A médica infectologista Regina Valim afirma que é realista esperar que o Brasil elimine a dengue como um problema de saúde pública nos próximos anos, desde que haja um esforço conjunto entre a adesão da população às vacinas e os métodos de prevenção à doença. “Eliminar a dengue como problema de saúde pública, como um potencial epidêmico, acho que realmente conseguimos, mas precisa ser um esforço conjunto”, declarou, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Para a especialista, a nova vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, que será aplicada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em dose única a partir de 2026, representa um avanço histórico na prevenção da doença e pode reduzir de forma expressiva o número de casos graves no país. Ela explica que o imunizante é resultado de décadas de pesquisa e da expansão da dengue para todo o mundo.
Valim lembra que, após ser reintroduzida no Brasil nos anos 1980, a dengue deixou de ser restrita a regiões pobres e passou a exigir uma maior atenção da indústria farmacêutica internacional. “Com a globalização, ela se expandiu para o mundo de um modo geral, então não é mais um problema nosso ou um problema só da Ásia, mas um problema de todos”, afirmou. A vacina do Butantan, diz, é fruto desse novo cenário e da capacidade científica brasileira.
Segundo a infectologista, o imunizante usa a tecnologia de vírus vivo atenuado e inclui proteção contra os quatro sorotipos da dengue. O fato de ser aplicado em dose única também facilita a adesão, considera. “Estamos tendo uma vacina de uma única dose, então realmente é um marco histórico, não só para nós, como para o mundo”, classificou.
Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicam uma eficácia próxima de 90% contra casos graves. “O principal é conseguir evitar a evolução de forma grave”, ressaltou.
Ao mesmo tempo, Valim enfatiza que a vacina não substitui medidas de controle ambiental. “Uma única arma de prevenção não é suficiente”, disse, mencionando o uso de repelentes, cuidados com água parada, manejo do lixo e o desenvolvimento de mosquitos com Wolbachia, bactéria que impede o Aedes aegypti de transmitir o vírus. “É preciso ter vários insumos, tecnologias para a prevenção de uma doença, e a dengue está mostrando isso”, concluiu.
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