Soberania

China avança na construção de quarto porta‑aviões; imagens mostram indícios de propulsão nuclear

Pequim reforça modernização militar e defesa da soberania sobre Taiwan em meio a crescente ameaça de EUA e Japão

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A Marinha Popular de Libertação da China possui atualmente mais de 350 navios de guerra, incluindo 3 porta‑aviões em operação, dezenas de submarinos nucleares e convencionais, destróieres e fragatas equipados com tecnologia avançada
A Marinha Popular de Libertação da China possui atualmente mais de 350 navios de guerra, incluindo 3 porta‑aviões em operação, dezenas de submarinos nucleares e convencionais, destróieres e fragatas equipados com tecnologia avançada | Crédito: foto satelite/Guancha

A China iniciou a construção de seu quarto porta‑aviões, no Estaleiro de Dalian, um passo importante na modernização da Marinha Popular de Libertação. Segundo o portal chinês Guancha, imagens do dia 17 de dezembro, feitas por satélites do estaleiro, mostram seções do casco sendo montadas e estruturas que podem corresponder a compartimentos de reatores nucleares, embora a informação ainda não tenha sido confirmada oficialmente por Pequim.

O Ministério da Defesa da China comentou sobre o assunto, afirmando que relatos sobre porta‑aviões nucleares são “especulativos” e que o país avança na construção de porta‑aviões de acordo com necessidades de segurança nacional e desenvolvimento tecnológico, sem detalhar a propulsão do novo navio.

Desenvolvimento estratégico e tecnológico da Marinha chinesa

Nos últimos anos, a China vem expandindo rapidamente sua frota, especialmente de porta‑aviões, como parte de um plano de longo prazo para fortalecer o poder naval e ampliar o alcance estratégico no Indo-Pacífico.

Segundo reportagens do portal China Military, o quarto porta‑aviões chinês deve ter deslocamento entre 110 000 e 120 000 toneladas, equipado com sistemas avançados de lançamento eletromagnético de aeronaves (EMALS), representando um possível salto em autonomia e alcance operacional, permitindo operações prolongadas sem necessidade de reabastecimento.

A construção do novo porta‑aviões segue a entrada em serviço dos três anteriores: Liaoning, Shandong e Fujian. Este último, o Fujian, já incorporou tecnologia de catapultas eletromagnéticas e pode operar aeronaves de quinta geração, mostrando que a China tem acelerado a modernização de sua frota.

Analistas militares observam que a construção de porta‑aviões maiores e tecnologicamente mais avançados está alinhada com planos de longo prazo, que podem levar a uma frota com maior capacidade estratégica e alcance global. Também observam que a construção do novo navio indica que a China busca uma frota capaz de projetar poder além do Mar do Sul da China, reforçando presença em regiões estratégicas e desafiando a predominância naval tradicionalmente exercida pelos Estados Unidos e seus aliados.

Crescimento militar chinês impulsionado pelas ameaças dos EUA e Japão em Taiwan

O fortalecimento das capacidades militares da China, incluindo a expansão de sua Marinha com o quarto porta‑aviões, ocorre em um contexto de aumento das atividades militares dos Estados Unidos e Japão na região de Taiwan.

Nos últimos meses, os EUA intensificaram exercícios e operações no Indo‑Pacífico. Bases como a Estação Aérea de Iwakuni, no Japão, são usadas para movimentação de forças estadunidenses próximas ao Estreito de Taiwan, incluindo a Sétima Frota e grupos de ataque de porta‑aviões, conforme relatório do Council on Foreign Relations.

Além disso, exercícios conjuntos de grande escala entre Japão e EUA, envolvendo dezenas de milhares de militares e equipamentos avançados, têm aumentado em 2025, elevando a presença militar na região.

Diante desse cenário, Pequim considera necessário modernizar e expandir sua frota, incluindo sistemas avançados de defesa aérea, submarinos e porta‑aviões, de modo a garantir a segurança marítima e a integridade territorial da China.

Japão eleva retórica sobre Taiwan, reforçando necessidade de defesa chinesa

Recentes declarações da primeira‑ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan foram interpretadas em Pequim como uma ameaça direta à soberania e à segurança marítima da China. Takaichi afirmou no Parlamento japonês que, em caso de crise envolvendo Taiwan, o Japão poderia considerar medidas militares sob a legislação de 2015, sinalizando uma mudança na postura histórica do país. Que reconhece a soberania da China sobre Taiwan.

O governo chinês, por meio do Ministério das Relações Exteriores, declarou que tais comentários ultrapassaram uma linha vermelha, interferindo em questões internas da China e aumentando as tensões na região. Autoridades enfatizaram que tais posições reforçam a necessidade de modernização e fortalecimento das capacidades militares chinesas, incluindo a expansão da Marinha e a construção de porta‑aviões, para proteger a soberania nacional e a integridade territorial, especialmente na área de Taiwan.

Essa postura reafirma o compromisso da China com medidas defensivas firmes e o desenvolvimento de forças capazes de garantir a estabilidade e segurança regional diante de pressões externas.

Resolução da ONU: Taiwan pertence à China

Em 25 de outubro de 1971, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 2758, reconhecendo a República Popular da China como o único governo legítimo que representa todo território, incluindo Taiwan. Desde então, Pequim tem usado esse marco como base para afirmar que a ilha faz parte do território chinês, e que qualquer participação de autoridades de Taipei em organismos internacionais deve respeitar o princípio de uma só China.

Segundo o governo chinês, a Resolução 2758 confirma que não há duas Chinas ou um status separado para Taiwan dentro do sistema da ONU. Após sua adoção, documentos oficiais passaram a referir-se à ilha como “Taiwan, província da China”.

Editado por: Nathallia Fonseca

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