O uso do petróleo como combustível de veículos e na indústria e o carvão mineral na geração de energia elétrica já deveriam ter acabado. No mundo são os principais geradores do excesso dos gases de efeito estufa (GEEs), que provocam o sobreaquecimento do planeta e daí os distúrbios climáticos. Poderão ser substituídos na medida que avançarem as alternativas renováveis.
Possuem outros usos, mais fundamentais e menos intensos.
E nem as grandes empresas de petróleo irão acabar porque, em grande parte, estão se transformando em empresas de energia, produzindo as alternativas renováveis, como energia elétrica, eólica, solar e outras. Certamente estas empresas gigantes serão menores.
A Petrobras já é uma empresa de energia desde a fundação em 1953
A Petrobras, desde a sua fundação, em 1953, já possui a condição de empresa de energia. Sem deixar de produzir e comercializar o petróleo e seus derivados, deveria participar bem mais da geração de energia elétrica e das energias renováveis.
A Rússia possui boa parte da sua renda baseada no petróleo e gás natural, já tem boa diversificação, o que está aumentando.
A Arábia Saudita, maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e outros países do Oriente Médio estão diversificando suas economias.
Países que possuem situação bastante crítica, dependentes em mais de 50% da exportação de petróleo, são a Líbia, Angola, Kuwait e Brunei.
A situação mais crítica cabe aos países com mais de 90% de dependência do petróleo, ou seja, Argélia, Azerbaijão, Iraque, Sudão e Venezuela.
OS EUA consomem um quinto de todo o petróleo do planeta
Atualmente os Estados Unidos são os maiores produtores de petróleo graças ao uso do fraturamento hidráulico ou “fracking”, técnica muito perigosa e potencialmente poluente, capaz de arrancar petróleo do xisto. Esta técnica é proibida na França, Alemanha e Reino Unido. No Brasil existem projetos de lei para a sua proibição.
Os EUA produzem 13,5 bpd – bilhões de barris por dia -, porém consomem mais de 20 bpd, isto é, aproximadamente 20% (um quinto) de todo o consumo do planeta!
A china também é um grande produtor, aproximadamente 5% da produção mundial, e um grande importador devido ao seu grande consumo interno.
A China é o maior reflorestador e o maior volume de transição energética
Para celebrarmos, vemos a China como campeão mundial em reflorestamento. Sozinha aumentou em aproximadamente 25% de todo aumento da floresta no mundo nos últimos 20 anos. Desde 1980 dobrou sua área em florestas, que alcançam 220 milhões de hectares. Seu maior projeto nacional é o “Grande Muro Verde” que combate a desertificação do norte e noroeste do País.
A China também possui a maior contribuição para a transição energética. É o maior gerador de energias eólica e solar. Possui a maior fabricação e venda de veículos elétricos e domina a produção de baterias. Possui 70% de todas as terras raras e realiza 93% do seu processamento. Domina os principais minerais críticos como grafite, lítio, cobalto, níquel, tântalo e estanho, essenciais na produção de veículos elétricos, como em toda a rede de equipamentos tecnológicos, inclusive de defesa.
O Brasil precisa minerar e processar terras raras e minerais críticos
O Brasil precisa urgente avançar na produção e processamento destes minérios, na produção de mais veículos elétricos e inclusive das baterias e hidrogênio verde (este poderá inclusive substituir as baterias).
O petróleo e o carvão mineral irão continuar em outros usos essenciais
O petróleo possui muitas outras aplicações, além do uso energético (atualmente em torno de 90%), as quais tendem a continuar. O mais fundamental é o seu uso na produção de produtos petroquímicos (plásticos em geral, borrachas sintéticas) os quais certamente irão crescer, devido aos seus preços competitivos e suas características de resistência química – uso generalizado na embalagem de alimentos, remédios e hospitais -, seu baixo peso e grande resistência – uso na construção civil e construções em geral, entre outras. No desenvolvimento dos plásticos de engenharia, a Alemanha irá substituir o aço.
Possui grande uso na indústria, em componentes automotivos e de equipamentos de informática, tecidos sintéticos, detergentes, tintas, fertilizantes, farmacêuticos e alimentares. Além do grande uso como cimento nos asfaltos.
Vamos lembrar que os plásticos hoje são muito poluentes, inclusive com a difusão das minis e micropartículas. E por que a Alemanha e o Japão não possuem este problema? Simplesmente porque reciclam praticamente a totalidade dos plásticos e porque produzem produtos de melhor qualidade que não geram as micropartículas.
Ainda podemos lembrar que os plásticos também podem ser produzidos por biomassa, e aí, estaremos usando a indesejável concorrência com a produção de alimentos, vital para todos(as).
O carvão mineral é conhecido e usado desde a Antiguidade. Foi essencial na Revolução Industrial na produção de calor. Ainda tem uso energético na indústria, em menor proporção. Seu maior uso energético é na geração de energia elétrica, ainda sendo a principal energia primária nesta geração, especialmente na China, Índia, EUA, Europa e Japão.
Possui outros usos importantes que deverão continuar como na construção civil, em cimentos e cerâmicas.
Os de melhor qualidade são fundamentais nas indústrias siderúrgica, metalúrgica, química e farmacêutica. Usado também no tratamento no tratamento de água.
Um dos importantes usos, já muito praticado pela China, e com iniciação no Paraná, é a obtenção de ureia e amônia destinados à fabricação de fertilizantes. As suas cinzas também são usadas na remediação e condicionamento de solos e controle de pragas.
Nossa sobrevivência está condicionada à construção de um outro mundo sem as energias do petróleo e do carvão mineral. A natureza agradecerá profundamente, proporcionando-nos mais segurança, saúde e qualidade de vida.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

