O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, afirmou, nesta segunda-feira (8), que o Prêmio Nobel da Paz é um “leilão para o melhor ofertante”. Nesta quarta-feira (10), a opositora do governo venezuelano, María Corina Machado, recebe a honraria.
“Com relação a Oslo [capital da Noruega, onde é entregue prêmio], nós não sabemos nada disso, não participamos desse leilão. É um leilão para o melhor ofertante”, afirmou, durante uma coletiva de imprensa.
Nesta terça-feira (9), está programada uma manifestação em Oslo contra a premiação da opositora venezuelana.
“Enquanto o Prêmio da Paz é entregue a María Corina Machado, navios de guerra dos EUA estão posicionados na costa da Venezuela. Nós protestamos contra o imperialismo dos EUA e contra a legitimação, por parte de Machado, da guerra de Trump e das violações do direito internacional”, diz um trecho da convocação para o ato.
Com paradeiro incerto desde as eleições do ano passado na Venezuela, María Corina Machado teve a presença na cerimônia confirmada pelos organizadores do evento.
Diosdado Cabello, o número dois do chavismo informou, ainda, que, nesta quarta-feira (10), mesmo dia em que Corina Machado será coroada com o Nobel da Paz, os venezuelanos vão sair às ruas de Caracas em comemoração ao 166º aniversário da Batalha de Santa Inês – batalha vencida pelo exército comandado por Ezequiel Zamora diante das forças do governo conservador.
Também na quarta, a Alba Movimentos, a articulação de movimentos sociais da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América, convocou manifestações de solidariedade à Venezuela.
Em um comunicado, a organização denunciou a “ameaça direta contra a Venezuela”, sob a justificativa de combate ao narcotráfico. “Não tratamos essas justificativas com leveza, pois são a preparação midiática para uma possível invasão”, diz a nota.
Em entrevista publicada nesta segunda-feira (8) pelo jornal britânico The Guardian, Celso Amorim, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, afirmou que uma invasão estadunidense à Venezuela poderia criar um cenário semelhante ao estabelecido na guerra dos Estados Unidos contra o Vietnã.
“Se houvesse uma invasão, uma invasão de verdade, acredito que, sem dúvida, veríamos algo semelhante ao Vietnã. Em que escala, é impossível dizer.” Amorim disse, ainda, que uma possível guerra “não seria apenas um conflito entre os EUA e a Venezuela”. Segundo o assessor especial da Presidência, uma invasão estadunidense “acabaria envolvendo o mundo todo, e isso seria realmente lamentável”.
Ele também disse que o Brasil não irá pressionar o presidente Nicolás Maduro a renunciar, especulação feita pela mídia internacional.
