HUMOR

Netanyahu e Castro são as figuras ‘mais desprezíveis’ de 2025, opina confraria

No plano estadual e municipal, os agraciados foram o deputado Luciano Zucco e a vereadora Comandante Nádia

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confraria em Porto Alegre
Confraria reúne-se todas as sextas-feiras para almoçar nos altos do Mercado Público de Porto Alegre. | Crédito: Luiz Eduardo Achutti

Mais uma vez Benjamin Netanyahu foi aquinhoado com o troféu Escrotidão do Ano, escolha feita pela confraria Bagassa, de Porto Alegre. Devido ao genocídio em curso em Gaza, o primeiro-ministro de Israel já fora vencedor do galardão digital em 2024, sagrando-se assim bicampeão na modalidade Internacional do concurso que também contou com as categorias Nacional, Estadual e Municipal. “Bagassa é escrita com dois ´esses` para parecer mais bagaceira”, adverte o presidente vitalício da entidade, jornalista Eugênio Bortolon.

A eleição é feita anualmente “com profundo senso de dever, alto sentido ético e de modo totalmente irresponsável”, enfatiza. A Bagassa congrega 30 integrantes. São, na maioria, jornalistas seniors mas também advogados, fotógrafos, livreiros e variados franco-atiradores. Reúne-se todas as sextas-feiras para almoçar nos altos do Mercado Público.

Houve competição também nas categorias Nacional, Estadual e Municipal. O governador carioca Cláudio Castro, o deputado federal Luciano Zucco e a vereadora Comandante Nádia, todos do PL, abiscoitaram os troféus nos segmentos Nacional, Estadual e Municipal.  O pleito transcorreu sem problemas mas a presidência decidiu anular votos nos segmentos Nacional e Municipal. “Alguns escreveram “Cláudio ´Lombroso Vive` Castro e outros grafaram ´Comandante Naja`”, argumenta o mandatário. “Jamais admitiríamos esse tipo de descortesia na Bagassa”, justifica.

“Não confiamos em urna eletrônica”

“É uma eleição com voto manuscrito que não confiamos em urna eletrônica nem em voto impresso”, ressalta. Ao contrário do que acontece com iniciativas similares, a Bagassa acolhe homens, mulheres e todo o espectro da comunidade LGBTQIA+. “Aqui todos tem direito à voz, voto e veto e de escolher sua a la minuta predileta desde que não saiam sem pagar”, acentua.

Na confraria travam-se debates acalorados sobre política, literatura, música, dança – alguns são bailarinos – cinema e futebol, embora o tema principal sejam invariavelmente as patuscadas da mídia empresarial que assola o país. “Ao final, ninguém ganha e todos perdem tempo”, sintetiza.

Quando se acalmam os ânimos, os confrades e as confreiras relatam seus problemas com as articulações, o controle do colesterol, o excesso de peso, os últimos lançamentos recebidos pelas farmácias e trocam receitas de poções alucinógenas, escalda-pés, unguentos e cataplasmas.

As dez frases mais escrotas de 2025

A confraria também escolheu – tarefa insana, dada a fartura de alternativas – as dez manifestações mais vexatórias, asquerosas e repulsivas do ano que está terminando. São as seguintes:

“Toda criança, todo bebê em Gaza é um inimigo (…) Precisamos ocupar Gaza e povoá-la, e nenhuma criança de Gaza sobreviverá lá”.

Moshe Feiglin, ex-deputado israelense, de ultradireita, pedindo a matança de todos os bebês palestinos.

 “As Forças de Defesa de Israel são o exército mais moral do mundo”.

Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu defendendo o que Israel continua fazendo em Gaza.

“O senhor é merecedor do prêmio por tudo o que fez pela paz”.

Gianni Infantino, presidente da FIFA, ao entregar a Donald Trump o “Prêmio Fifa pela Paz”.

“Nivelar o local e livrar-se dos prédios destruídos, criar um desenvolvimento econômico que fornecerá um número ilimitado de empregos e moradias…”

Trump, anunciando a expulsão dos palestinos de suas terras para construir resorts em Gaza.

“Aguenta o coração para o resto da vida, atirei o Théo “debaixo” da ponte agora”.

Tiago Felber, pai e assassino do próprio filho, de cinco anos, dizendo para a mãe da criança, de quem estava separado, que havia feito “uma loucurinha”.

“No dia em que começarem a falsificar Coca-Cola, vou me preocupar”.

Reação despreocupada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), diante das mortes em consequência da contaminação criminosa de bebibas alcoólicas com metanol em seu estado.

“Um sucesso”.

Definição do governador do Rio, Cláudio Castro (PL), da chacina praticada por sua polícia que matou 121 pessoas no Complexo da Penha algumas com direito à degola.

“Uma hora a conta chega”.

Deputado Eduardo Bolsonaro (PL) chamando para si o “mérito” de pedir e obter junto ao governo Trump sanções econômicas contra o Brasil.

“Pedir pelo amor de Deus que os Estados Unidos invadam o Brasil para recuperar a nossa democracia. O que vamos fazer? Sozinho eu não consigo fazer!”

Senador Marcos do Val (Podemos/ES) implorando que Donald Trump use suas tropas contra o Brasil e os brasileiros mas reclamando que ninguém o leva a sério.

Editado por: Ayrton Centeno

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