O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira (19) que Moscou está disposta a encerrar o conflito na Ucrânia pacificamente, mas sob as condições estabelecidas pelo governo russo em 2024. Entre elas, a retirada das tropas ucranianas de regiões anexadas pela Rússia e o fim das ambições ucranianas de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Sobre o plano de paz conduzido por Donald Trump, após a reunião entre ambos no Alasca, o correspondente do BdF na Rússia, Serguei Monin, explica ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, que Moscou ainda apresenta questões específicas envolvendo a Otan, segurança e território.
“Há uma flexibilização, mesmo que sutil, na questão territorial. Podemos entender como um aceno o fato de [Volodymyr] Zelensky reconhecer a possibilidade de realizar referendos na Ucrânia, como estratégia para reivindicar a soberania do país”, destaca Monin.
Em contrapartida, o líder russo afirma não ver, da parte da Ucrânia, disposição para aceitar o plano de paz, inclusive nas questões territoriais. “Apesar de Moscou ter anexado quatro territórios, nunca houve controle pleno. Há uma linha de frente muito complexa, por isso a guerra segue lenta e gradual”, aponta.
Eleições ucranianas
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou, em 9 de dezembro, estar pronto para as eleições presidenciais. Alegou que, se a segurança for garantida, o pleito poderá ser realizado nos próximos 60 a 90 dias, acrescentando que pedirá ao Parlamento que elabore a legislação necessária para viabilizar as eleições durante a lei marcial.
Diante disso, Monin é sucinto: a Rússia nem sequer considera Zelensky um governo legítimo. “Mesmo que Zelensky acene, suas condições são claras: ter apoio dos Estados Unidos e da União Europeia na segurança”, avalia.
A lei marcial foi declarada na Ucrânia em fevereiro de 2022, logo após o início da guerra, e é regularmente prorrogada. Nesse contexto, as eleições para o parlamento ucraniano, que, em tempos de paz, aconteceriam em outubro de 2023, e as presidenciais, previstas para março de 2024, foram suspensas pela continuidade do estado de guerra.
“É um aceno político, mas ainda está um pouco longe de se concretizar”, acrescenta o correspondente.
Questão da Otan
Do lado ucraniano, a ideia de Zelensky é garantir forças de segurança que impeçam novos ataques russos. Já, do lado do Ocidente, isso ainda é um impasse. O especialista avalia que a Otan ainda é um ponto crucial no acordo.
“O líder de Kiev só abriria mão de ingressar na Otan se o apoio recebido de EUA e UE for semelhante ao do Artigo 5, a cláusula de defesa mútua. E, com certeza, a Rússia não aceitará isso”, define Monin.
Em seu discurso, Putin também enfatizou que, no momento, a Casa Branca não está considerando o Kremlin como inimigo. Em governos estadunidenses anteriores, era comum que Moscou figurasse nas doutrinas de segurança como um foco.
“Isso é representado pela convergência entre Trump e Putin nos últimos tempos”, posiciona. “A prioridade atual de Washington, com a retomada da Doutrina Monroe evidenciada no recente documento de Estratégia Nacional de Segurança, é a América Latina, principalmente a Venezuela, e a China’”, acrescenta.
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