SOLIDARIEDADE

Sociedade civil na Cúpula Popular do Brics condena ameaças de Trump contra a Venezuela

Eles denunciaram como 'mentirosos' os argumentos usados por Washington para ameaçar o governo Nicolás Maduro

No audio source provided.
Forças Armadas dos EUA em operação no Caribe; país mantém porta-aviões próximo à costa venezuelana
Forças Armadas dos EUA em operação no Caribe; país mantém porta-aviões próximo à costa venezuelana | Crédito: Divulgação/governo dos EUA

Representantes da sociedade civil reunidos na Primeira Cúpula Popular do bloco rechaçaram nesta quarta-feira (3) as ameaças crescentes vindas do governo estadunidense de Donald Trump contra a Venezuela. Mentiras usadas para depor um governo não alinhado aos Estados Unidos que possui a maior reserva de petróleo do mundo resumem as opiniões colhidas pelo Brasil de Fato.

“Cuba está em completo desacordo com a militarização que os Estados Unidos vêm produzindo atualmente no Mar do Caribe, não apenas contra a Venezuela”, disse Williams Mendoza Garcia, da delegação cubana.

“Sabemos que é uma grande mentira o argumento do combate ao narcotráfico, e que o objetivo principal é derrubar o governo de Caracas. Todos sabem que a rota das drogas para território americano é pelo Oceano Pacífico, não pelo Mar do Caribe.

“As agressões e assassinatos de pescadores inocentes em pequenas lanchas são injustificáveis. Eles não têm nem ligações com o próprio governo de Maduro”, disse ele.

“Como cubano, país que há décadas é ameaçado pelos EUA, digo aos venezuelanos: ‘Não acreditem em absolutamente nada do que é veiculado na imprensa estadunidense. Essa mídia é uma ferramenta usada pelo governo para arrasar o espírito, desestimular as populações que sofrem ameaças por lutarem por um mundo mais justo'”, afirma Garcia.

“Resistam. Acreditem no que estão fazendo. Defendam seu país, todos os povos do mundo que têm dignidade estão ao seu lado.”

O cubano lembra que a Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do mundo e “Washington tem interesse em derrubar o governo de Nicolás Maduro para abrir acesso total ao ouro negro”.

Também da delegação cubana, Maria del Carmen Barroso González, coordenadora do Capítulo Cubano da Alba Movimientos diz concordar com as posições expostas pelo colega e lembra que, durante a segunda Cúpula da Celac, realizada em Havana (Cuba), em janeiro de 2014, os chefes de Estado dos 33 países membros assinaram a “Proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz”.

“Assumimos o compromisso de manter nossa região pacífica. Temos a obrigação de manter o compromisso”, disse ela.

Irina Kostetskaya, diretora-adjunta da Fundação Infrasvyaz (Infoshare) e integrante do Conselho de Especialistas do BRICS/ Rússia, também rechaça o argumento usado por Trump.

“Não achamos que tenha a ver com o combate às drogas e sim mudança de regime”, resumiu. A russa lembrou que a aproximação militar ocorrida entre Caracas e Moscou pode ter contribuído para as hostilidades estadunidenses.

“As pessoas na Rússia estão acompanhando esses desdobramentos com atenção, pelos canais de notícia. Vemos os abusos cometidos por Washington.”

A solidariedade também foi expressa por membros da delegação do Irã. Integrante do Crescente Vermelho iranano, Shahin Fathi Hafshejani falou à reportagem entender “a situação pela qual os venezuelanos passam, nos identificamos e nos solidarizamos com eles”.

“Os venezuelanos são heroicos por ousarem se opor ao país mais poderoso do mundo e que quer os dominar”, declarou.

Os EUA vêm endurecendo a retórica de ameaças ao governo Maduro com o envio de milhares de soldados à região do Caribe, incluindo pesado equipamento de guerra. Mais de 80 pessoas foram assassinadas por bombardeios contra pequenas embarcações pelo Mar do Caribe, sem que os estadunidenses apresentassem provas do envolvimento dessas pessoas, muitas delas sequer identificadas, com o tráfico de drogas para os EUA.

Presente na Cúpula Popular do Brics, que reúne cerca de 150 representantes da sociedade civil de 21 países, o jornalista Breno Altman disse considerar imperativo que o bloco pense em formas de impedir a agressão à Venezuela, ao contrário da Faixa de Gaza, onde apesar de condenações, o Brics “não passou no teste de impedir o genocídio palestino”.

“A Venezuela é o novo teste. Um ataque contra Caracas é agressão a todos e uma resposta contundente a essa ameaça ainda não foi dada pelo Brics”, disse ele.

“Enquanto não for possível se contrapor à estratégia principal da velha ordem, que é a guerra, a agressão, esse bloco contra-hegemônico não será uma oposição verdadeira.”

Editado por: Maria Teresa Cruz
Ler em: English

|

Newsletter