CLIMA EXTREMO

Ciclone provoca temporais, alagamentos e estragos no Rio Grande do Sul

Acumulado de chuvas supera 300 mm em 36 horas em alguns municípios; cidades suspendem aulas e Defesa Civil mantém alerta

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Defesa Civil confirmou que destruição em Flores da Cunha foi causada por tornado
Defesa Civil confirmou que destruição em Flores da Cunha, na Serra, foi causada por tornado | Crédito: Gabriel Campos/Prefeitura de Flores da Cunha

A passagem do ciclone extratropical sobre o Rio Grande do Sul provoca desde segunda-feira (8) uma sequência de temporais, chuva excessiva, inundações repentinas e danos estruturais em diferentes regiões do estado. Os maiores acumulados foram registrados no sul, leste e parte do centro do RS, onde algumas cidades receberam, em apenas 36 horas, de duas a três vezes a média histórica de precipitação para todo o mês de dezembro.

Levantamento meteorológico mostra os municípios com os maiores acumulados registrados até o momento, entre segunda-feira e 9h desta quarta-feira (10): Amaral Ferrador (310 mm), Sertão Santana (267 mm), Dom Feliciano (264 mm), Camaquã (239 mm), Canguçu (257 mm), Piratini (233 mm), Venâncio Aires (229 mm) e Cristal (201 mm).

Os dados foram compilados pela MetSul Metereologia, a partir de informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Centro Nacional de Monitoramento de Desastres (Cemaden), Secretaria Estadual da Agricultura e estação automáticas particulares (PWS).

Cidades enfrentam alagamentos e suspensão de aulas

Entre as cidades atingidas pelas chuvas intensas, Camaquã decretou situação de emergência após registrar 223 mm em 24 horas. Um córrego transbordou de forma repentina na área urbana, atingindo casas e obrigando equipes municipais a retirar famílias na tarde de terça-feira (9).

Também no sul do estado, Pelotas registrou cerca de 116 milímetros de chuva em 24 horas e reteve pontos de alagamento em vários bairros na noite de terça.

No Litoral Norte, Osório registrou alagamentos severos. No bairro Porto Lacustre, a água invadiu residências e comércios após chuva intensa no fim da tarde de terça. Em Maquiné, o nível dos rios subiu e alcançou pontes da cidade, que segue sob monitoramento da prefeitura.

Praias entre Tramandaí e Torres ficaram tomadas pela água em razão do acumulado extremo. As redes municipais de educação de cidades litorâneas suspenderam as aulas nesta quarta-feira. A medida também foi tomada em cidades de outras regiões, como Camaquã, Dom Feliciano, Piratini, Canoas, Sentinela do Sul e Rio Grande.

A Defesa Civil estadual registrou ocorrências também em Arroio do Padre, Bom Retiro do Sul, Capão do Leão, Rio Grande, Sentinela do Sul, Tapes e Turuçu, envolvendo principalmente destelhamentos, quedas de árvores, alagamentos, deslizamentos e interrupções no fornecimento de energia. Não há registro de mortes.

Arroios transbordam em Porto Alegre

Em Porto Alegre, os arroios Sarandi e Mem de Sá transbordaram nesta quarta-feira (10). Na zona norte, a rua Zeferino Dias e a avenida Sarandi ficaram bloqueadas após o avanço da água. Na zona leste, o Mem de Sá inundou a Rua Ângelo Crivellaro, mas o trânsito permaneceu liberado.

O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) informou que o arroio Sarandi transbordou por “excesso de vazão” e que no Mem de Sá o problema foi agravado por acúmulo de resíduos descartados irregularmente. Porto Alegre registrou 43,9 mm de chuva nas últimas 24 horas, segundo o Inmet.

Defesa Civil confirma tornado na Serra

A Defesa Civil estadual confirmou que os ventos registrados na comunidade de Alfredo Chaves, em Flores da Cunha, na segunda-feira, foram provocados por um tornado. A validação ocorreu após análise de imagens aéreas do Departamento de Gestão de Desastres, que identificaram destroços lançados em múltiplas direções — padrão característico desse tipo de fenômeno.

O tornado impactou mais de 2 mil moradores, houve destalhamento de casas, igreja, quadra de esportes e estabelecimentos, e queda de energia elétrica. Mais de 20 parreirais foram derrubados na cidade, que decretou situação de emergência.

Riscos permanecem elevados

A Defesa Civil alerta que o ciclone próximo à costa mantém, ao longo desta quarta, rajadas entre 60 km/h e 100 km/h no Litoral, Nordeste e Costa Doce, além de 50 km/h a 70 km/h na Região Norte. A chuva persiste moderada a forte na metade Leste e na Campanha, com volumes entre 15 mm e 60 mm. O mar segue agitado, com ressaca.

Na quinta-feira (11), o sistema se desloca para alto-mar, mas ainda poderá gerar vento entre 60 km/h e 80 km/h no extremo Nordeste e no Litoral Norte. Na Campanha, há possibilidade de pancadas fortes com descargas elétricas. As temperaturas mínimas variam de 11°C a 19°C e as máximas, de 19°C a 30°C.

Editado por: Marcelo Ferreira

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