Violência no campo

Acampamento do MST no Tocantins sofre ameaças mesmo com registro do Incra

Famílias foram abordadas por mulher que disse ser oficial de Justiça, mas não apresentou nenhuma documentação

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Policiais militares acompanharam as ameaças mesmo sem mandado da Justiça - comunicação do MST
Policiais militares acompanharam as ameaças mesmo sem mandado da Justiça – comunicação do MST

Assentados do Acampamento Taboca Sítio 2, em Palmas (TO), foram ameaçados nesta terça-feira (30) por uma pessoa que pedia a reintegração de posse do território.  Acompanhada de policiais militares, uma mulher que se apresentava como Sandra cobrou a retomada do terreno e afirmava que, se as famílias não aceitassem, eles seriam expulsos e a produção agroecológica do acampamento seria destruída. 

Sem apresentar qualquer identificação, a mulher que se apresentou como Sandra disse ser oficial de justiça e apresentou o que seria uma liminar de reintegração de posse. O documento, no entanto, já havia sido revogado pelo Tribunal de Justiça do Tocantins em 12 de dezembro. A área foi determinada pelo próprio governo federal como um bem público da União.

O espaço tem autorização da Justiça e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a destinação com finalidade da reforma agrária e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) entende estar respaldado para manter o acampamento.

Em 2007, um decreto de Lula determinou que o terreno de 3.283 hectares fosse destinado para a reforma agrária por ser de interesse social. As famílias ocuparam o local e conseguiram, em agosto de 2025, a matrícula de registro de 641 hectares. 

Os filhos do empresário interessado na área entraram com uma ação judicial para obrigar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a fazer a regularização fundiária da área. O Tribunal de Justiça Federal do Tocantins, no entanto, considerou que essa ação não tem interesse jurídico e extinguiu o processo. 

Em dezembro deste ano, o Incra autorizou a criação do projeto de assentamento Sítio 2, concluindo a legalidade da área. Para o advogado das famílias acampadas, Christian Ribas, a ocupação tem respaldo jurídico e as garantias do Estado de que vai continuar funcionando. Ele afirma que o Movimento entrará com um processo contra as pessoas envolvidas nessas ameaças. 

“A expectativa é de que essa situação seja investigada desde a responsabilização por alguém que se passou por uma profissional do Judiciário. Isso é falsidade ideológica. Assim como a utilização indevida de policiais militares para intimidar sem ter previsão pelo Judiciário. A situação jurídica da área está consolidada”, afirmou ao Brasil de Fato

Apesar das garantias jurídicas, o MST tem receio de uma escalada no conflito a partir de violência promovida pelos interessados nesse território

Em nota, o MST reforçou a finalidade da reforma agrária e o intuito de fazer justiça social e produção de alimentos saudáveis que abasteça as cidades e combatam a fome.

“O MST reafirma sua posição inabalável na defesa do Acampamento Taboca Sítio 2, reiterando seu compromisso histórico com a luta pela terra e pela democratização do acesso aos meios de produção. Contra toda e qualquer forma de injustiça e latifúndio, o MST mantém sua trajetória de resistência e solidariedade de classe, denunciando as manobras daqueles que tentam se sobrepor ao interesse social. Pela dignidade de quem planta e pela soberania do povo sobre seu território, não recuaremos nenhum centímetro da luta pela terra”, diz o texto.

Editado por: Luís Indriunas

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