A artista Tatiana Nascimento lançou seu primeiro álbum, Meio beat meio banzo, neste ano, com participações de Linn da Quebrada e Luedji Luna. O lançamento já teve dois shows comemorativos, um em São Paulo e outro em Brasília, realizado na última sexta-feira (19).
“Eu senti muito alívio quando ficou pronto. Eu recebi apoio da Secretaria de Cultura do DF em 2019. No ano seguinte, com a chegada da pandemia ao Brasil, engravidei. Então foi um misto de puerpério e condições muito precárias de existência. Foi um momento muito difícil assim para todo mundo e o disco estava sendo produzido nesse turbilhão. Dessa forma, é uma grande realização profissional, senti um alívio por poder consolidar uma parte importante da minha carreira”, conta a artista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Nascimento também é autora de 18 livros publicados, com uma carreira que ultrapassa uma década cantando profissionalmente.
Segundo a artista, as participações de Tiganá e Luedji ajudaram-na a estar mais próxima da cena baiana, que é onde o disco nasce, de uma parceria com um produtor musical, Zé Balbino, que é de Salvador.
“As primeiras músicas foram produzidas em Salvador, logo depois quando eu conheci Luedji, realizamos uma mostra nacional de negras autoras chamada Palavra Preta Juntas em 2017. Em paralelo, encontros com pessoas que também são da diáspora negra. É nesse contexto que as músicas foram sendo produzidas, ganhando a forma que apresentariam no disco tantos anos depois”, contextualiza.
O álbum traz referências de vários gêneros, como samba, blues e afoxé. Nascimento relembra que seu pai é músico, o que permitiu que ela crescesse ouvindo uma diversidade de sons, principalmente referências de música negra.
A cantora explica que o processo de compor é “muito solitário”, por não tocar um instrumento a ponto de conseguir harmonizar a canção sozinha. Por isso, a presença de outras pessoas na colaboração, para ela, “ganha um volume”.
“Eu acho que a tentativa de fazer as coisas em banda é para perseguir aquela ideia, meio urbana, de que quando a gente tá só chega mais rápido, mas quando a gente tá junto vai muito mais longe assim, né?”, pontua.
Nascimento faz questão de contar que está produzindo mais músicas com Zé Balbino, responsável pela maior parte das produções do disco Meio Beat Meio Banzo. Como também está desenvolvendo projetos com o Jovem Palerosi e Neila Khadí. “Eu sou mãe de uma criança pequena. Então, as coisas ficam ainda mais lentas. Mas tenho sonhos para circular mais e fazer mais shows do disco nesse ano que chega”, conclui.
No dia 29 de janeiro a cantora fará um show na casa de cultura Odette, no Bixiga, em São Paulo.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
