O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse nesta quinta-feira (11) que segue sem informações de todos os integrantes da tripulação do navio petroleiro que foi alvo de sequestro dos Estados Unidos próximo à costa venezuelana. A embarcação transportava cerca de 1,9 milhão de barris de petróleo adquiridos do país latino-americano.
“Sequestraram os tripulantes, roubaram o barco e inauguraram uma nova era, a era da pirataria naval criminosa no Caribe”, disse Maduro.
Washington informou que o petroleiro sequestrado será escoltado até um porto dos Estados Unidos e que a tripulação do navio está sendo interrogada.
Em nota, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, acusou o governo Maduro de facilitar o envio de drogas aos EUA, mas sem apresentar provas. Agora, os Estados Unidos afirmam que o navio teria ligações com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e o Hezbollah.
Em resposta, Maduro afirmou que se trata de um ataque contra “uma embarcação comercial, civil e de propriedade privada” e uma tentativa dos EUA de controlar o petróleo do país. “O que querem é se apropriar das nossas reservas, e a Venezuela vai defender seus recursos”, afirmou durante uma visita à Comuna Socialista Amalivaca, em Pinto Salinas, na região de El Recreo, em Caracas.
Na mesma linha, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela destacou que a apreensão do navio pelos EUA é um “roubo descarado” e um “ato de pirataria internacional”.
Segundo o ministério, o governo de Nicolás Maduro vai denunciar o ato de pirataria dos Estados Unidos em todos os organismos internacionais e defenderá “com absoluta determinação a sua soberania, os seus recursos naturais e a sua dignidade nacional”.
A chancelaria disse ainda que Washington há anos demonstra interesse direto no petróleo venezuelano e que o sequestro do navio petroleiro deixa claro o objetivo dos Estados Unidos. “Já em sua campanha de 2024, ele [Trump] afirmou abertamente que seu objetivo sempre foi ficar com o petróleo venezuelano sem oferecer qualquer contrapartida, deixando claro que a política de agressão contra o nosso país responde a um plano deliberado para saquear nossa riqueza energética”, relembrou o ministério.
“Não é sobre migração, narcotráfico, democracia ou direitos humanos. Sempre se tratou das nossas riquezas naturais, do petróleo e da energia pertencentes ao povo venezuelano”, diz o governo em nota.
No mesmo dia, o governo venezuelano apresentou uma denúncia formal à Organização Marítima Internacional (OMI) contra os Estados Unidos, pedindo que sejam acionados os mecanismos internacionais para garantir a liberdade de navegação e o comércio marítimo.
“A Venezuela está fazendo o que deve ser feito: recorrer ao direito internacional e defender suas riquezas naturais”, disse a vice-presidente Delcy Rodríguez. “Chegamos ao limite. A realidade é que querem nosso petróleo, e querem sem pagar por ele”, declarou.
Em outro ataque recente à economia da Venezuela, a justiça dos EUA autorizou a venda da Citgo, subsidiária da Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) no país. O Tribunal Federal de Delaware, responsável pelo caso, aprovou, na semana passada, a compra da empresa venezuelana pela estadunidense Elliott Investment Management por US$ 5,9 bilhões.
Além de rechaçar a venda da empresa, o governo venezuelano considera o valor pago abaixo do valor real. De acordo com a vice-presidente, a Citgo vale US$ 12 bilhões, mais que o dobro do acordo firmado. Além disso, ela afirmou que a petroleira gera entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões por ano.
