Paz mais longe

Rússia diz que vai endurecer posição nas negociações sobre guerra na Ucrânia após ‘ataque à residência de Putin’

Acusação de Moscou aponta que tentativa de ataque com drones ocorreu no último domingo (28)

Presidente russo, Vladimir Putin, discursa durante fórum de investimentos do Banco VTB, em Moscou, em 2 de dezembro de 2025
Presidente russo, Vladimir Putin, discursa durante fórum de investimentos do Banco VTB, em Moscou, em 2 de dezembro de 2025 | Crédito: Kremlin.ru

O porta-voz da presidência da Rússia, Dmitry Peskov, declarou nesta terça-feira (30) que a suposta tentativa de ataque das Forças Armadas da Ucrânia à residência do presidente Vladimir Putin fará com que Moscou endureça a sua posição nas perspectivas para as negociações de paz na Ucrânia.

Na última segunda-feira (29), o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou que a Ucrânia usou drones para atacar a residência do presidente russo, Vladimir Putin, em Valdai, na região de Novgorod.

No briefing do Ministério da Defesa russo sobre as últimas informações do conflito foi relatado que as forças de defesa aérea do país abateram 91 drones ucranianos, 41 dos quais sobrevoavam a região de Novgorod, 49 a região de Bryansk e um a região de Smolensk. Na declaração do chanceler, não houve menção a alvos específicos e nem apresentação de provas de que a residência do líder russo estivesse na mira de Kiev na região.

O porta-voz do Kremlin justificou a ausência de evidências como uma questão interna das Forças Armadas da Rússia.

“Não acho que deva haver qualquer prova aqui se um ataque massivo de drones como esse foi realizado e neutralizado graças ao eficiente trabalho do sistema de defesa aérea. Quanto aos destroços, não posso comentar, isso é assunto para nossas Forças Armadas”, afirmou.

Ele também classificou o ataque como um “ato terrorista” com o objetivo de interromper o processo de negociação. “O ataque visa não apenas o presidente Putin, mas também Trump, para interromper seus esforços por uma solução pacífica”, acrescentou.

Ucrânia negou acusações

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, por sua vez, classificou a declaração de Lavrov como “uma mentira da Federação Russa”. Segundo ele, Moscou pretende usar esta alegação como pretexto para atacar Kiev.

“Mais uma mentira da Federação Russa. É evidente que ontem [28 de dezembro] tivemos uma reunião com Trump, e é evidente que, para os russos, se não houver um conflito com os EUA– e estamos progredindo –, isso representa um fracasso para eles. Porque eles não querem o fim desta guerra, só podem terminá-la pressionando-os. Portanto, tenho certeza de que estavam procurando pretextos”, disse Zelensky a repórteres.

O presidente ucraniano acrescentou que as declarações da Rússia são “muito perigosas” que tais acusações podem minar todas as conquistas da Ucrânia e dos Estados Unidos na resolução do conflito.

No último domingo (28), Trump e Zelensky se reuniram na Flórida, onde discutiram um plano de paz de 20 pontos preparado por Kiev. Após a reunião, o presidente estadunidense pediu a aprovação acelerada do documento, alertando que, caso contrário, a Rússia continuaria seu avanço.

A questão territorial sobre a região de Donbass permanece sem solução. Moscou reforçou suas exigências nesta segunda-feira (29), reafirmando a retirada completa das forças ucranianas das áreas de Donbass, onde Kiev ainda mantém controle, como condição para o fim da guerra.

Editado por: Geisa Marques

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