Novas ameaças

Irã responde EUA após ameaças de ataques e novas sanções contra Teerã e Caracas: ‘Violação flagrante’

Casa Branca acusou Irã e Venezuela de comercializar drones e armamentos nucleares

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Irã é alvo de 3.086 medidas coercitivas unilaterais impostas pela Casa Branca enquanto os venezuelanos são impactados por 1.044 sanções - ATTA KENARE / AFP
Irã é alvo de 3.086 medidas coercitivas unilaterais impostas pela Casa Branca enquanto os venezuelanos são impactados por 1.044 sanções | Crédito: Atta Kenare/ AFP

O governo iraniano reforçou nesta terça-feira (30) que os Estados Unidos estão aumentando o nível de ameaças contra o Irã e a Venezuela nos últimos dias. A declaração vem na esteira de sanções impostas contra 10 empresas e empresários que atuam nos dois países pelo comércio de armas entre Teerã e Caracas.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araqchi, essa é uma “violação flagrante do direito internacional”. 

“A ameaça de recorrer ao uso da força contra o Irã constitui uma violação flagrante da Carta da ONU, que proíbe qualquer ameaça ou uso da força contra a integridade territorial e a soberania nacional dos Estados”, afirmou. 

A decisão do Departamento do Tesouro dos EUA atingiu a Empresa Aeronáutica Nacional SA (Eansa), que tem sede na Venezuela. De acordo com com o órgão estadunidense, o presidente da companhia, José Jesús Urdaneta, participou do comércio de drones entre os dois países. 

As novas sanções estadunidenses foram acompanhadas de um encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Os dois conversaram sobre o Irã e o mandatário estadunidense disse que poderia atacar Teerã se o governo iraniano decidisse retomar o programa nuclear ou produzisse mais mísseis de longo alcance.

O ministro também disse que esse gesto da Casa Branca demonstra a “má-fé dos Estados Unidos em continuar sua conduta ilegal e agressiva”. Ele afirmou que as consequências e responsabilidades das ações estadunidenses “recairão sobre os estadunidenses”.

Apoio a Venezuela

Teerã também fez questão de defender a aliada sul-americana em meio ao aumento das agressões contra os venezuelanos. Araghchi disse que a posição do Irã é de rejeitar qualquer ameaça à “soberania nacional e à integridade territorial da Venezuela”.

O país disse que observa com cautela as declarações de Trump sobre os ataques contra o território venezuelano. A ofensiva, entretanto, não foi confirmada na Venezuela, de onde começam a vir relatos que contradizem o magnata estadunidense.

“Houve uma grande explosão na área do cais onde carregam as embarcações com drogas”, disse Trump. “Atacamos todas as embarcações, e agora atacamos a área, é a área de implementação […] e já não existe mais”, acrescentou.

Trump não detalhou se foi uma operação militar ou da CIA, agência central de inteligência, nem onde o ataque ocorreu. Disse, apenas, que foi “ao longo da costa” da Venezuela, que tem cerca de 2,8 mil km (aproximadamente a distância entre os litorais do Rio Grande do Sul até o da Bahia).

Venezuela e Irã são hoje dois dos três países mais sancionados pelos Estados Unidos. Teerã é alvo de 3.086 medidas coercitivas unilaterais impostas pela Casa Branca enquanto os venezuelanos são impactados por 1.044 sanções. Os dados foram levantados pelo Observatório Antibloqueio, ligado ao governo da Venezuela. Segundo a organização, só a Rússia tem mais sanções do que os dois países, com 28.573 medidas. 

As sanções são medidas adotadas – na maioria das vezes por EUA e União Europeia– para limitar as ações de um governo por meio da asfixia econômica. Elas impedem que determinados setores daquele país negociem com empresas de outros países para evitar a entrada de dinheiro no território. Além disso, essas medidas buscam atingir autoridades, bloqueando passaportes e bens.

Editado por: Luís Indriunas

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