De acordo com o relatório anual do desmatamento, o RAD do MAP Biomas de 2024, houve uma redução geral de 32,4% na área total desmatada em relação a 2023. Wagner Ribeiro, geógrafo e professor da pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), aponta que a redução é uma vitória importante que reflete os esforços e a posição do novo governo, sendo o terceiro do presidente Lula com a ministra Marina Silva.
“Houve uma requalificação do Ibama, isso representou melhores condições de trabalho para o ato de fiscalização, novos concursos também, alguns ainda em andamento e esse conjunto de fatores levou à melhoria”, destaca ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
No entanto, relembra que o avanço não quer dizer que o desmatamento chegou ao ponto zero, mas, na conjuntura adversa que enfrentamos, de fato, “é preciso comemorar”, porque se conseguiu reduzir em um ano 32% de tudo o que vinha sendo devastado. O geógrafo aponta que os biomas da Mata Atlântica, Cerrado, Pampa e Amazônia ainda enfrentam um desmatamento da vegetação original.
Em relação ao Cerrado, o ecossistema perdeu mais de 652 mil hectares, 52,2% do total nacional, com 75% das perdas na região de Matopiba. Ribeiro explica que a perda é reflexo da expansão agressiva do agronegócio, que avança sem o devido controle ambiental.
“O Cerrado tem uma importância fundamental, porque nele você tem, na verdade, o grande divisor de água, que vai verter água para as principais bacias hidrográficas brasileiras, seja para a bacia Amazônica, a bacia do São Francisco, ou mesmo a bacia do Prata. O esvaziamento dessa capacidade de retenção de água que o Cerrado tem, causando implicações gravíssimas, não apenas pelo próprio agro, que vai ter cada vez menos água para o cultivo, mas também para as regiões metropolitanas”, acrescenta.
COP30
Com relação à realização da COP30 de 2025, Ribeiro avalia que, apesar de todas as dificuldades, foi uma oportunidade de o governo brasileiro se colocar como protagonista do debate climático. Para o professor, a conjuntura internacional foi absolutamente adversa à realização de uma reunião que aposta no multilateralismo.
Alguns aspectos positivos foram realçados, segundo ele, sobre a posição brasileira, não apenas pelo discurso do presidente Lula, mas por propor o “mapa do caminho na COP”, acrescenta, ainda que critique a contradição de “liberar o petróleo aqui”.
“Ao mesmo tempo, a condução do André Corrêa do Lago, o diplomata brasileiro escolhido para ser o Presidente da COP30, foi uma posição muito interessante, aberta ao diálogo, que cunhou e inseriu no debate internacional a ideia de ‘mutirão’, ou seja, que vem de uma ação cooperativa, de solidariedade. Essa palavra incorporou-se ao léxico, está presente hoje nas relações internacionais, especialmente envolvendo a mudança do clima”, pontua.
Em relação ao mapa do caminho, Ribeiro reitera que “ficou a desejar”, por ainda não ter sido elaborado e pela forte resistência que marcou os debates com os países produtores de petróleo se posicionando contra. “Houve uma polarização aguda”, detalha.
“Por conta disso, se temia que o documento não chegasse a uma conclusão, mas a partir de articulações envolvendo Portugal e até mesmo o governo brasileiro, conseguiram chegar a esses documentos. Fica o compromisso para abril, em uma reunião com a Colômbia, Países Baixos e mais outros países para começar a construir esse mapa do caminho. Não é uma tarefa simples, mas traz uma inovação importante. É uma reunião que vai ser paralela à própria Convenção do Clima”, conclui.
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