O governo Donald Trump afirmou, nesta quarta-feira (11), que o navio petroleiro venezuelano sequestrado no dia anterior por militares estadunidenses será enviado a um porto dos Estados Unidos. A apreensão do petróleo não foi descartada.
“O navio irá a um porto estadunidense e os EUA não têm a intenção de apreender o petróleo. No entanto, existe um processo legal para a apreensão desse petróleo”, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Nesta quarta-feira (10), ao ser questionado sobre o que aconteceria com o petróleo venezuelano, Trump respondeu: “Nós ficamos com o petróleo, eu acho.”
Ao justificar o assalto, Leavitt alegou que o navio interceptado faria parte de uma frota sancionada pelos Estados Unidos, que teria o Irã como destino. “Se trata de uma embarcação sancionada, conhecida por transportar petróleo ilegal para o IRGC [sigla em inglês para Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica], que, como vocês sabe, é uma entidade sancionada.”
Perguntada sobre a possibilidade de que as ações de Trump coloquem os Estados Unidos em uma guerra longa, a porta-voz da Casa Branca disse que “Donald Trump não está interessado em uma guerra prolongada” na Venezuela.
De acordo com o jornal britânico The Guardian, a ação de Trump foi condenada por senadores democratas e pelo menos um republicano.
Há cerca de um mês, o Senado estadunidense colocou em votação uma resolução que poderia limitar as operações de Trump na Venezuela. Por 51 votos a 49 a medida foi barrada.
Nesta quarta-feira (10) após o anúncio de Donald Trump, o governo venezuelano chamou a interceptação de “roubo descarado” e uma ação de “pirataria internacional”. O governo Maduro afirma, ainda, que irá recorrer a “todas as instâncias internacionais existentes para denunciar esse grave crime internacional”.
Nesta quinta-feira, o chanceler Yván Gil publicou em suas redes sociais o posicionamento da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba) a respeito do tema.
A organização afirma que o sequestro do navio petroleiro “representa uma gravíssima violação do direito internacional e um ataque direto contra a soberania da República Bolivariana da Venezuela”.
A nota diz, ainda, que a operação, somada à liquidação da Citgo – braço da Petróleos da Venezuela (PDVSA) nos EUA – “revela uma estratégia de saque com o objetivo de apropriar-se dos recursos energéticos venezuelanos”.
No fim do mês passado, o Tribunal Federal de Delaware, responsável pelo caso Citgo, aprovou a venda da empresa venezuelana para a estadunidense Elliott Investment Management por US$ 5,9 bilhões.
De acordo com o governo venezuelano, que classificou a ação como “o maior roubo da história”, a empresa valeria, pelo menos, U$ 12 bilhões. Advogados que representam a Citgo nos EUA entraram com uma ação no Tribunal de Apelações para tentar reverter a decisão.
