (8), a partir das 20h, na avenida Guaíba, em frente ao monumento de Oxum, na praia de Ipanema. Durante o evento ocorre o pré-lançamento do livro que celebra os 32 anos da tradicional Festa de Oxum. A obra reúne registros históricos, fotografias e depoimentos que preservam a trajetória de uma das celebrações mais marcantes do calendário cultural e religioso da cidade.

Segundo a Iyá, o festival nasce do compromisso de integrar espiritualidade, pertencimento e cuidado socioambiental, especialmente diante dos impactos das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. “A gente quer fazer esse diálogo com educadores ambientais e saber qual é a nossa responsabilidade por esse cuidado ao meio ambiente, por esse cuidado com as matas, com as aguas. Estamos num momento em que é urgente fazer com que esse processo de educação ambiental aconteça em todos os níveis. Que a gente comece com as crianças, venha vinda vindo ate trazer a conscientização geral para o povo”, afirma. Ela reforça que o processo deve começar pelas crianças e envolver toda a sociedade.

O projeto de lei que que oficializa o Festival de Oxum, de autoria do Coletivo Cuca Congo (PCdoB), foi aprovado no dia 17 de novembro deste ano, pela Câmara Municipal de Porto Alegre. De acordo com a justificativa do PL, o Festival Oxum visa não apenas celebrar a cultura africana e a tradicionalidade, mas também promover a preservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico da região.

“Com uma infraestrutura fixa e uma abordagem integrada, o evento tem o potencial de se tornar uma referência nacional e internacional na celebração da diversidade cultural, na promoção da sustentabilidade e no fomento do turismo na região”, destacam os autores.

Resgate ancestral na abertura

O primeiro dia de programação, no sábado (6), será realizado na Ponte de Pedra, local simbólico para povos de matriz africana em Porto Alegre. “Ali eram deixadas as oferendas ao Oxum, e nós queremos resgatar esse processo ancestral, resgatar todo aquele processo que a gente faz enquanto povo tradicional, que é oferecer às nossas divindades”, explica a Iyá.

A abertura contará com uma roda de conversa com representantes de religiões de matriz africana, educadores ambientais e o ato da marcha trans, que ocorre pela primeira vez na Capital. “Esse diálogo vai ser aberto, porque existem núcleos que vão fazer rodas de conversa com pautas comuns. É uma transversalidade de tudo que nós temos realmente como identificação. A matriz africana é o lugar que mais acolhe. O que a gente chamava de acolhimento, hoje chamamos de pertencimento”, destaca.

No domingo (7), a Casa de Cultura Mário Quintana recebe painéis temáticos sobre ancestralidade e meio ambiente, com participação de especialistas de diferentes áreas. “A gente vai ouvir e dialogar sobre como conseguimos estar inseridas dentro desses processos.”

Celebração tradicional e serviços comunitários

A programação de segunda-feira (8), data dedicada a Oxum, será realizada na Orla de Ipanema com a 4ª Feira de Oxum, que reúne artesanato, economia solidária, gastronomia e intervenções culturais ao longo de todo o dia. A atividade inclui ainda serviços públicos, como atendimentos do istema Nacional de Emprego (Sine) e Cadastro Único (CadÚnico), além da presença da titular da Delegacia de Mulheres, que falará sobre o enfrentamento à violência e ao feminicídio.

O festival se encerra com a tradicional Festa de Oxum, evento que costuma reunir cerca de 30 mil pessoas. “Reverenciamos e saudamos essa rica mãe. As pessoas levam suas velas, levam suas flores, tocam seus tambores”, relata Itanajara. Para ela, o encontro reforça o sentimento coletivo e a relação espiritual que marca a capital. “Sempre dizemos que somos filhos dessa rica mãe. Nessa cidade, todo mundo é de Oxum.”

Programação

Sábado (6) – Ponte de Pedra – Açorianos

14h – Abertura no palco (Israel Ávila)
Fala de autoridades tradicionais, representantes LGBT+ e educadores ambientais
15h – Apresentação do grupo Quilombo Família Ouro
15h30 – Falas de autoridades (LGBT+ e educadores ambientais)
16h – Apresentação Brazil Estrangeiro
16h30 – Falas de autoridades tradicionais, LGBT+ e educadores ambientais
17h – Apresentação Nosso Futuro
17h30 – Concentração para o cortejo
18h – Largada do cortejo
18h30 – Chegada no Gasômetro
19h – Entrega das flores às águas
19h30 – Apresentações culturais (Brazil Estrangeiro e Quilombo Família Ouro) – Praça do Aeromóvel

Domingo (7) – Casa de Cultura Mário Quintana (CCMQ)

Painel Ancestralidade
– Babá Juliano de Oxalá

Painel Meio Ambiente
– Rosa Maris Rosado (bióloga, educadora ambiental)
– Teresinha Sá de Oliveira (pedagoga, educadora ambiental)
– Marcelo Juliano Santos dos Santos (geógrafo, educador ambiental)

Segunda- Feira (8) – Orla de Ipanema

4ª Feira de Oxum – das 10h às 24h
Artesanato, gastronomia, serviços comunitários e intervenções culturais a cada hora
Encerramento com a tradicional Festa de Oxum, a partir das 20h

Editado por: Marcelo Ferreira

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