A decisão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) de revogar a prisão preventiva do deputado estadual Rodrigo Bacellar (União-RJ), determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, deve ter impacto direto na disputa eleitoral de 2026, segundo Carlos Minc (PSB-RJ).
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o parlamentar afirmou que o caso “vai influenciar o julgamento do TSE [Tribunal Superior Eleitoral], da inelegibilidade do [governador] Cláudio Castro e de Bacellar”, afetando a conformação de candidaturas. “Bacelar e Cláudio Castro estão enrolados”, disse.
A ação no TSE pode cassar o mandato do governador Cláudio Castro (PL) e torná-lo inelegível por oito anos, assim como o próprio Rodrigo Bacellar, por suspeita de abuso de poder político e econômico na campanha de 2022, envolvendo, segundo a acusação, uso da máquina pública, contratações irregulares e programas sociais para favorecer a reeleição. A relatora do caso já votou pela cassação, mas o processo foi suspenso por pedido de vista e deve voltar a ser analisado em 2026.
Segundo Minc, o cenário favorece adversários do atual governo estadual, apesar de a prisão ter sido posteriormente revertida pela Alerj. “Nós já temos um candidato ao governo que é Eduardo Paes [prefeito do Rio, do PSD], que agora deve estar rindo à toa”, afirmou, lembrando que Bacellar segue afastado da presidência da Alerj e submetido a medidas cautelares, como monitoramento por tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar. Para o deputado, o episódio torna ainda mais incerta a definição das candidaturas da direita no estado.
Alerj pode liberar prisão, mas não reverter medidas de Moraes
O deputado explicou que o Legislativo estadual tem a prerrogativa apenas para manter ou derrubar a prisão, mas não para suspender o afastamento do cargo nem outras medidas cautelares impostas pelo Supremo. “O que a Constituição diz é que a Assembleia pode, tem o poder de manter ou revogar uma prisão de deputado, que foi o que a Assembleia fez”, afirmou.
“Entendo que a Assembleia não vai e não pode derrubar essa medida”, completou, referindo-se às determinações de Moraes. Ele acredita que, mesmo politicamente, não haveria interesse dos aliados do governador em reconduzir Bacellar ao comando da Casa.
“No fundo, nenhum deles queria”, disse, explicando que uma eventual volta de Bacellar à presidência poderia colocá-lo na linha sucessória caso Cláudio Castro se desincompatibilize para disputar o Senado e provocar um desgaste que setores da própria base do governo pretendem evitar.
‘Crime tem tentáculos no Legislativo’
Minc destacou também que o caso envolvendo Bacellar e o ex-deputado TH Joias (MDB-RJ), preso sob suspeita de intermediar armas para o Comando Vermelho, aprofunda um histórico de infiltração de milícias e facções dentro do poder político fluminense. “Vejam como o crime tem tentáculos, que vai entrando dentro do poder legislativo”, alertou.
“Hoje, tanto o tráfico quanto a milícia subjugam essa população”, apontou, citando casos de extorsão, controle territorial e atuação econômica de grupos criminosos. Para o deputado, o poder financeiro e o acesso às armas “acabam contaminando” o processo eleitoral e estimulando candidaturas vinculadas a interesses criminais.
Ele defendeu que os partidos assumam responsabilidade na seleção de seus candidatos. “A Assembleia devia ter o olho vivo”, disse, acrescentando que a população também precisa estar atenta, cobrar e fiscalizar para evitar que grupos criminosos ampliem sua influência política. “Se mobilizar nas redes, na mídia, nas suas entidades sindicais, associativas”, sugeriu.
‘Hora da esquerda disputar a segurança pública’
Minc também avaliou que a operação expõe a fragilidade da política de segurança conduzida pelo governo estadual, marcada, segundo ele, por um discurso de confronto sem uma redução efetiva do crime. “Tem um governo que diz que prende, mata, é bomba, porrada e tiro, mas não resolveu o problema da segurança, que está cada vez pior”, criticou. “Isso [o caso Bacellar] só acentua a crise do Rio”, lamentou.
Segundo o parlamentar, o episódio deve abrir espaço para que o campo progressista apresente propostas estruturais para a segurança, retomando debates abandonados nos últimos anos. “É o momento da esquerda aprumar mais essas pautas”, afirmou. “Temos que focar mais na reconquista do território, em desarmar o tráfico e a milícia, e entrar com programas culturais, esportivos, formação profissional”, defendeu.
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