A 16ª edição da Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes do Rio de Janeiro recebeu cerca de 10 mil visitantes entre os dias 8 e 10 de dezembro, que passaram pelo Largo da Carioca, no centro do Rio. Organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a feira comercializou 45 toneladas de alimentos in natura sem agrotóxicos, como frutas, legumes e verduras, além de sementes, plantas e produtos artesanais, agroindustrializados e fitoterápicos.
Além disso, a feira ofertou uma seleção de 33 pratos de seis cozinhas pertencentes à Culinária da Terra. Entre as opções, estiveram preparos tradicionais como cuscuz, arroz carreteiro e vaca atolada; receitas criativas à base de mandioca, incluindo bolos, caldos, escondidinhos e empadas; pratos internacionais como lasanha com banana-da-terra, empanadas e patacones; além de doces e bebidas artesanais, como rabanadas com pães veganos produzidos nos assentamentos, geleias caseiras, sucos naturais e café orgânico. As cozinhas participantes foram Armazém do Campo, Coletivo Margaridas do Karucango (Lagos), Regional Sul Fluminense, Cozinha Coletiva Mulheres em Ação (Serra da Misericórdia), Sabores do Mundo e Cozinha do Arrocha Vidigal.
“Essa Feira foi grandiosa, envolveu o trabalho de muita gente que batalha para produzir a comida que chega à mesa de milhões de pessoas. Tudo isso é fruto da luta e da produção da Reforma Agrária Popular”, enfatizou Mateus dos Santos, dirigente nacional do MST.
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“Disponibilizamos uma grande diversidade de alimentos agroecológicos, fomentamos a soberania alimentar unindo campo e cidade e conseguimos pautar a urgência do debate da Reforma Agrária Popular. E as ocupações de terras são necessárias para que a gente possa ter comida de verdade no prato da classe trabalhadora”, disse Eró Silva, dirigente nacional do MST, que ressaltou ainda as recentes conquistas do movimento no território fluminense, com os novos assentamentos Irmã Dorothy e Cícero Guedes, que vão reunir mais de 250 famílias.
O evento também foi um lugar de fomento da arte e da cultura popular. A programação incluiu nove apresentações artísticas e atrações culturais, além de 10 oficinas e seminários que trouxeram ao debate temas da atualidade, como combate à fome, crise climática e justiça ambiental, além da homenagem póstuma prestada a ativista pelos direitos humanos e contra a ditadura militar Eunice Paiva.
Doações
Os dias de feira também foram pautados pela solidariedade com doação de alimentos agroecológicos a sete territórios fluminenses que fomentam a soberania alimentar em suas regiões. As organizações beneficiadas foram o Quilombo das Caboclas, a Comunidade do Sereno, a Serra da Misericórdia, a Comunidade do Formiga, a Organização Telhado Verde, a Ocupação do Movimento Unido dos Camelôs (Muca) e o Quilombo da Gamboa.
Além disso, também foram distribuídas 2.000 mudas de árvores nativas para organizações que fortalecem a luta nos territórios. As mudas foram cedidas pela Fiocruz Campus Mata Atlântica, em Jacarepaguá, Cedae e Cooperar.
“Da distribuição de 2.000 mudas da Mata Atlântica às oficinas, cozinhas e cooperativas de quatro regiões do estado, a Feira Cícero Guedes reafirma que é o povo que planta, produz e alimenta o Brasil”, comemorou Livea Bilheiro, coordenadora da Escola Estadual de Formação e Capacitação à Reforma Agrária (Esesf).
