AMEAÇA DOS EUA

Irã rebate Trump e diz que não tolerará interferência estrangeira

Estadunidense ameaçou ajudar manifestantes iranianos que protestam contra o custo de vida, piorado pelas sanções dos EUA

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Novas cédulas iranianas de 500 mil e 100 mil rials: país vive hiperinflação
Novas cédulas iranianas de 500 mil e 100 mil rials: país vive hiperinflação | Crédito: ATTA KENARE / AFP

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, disse nesta sexta-feira (2) que o país não irá aceitar qualquer tentativa de interferência estrangeira no país. A declaração ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer que Washington está “pronta para agir” caso mais manifestantes morram em protestos contra o aumento do custo de vida no país.

Manifestantes e forças de segurança entraram em confronto em diversas cidades iranianas na quinta-feira (1º), com seis mortos confirmados, os primeiros desde o início da onda de protestos, no último domingo (28).

Baqaei, publicou no X que uma análise do longo histórico de ações de políticos estadunidenses para “resgatar” o povo iraniano revela a verdadeira extensão da simpatia dos EUA pela nação persa. Entre os exemplos citados, está organizar o golpe de 19 de agosto de 1953 contra o governo eleito do Dr. Mohammad Mossadegh, financiando e armando manifestantes.

A lista prossegue com uma série de fatos: abater um avião comercial iraniano em 1988, matando mulheres e crianças inocentes sobre o Golfo Pérsico; apoiar integralmente Saddam Hussein durante os oito anos de guerra com o Iraque. Conluio com o regime israelense em assassinatos e massacres de iranianos, bem como ataques à infraestrutura do Irã em junho de 2025; impor sanções descritas como as mais severas da história e mais uma vez, emitir ameaças de atacar o Irã sob o pretexto de compaixão pelos iranianos.

A compaixão de Trump

“Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é seu costume, os Estados Unidos virão em seu resgate”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

Os Estados Unidos estão há décadas em confronto com a República Islâmica. O presidente magnata prometeu na segunda-feira (29) “erradicar” qualquer tentativa de Teerã de reconstruir seu programa nuclear ou seu arsenal de mísseis balísticos.

Em abril, Irã e Estados Unidos iniciaram negociações com a mediação de Omã sobre o programa nuclear iraniano, motivo de tensões com os países ocidentais. As conversações, no entanto, estão paralisadas desde junho, quando os Estados Unidos bombardearam as instalações subterrâneas de enriquecimento de urânio de Fordo, ao sul de Teerã, assim como as instalações nucleares de Isfahan e Natanz, no centro do país.

Um conselheiro do líder supremo iraniano reagiu pouco depois. “Trump deveria saber que qualquer interferência dos Estados Unidos neste assunto interno seria o equivalente a desestabilizar toda a região e prejudicar os interesses americanos”, advertiu Ali Larijani na rede social X.

“Que tenha cuidado com seus soldados”, acrescentou Larijani, que dirige a principal autoridade da área de segurança no Irã.

Protestos em Teerã na segunda-feira (29)
Protestos em Teerã na segunda-feira (29) | Crédito: FARS NEWS AGENCY / AFP

Até o momento, as manifestações são menores que os protestos que abalaram o país no final de 2022, após a morte sob custódia de Mahsa Amini, uma jovem iraniana. A moeda nacional, o rial, registrou uma desvalorização de mais de um terço no último ano em relação ao dólar, enquanto a hiperinflação de dois dígitos enfraquece o poder de compra dos iranianos há vários anos.

Editado por: Geisa Marques

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