Internacionalismo

A vitória do imperialismo na Venezuela compromete toda a região, aponta embaixador durante encontro do MST

Em Salvador, diplomata defende a Revolução Bolivariana como um projeto soberano e popular do continente

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O embaixador venezuelano Manuel Vadell (dir.) e o presidente do Instituto Brasil Palestina, Dr. Ahmed Shehada, defendem união entre os povo oprimidos do mundo
O embaixador venezuelano Manuel Vadell (dir.) e o presidente do Instituto Brasil Palestina, Dr. Ahmed Shehada (esq.), defendem união entre os povo oprimidos do mundo | Crédito: Comunicação MST

Em meio à escalada da ofensiva estadunidense contra a Venezuela, o embaixador venezuelano no Brasil, Manuel Vadell, alertou sobre os riscos do avanço da extrema direita no mundo e como o governo Trump ameaça a soberania dos países do Sul Global. A análise foi realizada durante a mesa de conjuntura internacional do 38º Encontro Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Bahia, que desde a última segunda-feira (15) reúne mais de dois mil militantes no Parque de Exposições, em Salvador.

O diplomata salientou que o povo da Venezuela e o presidente Nicolás Maduro estão firmes na defesa da soberania do país. Mas alertou que o avanço do projeto imperialista dos Estados Unidos no território tem impactos em todo o continente.

Mais de dois mil militantes do MST se reúnem no Parque de Exposições, em Salvador -
Mais de dois mil militantes do MST se reúnem no Parque de Exposições, em Salvador | Crédito: Comunicação MST

“Nós temos que ter consciência que uma vitória do imperialismo na Venezuela compromete e coloca em risco qualquer projeto soberano e popular em toda a nossa região. Então, aqui, eu aproveito para chamar vocês a se juntarem na defesa do povo venezuelano, da causa venezuelana e da Revolução Bolivariana. A Revolução Bolivariana que é de vocês também. Nosso projeto é um projeto integracional e é um projeto popular, de uma causa dos povos do mundo”, destacou.

Vadell também agradeceu ao MST pela contribuição do movimento no fortalecimento do projeto revolucionário na Venezuela. Desde 2006, a Brigada Apolônio de Carvalho, composta por militantes do MST, atua no país contribuindo nas áreas de produção agroecológica e produção de sementes, com foco na soberania alimentar, trabalho cooperativo e formação política, além de manter intercâmbio de estudantes em medicina.

“Todo o conhecimento de vocês, a experiência de vocês na organização, na agricultura familiar, na agroecologia, os companheiros de vocês estão lá, estão nos ensinando, nos ajudando muito a desenvolver e isso é muito importante. Somos muito agradecidos por isso.”

Internacionalizar a luta e a esperança

A mesa contou ainda com a contribuição do Dr. Ahmed Shehada, presidente do Instituto Brasil Palestina (Ibraspal), que denunciou o genocídio israelense, apoiado pelos EUA, contra o povo palestino. O médico destacou que a defesa de Gaza, do povo venezuelano e de todos os oprimidos do mundo é a mesma.

“A luta dos oprimidos aqui e a luta palestina são a mesma luta. Não estamos sozinhos. Temos conosco a força de todos os povos que dizem não ao Império. Não há paz sem justiça. Não há paz com a ocupação. Não há paz com o apartheid. Não há paz com o genocídio. Assim como o mundo derrotou o nazismo, assim como o mundo derrotou o apartheid sul-africano, o mundo derrotará o sionismo colonial”, apontou Shehada.

Encontro Estadual

O 38º Encontro Estadual do MST na Bahia reúne militantes de toda as regiões do estado para debater questões políticas e organizativas do movimento. A programação, que se encerra nesta quinta-feira (18), inclui discussões sobre temas como agroecologia, reforma agrária, saúde mental e luta antirracista.

Essa edição também contou com a 2ª Copa Estadual da Reforma Agrária, envolvendo times masculinos e femininos de futebol das dez regionais do MST na Bahia, reafirmando o esporte como uma das bandeiras de luta do movimento.

Para o MST, “o encontro estadual se consolida como um momento estratégico de reflexão, formação e unidade entre trabalhadores do campo e da cidade, reafirmando a luta por justiça social e soberania alimentar”.


Editado por: Luís Indriunas

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