Mudança climática

Diante de nível crítico, governador interino de São Paulo torce por chuva para evitar colapso hídrico

Com sistema Cantareira em estado de restrição, gestão estadual pede economia de água e descarta medidas emergenciais

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Principal reservatório da Grande São Paulo, Cantareira registra menor nível desde a crise hídrica de 2014
Principal reservatório da Grande São Paulo, Cantareira registra menor nível desde a crise hídrica de 2014 | Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

O volume de água nas represas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo encerrou 2025 em patamar semelhante ao registrado durante a crise hídrica de 2014. O alerta foi dado pelo governador em exercício Felício Ramuth (PSD), que assumiu o comando do estado durante as férias de Tarcísio de Freitas (Republicanos). “Hoje nós estamos na região metropolitana com 26% do volume de água das nossas represas. É um número baixo, muito próximo da época em que a gente teve aquele racionamento, na época do ex-governador Geraldo [Alckmin]”, afirmou.

Apesar do quadro crítico, o governador interino descartou a possibilidade imediata de racionamento e disse apostar na recomposição das reservas durante o período chuvoso. “A expectativa é que no período chuvoso a gente consiga recompor o volume das represas. Estamos também pedindo para a população fazer a parte dela e usar a água somente para as coisas necessárias e não desperdiçar”, declarou.

Ramuth atribuiu o aumento do consumo ao calor acima da média, com temperaturas cinco graus maiores do que em 2024, e citou ainda falhas no fornecimento de energia após temporais como fator que impacta o bombeamento de água para bairros mais altos e periféricos da Grande São Paulo.

Sistema Cantareira entra em ‘restrição’ após atingir o menor nível desde 2014

O Sistema Cantareira, principal conjunto de reservatórios que abastece a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), está com 20,2% do volume útil, enquadrado na faixa de operação “Restrição” (20% a 30%) — patamar que o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) classifica como o menor desde a crise hídrica de 2014/2015.

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a SP Águas informam que como o Cantareira está na faixa de Restrição, a Sabesp segue autorizada a retirar até 23 m³/s. Como mitigação, a operadora pode continuar usando, além desse limite, a vazão transposta do reservatório da UHE Jaguari (bacia do Paraíba do Sul) para o Atibainha, da ordem de 7,6 m³/s.

O Cemaden aponta que, mantida chuva na média histórica, o volume útil estimado para o fim de março de 2026 poderia chegar a 54%, recolocando o sistema na faixa “Atenção” (40% a 60%). Mas o documento também destaca cenários de frustração de chuva: com 25% a menos de precipitação, a projeção cai para 35% (faixa “Alerta”); com 50% menos chuva, para 20% (faixa “Restrição”).

Outros sistemas da RMSP também registram queda

A pressão não aparece apenas no Cantareira. No painel diário do Daee, com última atualização em 31/12/2025, o Alto Tietê registrou 19,9% de volume útil — praticamente o mesmo patamar do Cantareira (20,2%). No agregado, o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) aparece com 26,2%.

Outros sistemas produtores da região metropolitana de São Paulo estão em níveis mais altos, mas com sinais de perda quando comparados a anos anteriores: Guarapiranga (46,4%), Cotia (42,0%), Rio Claro (38,0%) e Rio Grande (59,0%) no mesmo painel.

Um comparativo da Sala de Situação de SP Águas (com “ano de referência” de 2021) ajuda a dimensionar a queda em alguns mananciais: em 30/12/2025, o Alto Tietê aparecia com 19,78% (diferença de -20,2% em relação ao ano de referência) e o Cantareira com 20,19% (diferença de -4,7%), além de recuos relevantes em São Lourenço (-28,5%) e Rio Grande (-24,8%).

Outros reservatórios críticos no país: Grande BH, Brasília e Ceará sob pressão

O quadro de reservatórios “apertados” não se restringe a São Paulo. No Sistema Paraopeba, que abastece a Região Metropolitana de Belo Horizonte, os reservatórios Serra Azul (33,43%) e Vargem das Flores (48%) também preocupam.

No Distrito Federal, o Santa Maria tem atualmente 41,48% de sua capacidade.

No Ceará, o Castanhão, principal reservatório do estado, está com 20,85%. Na soma estadual, a Companhia de Gestão de Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) informou que encerraria 2025 com 40,64% da capacidade total acumulada nos reservatórios.

Editado por: Luís Indriunas

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