entrada gratuita

Espetáculo sobre ocupação militar nas favelas do Rio tem últimas apresentações no Museu da Maré

Montagem teatral adaptada da obra de Gizele Martins retrata histórias de resistência

Entre: Bombas, Balas, Confetes e Serpentinas
Elenco do espetáculo é formado por jovens do Complexo da Maré | Crédito: Marcos Brendon

O espetáculo Entre: Bombas, Balas, Confetes e Serpentinas, do grupo Entre Lugares, está em cartaz no Teatro Museu da Maré, zona norte do Rio de Janeiro, até o próximo domingo (14). A produção é baseada na obra da jornalista e documentarista premiada Gizele Martins. 

Ao Brasil de Fato, a pesquisadora explicou que a peça retrata a existência e a resistência dos moradores no período do primeiro decreto federal de Garantia de Lei e Ordem (GLO) que vigorou no conjunto de favelas, entre 2014 e 2015, no contexto dos preparativos para a Copa do Mundo. 

A presença do Exército na favela é tema do livro Militarização e Censura (Editora NPC). “A peça retrata esse contexto da Copa do Mundo, trazendo críticas, mas também a existência e a resistência da favela. Fala sobre a escola, fala sobre gênero, de raça, de como a gente foi tratado e como a gente é tratado em contextos de militarização”, diz Martins. 

Ao abordar o impacto da presença das Forças Armadas nas favelas da Maré e da Penha no audiovisual, o filme Cheiro de Diesel, dirigido por Martins e Natasha Neri, venceu em duas categorias do Festival do Rio 2025. 

Entre: Bombas, Balas, Confetes e Serpentinas dá continuidade ao tema, agora com protagonismo da juventude mareense. Ao longo de 1h40, a produção teatral mergulha nas histórias e vivências atravessadas pela repressão, mas a violência está longe de ser a narrativa única sobre a favela. 

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“Por isso que a peça é tão sensível, porque traz o olhar ali de quem tá vivendo essa experiência, de quem passa esses impactos da militarização, das dores, e a peça termina com essa favela que nunca desiste de estar sonhando e vivendo o seu cotidiano”.

“Eu tô muito feliz com essa adaptação e mais ainda por ser uma peça e um teatro feito pela juventude da Maré, pelos mareenses, por quem vive”, pontua Martins. 

Juventude mareense

A construção do espetáculo se deu por uma série de oficinas artísticas do projeto sociocultural Entre Lugares, que atua há décadas na Maré, reconhecido como Escola Livre de Formação em Arte e Cultura, certificada pelo Ministério da Cultura.

A adaptação foi escrita por Matheus Frazão, arte-educador do projeto. Além disso, todo elenco é formado por jovens moradores do conjunto de favelas que trabalharam o tema da militarização ao longo deste ano para levar a adaptação ao palco.

“A juventude mareense vem trabalhando a questão da militarização de uma forma bem sensível, de uma forma que trata a favela no seu dia a dia, suas festas, o seu cotidiano, que é um cotidiano de muito companheirismo, irmandade, mas que é atravessado quando há invasão dos militares no contexto da Copa do Mundo”, completa Martins.

Serviço

Espetáculo Entre: Bombas, Balas, Confetes e Serpentinas

Local: Museu da Maré (Avenida Guilherme Maxwell nº 26, Morro do Timbau, Maré)

Dias: 5 a 14 de dezembro

Quando: Sexta, sábado e domingo

Horário: 19h30

Entrada gratuita

Apresentação com intérprete de Libras: 13 de dezembro

Sinopse: A Maré foi invadida e agora está sob comando dos militares. Com a Copa do Mundo na cidade, os moradores enfrentam a censura e o medo cotidiano impostos pelas forças militares. Em meio a essa guerra, o samba torna-se o pulmão dos moradores, a música que mantém a favela respirando, resistindo e sobrevivendo.

Observação sobre acessibilidade: Sons inesperados, local com ruído, luzes intensas e luzes oscilantes que podem afetar espectadores fotossensíveis e neurodivergentes.

Classificação: 12 anos

Editado por: Juliana Passos

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