O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, confirmou, nesta quarta-feira (3), que manteve uma conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com o mandatário, a ligação, que teria ocorrido “em tom de respeito e de forma cordial”, partiu de Washington.
“Há aproximadamente 10 dias a Casa Branca ligou para o Palácio de Miraflores, e tive uma conversa telefônica com o presidente Donald Trump”, disse, durante uma agenda na Comuna Simón Rodríguez.
Maduro afirmou, ainda, que a ligação poderia ser um primeiro passo para novas negociações. “Se essa chamada significa que se está caminhando para um diálogo respeitoso, que o diálogo seja bem-vindo, porque sempre buscaremos a paz.”
Após a conversa, diversos rumores sobre o conteúdo do que foi falado – inclusive que o presidente Nicolás Maduro estaria disposto a deixar o país – começaram a surgir na imprensa internacional.
Diosdado Cabello, ministro do Interior, e número dois do governo, disse que as especulações difundidas são “pura invenção” e que a “oposição estúpida” da Venezuela vive disso. “Agora todos são especialistas em saber o que falaram. Nenhum deles estava lá, nenhum tem a menor ideia”, concluiu.
Nesta quarta-feira (3), ao ser perguntado sobre a possibilidade de uma nova conversa entre Maduro e Trump, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, se esquivou. “Não sei”, disse durante a chegada de uma aeronave estadunidense ao Aeroporto de Maiquetía. O avião trazia 266 migrantes venezuelanos deportados pelo governo Trump.
O mandatário estadunidense havia confirmado a conversa com Maduro no último domingo (30). “Não diria que foi boa nem ruim. Foi uma ligação telefônica”, disse, à bordo do avião presidencial.
Depois da ligação, no entanto, a pressão dos Estados Unidos sobre a Venezuela escalou. Na semana seguinte à conversa, Washington anunciou como organização terrorista o suposto grupo Cartel de Los Soles, que seria liderado pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Caracas diz que o grupo é uma “invenção” dos EUA.
Passados alguns dias, Trump disse que ofensivas terrestres contra o país caribenho vão começar “em breve”. E, no último final de semana, ele afirmou que “as companhias aéreas, pilotos e traficantes de drogas” devem considerar “o fechamento completo do espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela”.
Ao ser perguntado por jornalistas se o anúncio sobre o espaço aéreo indicava a proximidade de um ataque, Trump respondeu: “Não tire conclusões sobre isso.”
