Apoio a Maduro

Protestos em Oslo e Caracas marcam entrega de contestado Nobel da Paz a María Corina Machado

Milhares de Venezuelanos marcharam em apoio ao governo Maduro, que agradeceu pelos protestos realizados em Oslo

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Presidente Nicolás Maduro caminhou com apoiadores durante marcha convocada pelo PSUV
Presidente Nicolás Maduro caminhou com apoiadores durante marcha convocada pelo PSUV | Crédito: Federico Parra / AFP

Debaixo de uma chuva fina que se intensificou aos poucos, milhares de venezuelanos marcharam em Caracas nesta quarta-feira (10) em apoio ao governo Nicolás Maduro. A manifestação foi marcada para o mesmo dia em que a líder opositora María Corina Machado recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

A marcha foi anunciada pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, oficialmente como uma celebração pelo 166º aniversário da Batalha de Santa Inês – batalha vencida pelo exército comandado por Ezequiel Zamora diante das forças do governo conservador. Na prática, a marcha foi, também, uma resposta ao prêmio concedido a Corina Machado. 

Por volta das 16h (horário de Caracas), o presidente da Venezuela, que caminhou o trecho final da marcha junto aos manifestantes, subiu ao palco que havia sido preparado para seu discurso.

Maduro agradeceu os manifestantes que protestaram em Oslo contra a premiação de María Corina Machado. “Tenho que agradecer e pedir ao povo da Venezuela que aplauda o povo da Noruega por apoiar a paz na Venezuela e rechaçar a agressão imperialista”, ressaltou.

Nesta terça-feira (9), um grupo de manifestantes protestou em Oslo, capital da Noruega, que abriga a premiação, contra a escolha de Corina Machado como vencedora do Nobel da Paz. Um dos cartazes estendidos dizia, em inglês: “Estados Unidos, tirem as mãos da América Latina”.

Maduro também exaltou as manifestações que ocorreram, no último sábado (6), nos Estados Unidos – e aproveitou para provocar a oposição venezuelana, ao se referir aos protestos convocados por Corina Machado. “Ocorreram grandes marchas, isso eu posso confirmar. Nos Estados Unidos, aconteceram mais de 65 marchas contra a guerra pelo petróleo e contra a agressão à Venezuela.”

Onde está Corina Machado?

A presença de María Corina Machado na cerimônia de premiação havia sido confirmada pelos organizadores do evento. Havia a previsão de que a opositora participasse de uma coletiva de imprensa na terça-feira (9), o que não ocorreu. 

Ela também não esteve presente na cerimônia de entrega da honraria, que foi recebida pela sua filha Ana Corina Sosa. No discurso, ela afirmou que sua mãe estava a caminho da capital norueguesa. “Em poucas horas, poderemos abraçá-la aqui, em Oslo, após 16 meses vivendo escondida”, disse a filha da opositora.  

Passadas cerca de 12 horas após o discurso, o paradeiro de Corina Machado ainda não foi revelado. Desde as eleições do ano passado, ela mantém sua localização em sigilo. Ao contrário de seu aliado de primeira hora, Edmundo González, que disputou as eleições presidenciais, ela não tem uma ordem de prisão expedida pelas autoridades venezuelanas. 

Resposta às ameaças

Em um recado aos Estados Unidos durante seu discurso na marcha desta quarta-feira (10), Maduro, de forma descontraída, dançou ao som do reggae “Don’t Worry, Be Happy” [não se preocupem, sejam felizes, em tradução livre]. Em seguida, adaptou a letra para “não à guerra, sejam felizes. Não, não à guerra louca, não, sejam felizes”.

Em outro momento do discurso de cerca de uma hora, em tom mais duro, criticou as guerras promovidas pela Casa Branca ao longo dos anos e disse: “Chega de guerras eternas, caralho. Chega de guerras imperiais”.

Editado por: Geisa Marques

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